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(3 out) Juncker (e) e Barnier conversam no Parlamento Europeu, em Estrasburgo

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Europeus e britânicos se acusaram mutuamente, nesta segunda-feira (9), pela responsabilidade no impasse nas negociações sobre seu divórcio, no primeiro dia da quinta rodada de negociações em Bruxelas.

As equipes de negociação se reuniram no início da tarde na sede da Comissão Europeia para iniciar esta sessão, que deve ser encerrada na quinta-feira (12) com uma coletiva de imprensa conjunta dos dois chefes de delegação.

Ao contrário da prática dos últimos meses, o negociador-chefe da UE, Michel Barnier, e seu colega britânico, David Davis, não planejaram se reunir nesta segunda para lançar a rodada de discussões, a última prevista antes do Conselho Europeu de 19-20 de outubro.

No calendário ideal das negociações, a cúpula marcaria uma etapa crucial, com a perspectiva de os líderes europeus aceitarem a abertura de negociações sobre as relações comerciais com Londres após o Brexit.

Esse cronograma seguirá como planejado, porém, apenas se "progressos suficientes" forem feitos pela UE sobre as condições do divórcio, previsto para o final de março de 2019.

"A bola está no campo deles", afirmou nesta segunda-feira à tarde a primeira-ministra britânica, Theresa May, de acordo com seu serviço de imprensa.

"Mas estou otimista sobre uma resposta positiva", acrescentou, pedindo aos europeus que sejam "flexíveis" para lançar a segunda fase das negociações, exigida com impaciência pelos britânicos.

"Não é exatamente um jogo de bola", respondeu imediatamente depois a porta-voz da Comissão, Margaritis Schinas, acrescentando que "a bola está totalmente no campo do Reino Unido", em alusão à "sequência clara" das negociações.

May disse ainda que a ambição de Londres é criar "uma nova, profunda e especial colaboração entre um Reino Unido soberano e uma UE forte e próspera". Sobre o futuro da Irlanda, "não aceitaremos infraestruturas materiais" marcando a fronteira, afirmou, a primeira-ministra britânica.

- A sombra de Boris -

"Ainda não conseguimos um progresso suficiente nesses três assuntos para começar com confiança a segunda fase das negociações", advertiu Barnier ao Parlamento Europeu em 3 de outubro.

"Até o final de outubro, não teremos feito progressos suficientes (...) exceto em caso de milagre", ressaltou, por sua vez, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em uma cúpula informal em Tallinn, no final de setembro, depositando poucas esperanças nessa quinta rodada.

Os europeus são ainda mais pessimistas, porque se preocupam com as consequências para as negociações da fragilidade de Theresa May, ilustrada por seu desastroso discurso na quarta-feira diante de seu partido.

Em plena crise de liderança, a líder conservadora foi interrompida por um acesso de tosse e por um humorista que lhe entregou um formulário de demissão "da parte de Boris Johnson", o ministro das Relações Exteriores que desafia sua autoridade, defendendo um Brexit "mais duro".

Para um diplomata europeu, "o problema de Theresa May é que ela sempre deve falar para dois auditórios ao mesmo tempo: a ala de seu partido que defende um 'hard Brexit' e os europeus a quem ela deve garantir segurança nas negociações".

"Dezesseis meses depois do referendo, não se registrou nenhum progresso real", lamentou nesta segundo o líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn. "O que o governo fez durante todo esse tempo?", indagou na Câmara dos Comuns.

- 'Sérias divergências' -

A própria UE havia saudado o "tom construtivo" e a "nova dinâmica" promovidos pelo discurso de May em 21 de setembro em Florença, quando propôs um período de transição pós-Brexit de dois anos e prometeu que seu país "honrará" seus compromissos financeiros em relação à UE.

Mas "ainda temos sérias divergências, especialmente sobre a solução financeira", advertiu Barnier no Parlamento Europeu.

A conta a ser paga pelo Reino Unido para honrar seus compromissos financeiros na UE é avaliada não oficialmente pelos europeus entre 60 e 100 bilhões de euros, de acordo com várias fontes.

Os negociadores europeus não cobram, nesta etapa, um compromisso quantificado de Londres, mas esperam um acordo em princípio sobre um método de cálculo, ainda longe de ser alcançado.

Os meios de garantir após o Brexit os direitos dos cidadãos europeus no Reino Unido permanecem como outro ponto de discórdia.

Até agora, Londres e Bruxelas não conseguiram chegar a um acordo sobre o possível papel da Corte de Justiça da UE (CJUE) a esse respeito.

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AFP