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Uma dúzia de militares são afastados na Colômbia por escândalo de escutas ilegais

(Arquivo) O ministro colombiano da Defesa, Carlos Holmes Trujillo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 02. maio 2020 - 00:20
(AFP)

Uma dúzia de oficiais, incluindo um general, foram excluídos do Exército da Colômbia devido a um escândalo de supostas escutas ilegais envolvendo políticos, jornalistas e juízes, anunciou nesta sexta-feira o Ministério da Defesa.

"Hoje, serão afastados do cargo e excluídos do serviço ativo 11 oficiais; um brigadeiro-general solicitou sua exclusão voluntária do serviço ativo", informou o ministro da Defesa, Carlos Holmes Trujillo, durante entrevista coletiva em Bogotá.

Segundo o ministro, os militares, cujos nomes e patentes não revelou, deixam a instituição em consequência de investigações disciplinares internas devido ao "uso irregular das capacidades de inteligência militar".

As investigações começaram em janeiro, após a divulgação, naquele mesmo mês, pela revista "Semana", de indícios e depoimentos que comprometem efetivos do Exército na interceptação de telefonemas e e-mails de personalidades sem ordem judicial e com supostos fins políticos.

Um dos militares envolvidos no escândalo disse à imprensa que recebeu a ordem de entregar a informação colhida sobre uma juíza "a um político reconhecido do Centro Democrático", partido no poder, liderado pelo senador e ex-presidente Álvaro Uribe (2002-10).

O governo de Iván Duque questionou qualquer ilegalidade e anunciou um inquérito interno, concluído no fim de março, explicou hoje o comandante das forças militares, general Luis Fernando Navarro, segundo o qual foi realizada uma adequação dos protocolos de inteligência, trabalho acompanhado por mais de 100 especialistas e "validadores" nacionais e internacionais.

Quando as irregularidades foram reveladas, a procuradoria anunciou a abertura de investigações penais.

Escândalos de interceptações ilegais envolvendo autoridades colombianas não são uma novidade. O antigo Departamento Administrativo de Segurança (DAS), que respondia à presidência, viu-se envolvido, durante o governo Uribe, em um escândalo de escutas irregulares de juízes da Suprema Corte, opositores e jornalistas.

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