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(Arquivo) Vista do Túmulo dos Patriarcas, em Hebron

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A Unesco declarou nesta sexta-feira a área antiga de Hebron, na Cisjordânia ocupada, "zona protegida" do patrimônio mundial, como um lugar de "valor universal excepcional em perigo", o que provocou a revolta de Israel.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura inscreveu a cidade antiga de Hebron em duas listas: a de patrimônio mundial e a de patrimônio em perigo.

Hebron tem uma população de 200.000 palestinos e algumas centenas de colonos israelenses, que vivem em um território protegido por soldados perto do local sagrado que os judeus chamam de Túmulo dos Patriarcas e os muçulmanos de Mesquita de Ibrahim.

A votação é "um êxito para a batalha diplomática travada pelos palestinos em todas as frentes diante das pressões israelense e americana", comemorou o Ministério palestino das Relações Exteriores em um comunicado.

"Apesar da frenética campanha israelense que consistiu em divulgar mentiras e manipular os fatos relacionados com os direitos dos palestinos, o mundo reconheceu o nosso direito de incluir Hebron e a Mesquita de Ibrahim sob a soberania palestina", acrescentou o ministério.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por sua vez, chamou a sentença de "decisão delirante".

"Desta vez disseram que o Túmulo dos Patriarcas em Hebron é um local palestino, o que significa que não é judeu, e que é um local que está em perigo", declarou Netanyahu em um vídeo divulgado por seus serviços e postado no Facebook.

Além disso, Netanyahu também decidiu cortar a contribuição de Israel à ONU em um milhão de dólares, segundo um funcionário israelense. É a quarta redução da colaboração israelense às Nações Unidas em um ano, passando de 11 milhões de dólares a 2,7 milhões.

Anteriormente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Emmanuel Nahson, qualificou a decisão de "mancha moral" em um tuíte, acrescentando que "esta organização irrelevante promove uma HISTÓRIA FALSA. Vergonhoso para a Unesco".

A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, qualificou a decisão de "afronta à História" e afirmou que a iniciativa "desacredita ainda mais uma agência da ONU já altamente discutível".

Haley indicou, ainda, que os "Estados Unidos estão avaliando atualmente o nível apropriado do seu contínuo compromisso com a Unesco".

Os Estados Unidos pararam de financiar a Unesco em 2011, quando a agência admitiu a Palestina como Estado-membro, mas continuam sendo membro do conselho executivo da organização.

Um representante do Centro Simon Wiesenthal, a única ONG judaica creditada pela Unesco, lamentou a "politização" do tema.

O comitê da Unesco, reunido na cidade polonesa de Cracóvia, aprovou esta medida com 12 fotos a favor, três contra e seis abstenções.

Os palestinos afirmam que a cidade antiga de Hebron está ameaçada por um aumento "alarmante" do vandalismo contra propriedades palestinas na região, atos que atribuem aos colonos israelenses.

Por este motivo, solicitaram à Unesco que declarasse a área antiga como "zona de valor universal excepcional".

- Um local conflituoso -

As autoridades israelenses consideram que a resolução sobre Hebron, que classifica a cidade de "islâmica", nega uma presença judaica de 4.000 anos na região.

Antes da votação, o Ministério das Relações Exteriores israelense advertiu que a inclusão da cidade no patrimônio mundial da Unesco seria mais um passo na "politização da organização".

Em maio, Israel rejeitou uma resolução da Unesco sobre o status de Jerusalém que definia o Estado hebreu como uma "potência ocupante", antes de impedir que os pesquisadores da organização visitassem Hebron.

Em meio século de ocupação israelense, Hebron se tornou um local de conflito permanente. Os colonos, protegidos por centenas de militares, vivem em uma área do centro da cidade, e os palestinos têm o acesso a essa zona e às ruas próximas parcialmente proibido.

Na época do mandato britânico sobre a Palestina, uma comunidade de judeus vivia em Hebron antes de ser forçada a partir após o assassinato de 67 judeus em 1929.

Atualmente, as lojas do mercado da parte antiga estão quase todas vazias e os comerciantes asseguram que instalaram redes sobre os estabelecimentos para se proteger das garrafas e dos demais objetos lançados pelos colonos.

Segundo a Unesco, a lista de patrimônio mundial em perigo tem por objetivo "informar a comunidade internacional sobre as condições [conflitos armados, catástrofes naturais etc.] que ameaçam as características que justificaram a inscrição de um bem na lista de patrimônio mundial e estimular a aplicação de medidas correcionais".

AFP