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(Arquivo) Manifestantes com bandeiras 'Estelada' durante protesto em Barcelona

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"Uma unidade de pessoas tristes". A favor ou contra a independência, os catalães expressavam nesta segunda-feira a sua aflição após a ação policial contra o referendo de autodeterminação proibido, mas ao invés de brigarem com o governo espanhol, pediam diálogo.

Nos diferentes locais da região a preocupação se fazia presente nas conversas um dia depois da Polícia Nacional e da Guarda Civil recorrerem à força para impedir a votação.

Antoni Crespo, de 85 anos, conversa com um amigo no pátio da Faculdade de Geografia e História da Universidade de Barcelona, onde este sapateiro aposentado faz pós-graduação em Filosofia.

"Sinto muita dor, muita pena, muita angústia, muito desencanto, muita preocupação com o que aconteceu", diz à AFP este homem que se reconhece separatista.

As imagens de agentes prendendo as pessoas que os impediam de fechar as zonas eleitorais, agarrando alguns pelos cabelos ou batendo com cassetetes, se multiplicavam na mídia e nas redes sociais.

Segundo o governo separatista catalão, cerca de 900 pessoas foram atendidas pelos serviços de saúde. Também precisaram de atenção quase 40 policiais, informou o Ministério do Interior espanhol.

"O que aconteceu ontem não tem nome, é vergonhoso", afirma Sergi Capell, de 50 anos, dono de um estúdio de design e de uma agência de comunicações, às portas do Real Círculo Artístico de Barcelona, onde irá participar de uma conferência.

Esteve grande parte do domingo na rua tirando fotos e, embora diga não ser separatista, sente a "indignação".

- 'Mediação' da Europa -

Alguns catalães que não pensavam em votar mudaram de opinião diante da atuação da Polícia.

É o caso de Julia Mayayo, enfermeira de 26 anos, que voltou para Barcelona há uma semana após três anos trabalhando no Reino Unido.

"Não acredito em uma Catalunha independente fora da União Europeia" e "vinda da Inglaterra, e do Brexit, para mim é como voltar a cometer o mesmo erro", explica.

Mas no domingo viu suas duas irmãs, de 16 e 18 anos, aterrorizadas diante da possibilidade de que a Polícia invadisse as zonas eleitorais, onde estavam como voluntárias. E acabou indo votar, reconhece.

Sua amiga Cristina Doñate, professora de 26 anos, é separatista. Mas não acha que o ocorrido irá opor catalães ao resto dos espanhóis, mas ao Executivo de Mariano Rajoy.

"Realmente houve muitas ações de protesto em toda a Espanha (...), muita gente nos apoia", mas o governo espanhol "com esse tipo de atitude mostra que não nos respeita, não tem nem a intenção de fazê-lo", diz.

No entanto, a emoção não pode levar a uma secessão sem diálogo, concordam.

"Devem separar o rechaço às imagens de uma atuação policial (...) do que é uma proposta de independência que marca muitas gerações", adverte Jordi Alberich, figura relevante entre os empresários catalães. "Acredito que o diálogo seja mais importante do nunca", acrescenta.

"O bom senso tem que se impor", diz Capell. "Seria muito difícil a Europa reconhecer uma declaração de independência votada por dois milhões de pessoas" e "os empresários nos colocam em uma situação difícil de solucionar", acrescenta.

E propõe: "tem que haver uma mediação, a União Europeia seria uma opção".

"Puigdemont tem que estar mais pronto do que os outros, e agora tem a Europa que o escuta, tem provas de que o povo catalão está envolvido, acredito que tenha que jogar bem as cartas", considera Mayayo.

"Tem que falar, eles querendo ou não", concorda Crespo. "Mas todos iremos perder. Eles e nós", destaca.

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AFP