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Um trabalhador etiqueta um ar condicionado em fábrica, em Xangai, no dia 13 de março de 2003

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O uso de ar condicionado pode aumentar drasticamente até o final do século em todo o mundo, exigindo muito mais energia elétrica e o envio de poluentes para a atmosfera a níveis sem precedentes - alertaram os pesquisadores nesta segunda-feira.

Refrigeradores e condicionadores de ar liberam gases hidrofluorcarbonos (HFC), que podem ser milhares de vezes mais potentes do que o dióxido de carbono em prender gases de efeito estufa na atmosfera, apontados como responsáveis pelo aquecimento global.

Apenas um sutil aumento na renda leva muitas pessoas a comprar aparelhos de ar condicionado para melhorar sua qualidade de vida nos países tropicais e subtropicais de clima quente, onde vivem cerca de três bilhões de pessoas, segundo o estudo publicado na revista Proceedings, da Academia Norte-americana de Ciências.

Usando dados de 25 milhões de clientes de eletricidade no México para criar um modelo do que pode estar por vir para o resto do mundo, os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley mostraram que um aumento anual de dois por cento da renda familiar, combinado às previsões de escalada nas temperaturas devido às mudanças climáticas, poderiam levar a um uso quase universal de ar condicionado.

"Com base em pressupostos modestos sobre o crescimento da renda, nosso modelo implica que a fração lares com ar condicionado vai aumentar dos 13% que temos hoje para mais de 70% até o final do século", disse o estudo.

"Estas são grandes mudanças, que implicam em um aumento de três bilhões de dólares ou mais nas despesas de energia elétrica anuais e um aumento anual de 23 milhões de toneladas em emissões de dióxido de carbono", explicou o estudo, liderado por Lucas Davis da Haas School of Business da UC Berkeley.

"Nossos resultados apontam para os enormes impactos globais do [uso de] ar condicionado. Nós encontramos grandes aumentos no consumo de energia elétrica em dias quentes, com praticamente nenhum impacto de compensação de aquecimento reduzido em dias frios", acrescentou.

Quase 90% dos lares nos Estados Unidos têm ar condicionado.

Em comparação, a Índia tem quatro vezes a população dos Estados Unidos, mas também mais de três vezes o número de dias quentes, tornando a demanda total do país por ar refrigerado 12 vezes maior do que nos Estados Unidos.

"O ar condicionado ainda é relativamente incomum na Índia e em outros países de baixa renda, mas isso está prestes a mudar drasticamente com o aumento da renda em todo o mundo", pontuou o estudo.

As nações com o maior potencial para aumentos no uso de ar condicionado são Bangladesh, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Tailândia, Estados Unidos e Vietnã.

Os pesquisadores observaram que as vendas de aparelhos de ar condicionado em todo o mundo já "explodiram" nos últimos anos, com a China comprando até 64 milhões de unidades em 2013, mais de oito vezes do que foram vendidos nos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu uma redução nos HFCs como parte de seu Plano de Ação Climática, e o departamento de Energia norte-americano anunciou na semana passada 8 milhões de dólares em subsídios para o desenvolvimento novas tecnologias mais amigas do meio ambiente em termos de ar condicionado.

AFP