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Vacina Soberana 2 entra na última fase de testes em Cuba

Mulher caminha de máscara pelas ruas de Havana em 14 de setembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. março 2021 - 20:57
(AFP)

A vacina contra a covid-19 Soberana 2, desenvolvida em Cuba, entrou nesta quinta-feira na fase 3 dos testes clínicos, a última antes da aprovação, anunciaram autoridades locais, festejando por se tratar da primeira vacina latina a chegar tão longe.

"É incrível que um país pequeno como Cuba, uma ilha pobre em recursos materiais, mas muito rica em recursos humanos, tenha avançado até esse ponto", declarou em entrevista coletiva o médico Vicente Vérez, diretor do Instituto Finlay de Vacinas.

"Nossa Soberana, primeira vacina latino-americana em fase III!", escreveu no Twitter o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.

O recrutamento dos 44 mil voluntários com idade entre 19 e 80 anos já começou, e o processo deve ter início na próxima semana, indicou o instituto. A última fase terá "uma duração aproximada de três meses, após aplicada a última dose", informou o vice-diretor Yury Valdés.

O vice-diretor especificou que o grupo de voluntários foi dividido em três para o estudo. Alguns receberão duas doses de Soberana 2 com 28 dias de intervalo, outros receberão duas doses mais uma adicional para aumentar a imunidade e o terceiro um placebo.

- "Uso emergencial" -

Mas, antes mesmo de terminar essa fase, “os resultados parciais desses testes podem ser usados para avançar em outras categorias, como a autorização do uso emergencial” da vacina, como já aconteceu com outras no mundo, acrescentou Valdés.

Se a Soberana 2 obtiver a autorização final, se tornará a primeira vacina contra a covid-19 concebida e produzida na América Latina.

Cuba, cuja meta é vacinar toda a sua população até o fim do ano, é um dos países da região menos afetados pela doença, com 53.308 infectados e 336 mortos em uma população de 11,2 milhões de habitantes.

“Estamos nos preparando para produzir entre um milhão e 2 milhões de doses por mês” em cada um dos dois centros de produção, “e isso deve nos permitir vacinar o país em aproximadamente seis meses”, explicou Eduardo Ojito, diretor-geral do Centro de Engenharia Molecular.

Ojito afirmou que “o país está precisando de 30 milhões de doses”, se finalmente decidir aplicar três injeções em cada cidadão, e que está “tentando montar um sistema que fabrique de 5 a 10 milhões de doses por mês”.

Sob embargo dos Estados Unidos desde 1962, Cuba começou a desenvolver suas próprias vacinas na década de 1980, descobrindo em particular o primeiro antígeno contra o meningococo do tipo B.

Atualmente, 80% das vacinas incluídas em seu programa de imunização são fabricadas na Ilha.

Baseados nessa experiência, cientistas do país desenvolvem quatro candidatas a vacina contra o novo coronavírus: Soberana 1 (atualmente na fase 2), Soberana 2, Abdala (aguarda autorização para avançar à fase 3) e Mambisa (fase 1).

As três primeiras são administradas por injeção, enquanto a quarta por spray nasal. Ao contrário de outros imunizantes lançados no mercado, nenhuma das quatro precisa ser armazenada em condições de frio extremo.

Especialistas da ilha também trabalham em uma quinta candidata, Soberana +, baseada em uma reformulação da Soberana 1 e destinada a convalescentes da doença.

Todas as vacinas cubanas são proteínas recombinantes, a mesma técnica usada pela empresa americana de biotecnologia Novavax.

O coronavírus possui protuberâncias (proteínas virais) em sua superfície para entrar em contato com as células e infectá-las. Essas proteínas podem ser replicadas e então apresentadas ao sistema imunológico para fazê-lo reagir e criar uma defesa ao invasor.

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