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Veículos de comunicação da Venezuela denunciam apreensões, fechamentos e ataques cibernéticos

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, em Caracas, em 28 de setembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. janeiro 2021 - 01:20
(AFP)

Um canal de notícias digital denunciou nesta sexta-feira o confisco na Venezuela de seus equipamentos de transmissão, computadores e câmeras, enquanto outros veículos locais reportaram fechamentos e ataques cibernéticos.

Funcionários da estatal Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) e a agência tributária Seniat realizaram uma "operação conjunta" nos escritórios em Caracas do VPITV - canal da internet com sede em Miami dedicado a notícias sobre a Venezuela e a América Latina -, que incluiu interrogatórios de funcionários e a apreensão de equipamentos, segundo um comunicado da plataforma. "Representa um evidente episódio de censura, que impede a continuidade de nossas operações", assinala o texto, segundo o qual a operação foi realizada sem ordem judicial "por escrito".

Segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP), os funcionários pediram "informações sobre provedores, mecanismos de publicação, operação e livros de contabilidade". Nem a Conatel, nem a Seniat informaram sobre a situação.

Mais cedo, o jornal regional "Panorama", localizado no estado de Zulia, tuitou que a Seniat havia fechado por cinco dias sua sede principal, alegando "descumprimento de deveres formais". Seu site está fora do ar. Já o site Tal Cual informou que esteve "sob ataque digital", ante problemas que se prolongaram por horas.

Os episódios coincidem com denúncias da imprensa governista sobre o financiamento pelo Reino Unido de sites independentes de notícias, o SNTP e ONGs críticas do governo de Nicolás Maduro, o que associações sindicais classificaram como uma "campanha de desprestígio".

"Denunciamos a interferência grosseira do governo do Reino Unido nos processos internos da Venezuela. Enquanto sequestram o ouro venezuelano, financiam a mídia e organizações opositoras. Elevaremos esta denúncia às Nações Unidas", tuitou hoje o chanceler Jorge Arreaza, citando as reportagens e se referindo a cerca de 1 bilhão de dólares em ouro da Venezuela bloqueado no Banco da Inglaterra.

"A liberdade de expressão e a imprensa livre são necessárias para a democracia. Protegê-las em todo o mundo é uma prioridade", respondeu a embaixada do Reino Unido na Venezuela. "Londres seguirá apoiando a sociedade civil venezuelana."

O SNTP acusa Maduro de "uma política sistemática de asfixia" contra a imprensa crítica. A ONG defensora da liberdade de expressão Espaço Público denuncia que mais de uma centena de veículos de comunicação fecharam as portas desde a chegada do presidente socialista ao poder, em 2013.

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