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Leopoldo López é levado por agentes da Guarda Nacional depois de entregar-se durante um protesto em 18 de fevereiro de 2014 em Caracas

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A oposição venezuelana sofreu um duro golpe com a condenação de Leopoldo López, e agora enfrenta o desafio de superar as divisões para capitalizar a condenação com vistas às eleições legislativas de dezembro, disseram analistas à AFP.

Líder da ala radical e da oposição e uma de suas figuras mais importantes, López foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão na última quinta-feira pelos protestos contra o governo de Nicolás Maduro que deixaram 43 mortos entre fevereiro e maio de 2014.

"Esta decisão se produz no contexto de uma estratégia que o governo vem seguindo desde 2014 para limitar a influência e a liderança da oposição", declarou o cientista político John Magdaleno.

Nesta manobra está a prisão do perfeito de Caracas, Antonio Ledezma - também pelas manifestações de 2014 - e a inabilitação de María Corina Machado e uma dezena de candidatos às eleições parlamentares de 6 de dezembro, completou Magdaleno.

Os protestos convocados por López, que buscavam exercer pressão para conseguir a renúncia de Maduro, puseram em evidência profundas diferenças entre ele e outros setores da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), especialmente o que representa o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles.

Capriles, que perdeu a eleição presidencial diante do socialista Maduro por uma margem pequena em abril de 2013, se distanciou dos protestos advogando pelas saídas eleitorais, e tampouco apoiou uma greve de fome realizada por López em meados deste ano.

E com a condenação de López, o chavismo buscaria aprofundar as divisões na oposição e encorajar a abstenção, afirmou Héctor Briceño, do Centro de Estudos de Desenvolvimento da Universidade Central da Venezuela.

"A sentença pretende afetar o consenso na aliança opositora", que apresentará uma lista única nas eleições, completou Briceño, afirmando que o oficialismo forjaria a ideia de que o partido centro-direita Vontade Popular, de López, reclamaria por exemplo mais espaço na MUD diante do sacrifício de seu fundador.

Paralelamente, tenta-se "desmotivar o eleitor da oposição" com a tese de que "não há independência de poderes, e assim, para que votar?", apontou o analista, referindo-se ao argumento que compartilha a maioria das críticas internacionais à condenação.

Consolidar a unidade

Para evitar estes risco, a oposição encara o desafio de consolidar a unidade, um fator que, unido ao descontentamento popular pela crise econômica, poderia favorecê-la nas urnas.

"A maioria dos partidos da MUD vai lhe dar (à condenação) um enfoque de unidade, uma razão a mais para ir votar", considera Francine Jácome, diretora do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos.

"Temo que em um clima de crescente mal estar a sentença acabe irritando os setores opositores que não tinham a intenção de votar e mobilizar-los nas eleições", afirmou Magdaleno, referindo-se a uma pesquisa do instituto Datanálisis que dá 20 pontos de vantagem à oposição sobre o chavismo às vésperas das eleições.

Se essas projeções se concretizarem, será a primeira vez que a situação perderá a maioria legislativa em 16 anos de governo, no momento em que a oposição planeja um referendo revocatório contra Maduro, o qual poderia ser convocado quando cumprir a metade do mandato.

"A úncia forma que a oposição pode converter isto em uma vitória é que os setores radicais convoquem a votação", defende Briceño.

Quando alguns esperavam um chamado para ir às ruas condenar a sentença, López convocou em uma carta seus partidários para a luta pacífica em uma carta, pedindo que votassem massivamente.

Certo de uma nova vitória nas legislativas, Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez, enfrenta o descontentamento diante de uma população afetada pela escassez de dois terços dos produtos básicos, uma inflação que segundo especialistas alcançou três dígitos e a insegurança, que transformou a Venezuela no segundo país com a maior taxa de homicídios do mundo, segundo as Nações Unidas.

Isto em meio a queda dos preços do petróleo a menos da metade no último ano - em um país que obtém 96% das divisas da venda do cru e é dependente das importações - obriga a esperar piores tempestades na economia, segundo analistas.

AFP