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A petroleira estatal venezuelana PDVSA iniciou o pagamento de 841,88 milhões de dólares de um bônus da dívida com vencimento em 2020

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A Venezuela afastou momentaneamente o risco de uma moratória, ao iniciar, nesta sexta-feira (27), o pagamento de 841,88 milhões de dólares de um bônus da dívida de sua petroleira estatal PDVSA, apesar de ainda ter que pagar outros 2,9 bilhões de dólares neste ano.

Mantendo sua política de pagar a qualquer custo, a PDVSA anunciou que começou a realizar transferências às contas do banco J.P. Morgan para amortização parcial de seu bônus da dívida com vencimento em 2020.

O pagamento corresponde ao principal do cupom de 8,5%, cujo capital não tinha período de carência (30 dias), diferentemente dos juros, que chegam a 143,1 milhões de dólares.

A PDVSA destacou que o pagamento "demonstra mais uma vez sua sólida capacidade operacional e financeira", em alusão aos temores do mercado de um calote.

O pagamento "desmente as vozes pessimistas que apostam no descalabro econômico do país e atacam o povo venezuelano", disse a empresa, que na próxima quinta-feira deve quitar 1,169 bilhão de dólares de um bônus que vence neste dia.

A PDVSA destacou que sua "solvência plena" foi confirmada, apesar da "guerra econômica", das sanções do presidente americano, Donald Trump, e da "sabotagem, perseguição e bloqueio financeiro" ao qual o país teria sido submetido.

As medidas de Trump proíbem a negociações de novas dívidas venezuelanas e, segundo especialistas, já impactam nas formas de pagamento do governo de Nicolás Maduro.

Se não tivesse cumprido o pagamento, a PDVSA cairia automaticamente em default, complicando ainda mais sua problemática economia, que retraiu 36% nos últimos quatro anos e vive à beira da hiperinflação - projetada pelo FMI em 2.349,3% para 2018.

- Futuro incerto -

Contudo, o país com as maiores reservas petroleiras do mundo, deve pagar, entre a dívida soberana e a da PDVSA, 2,952 bilhões de dólares até o fim do ano, segundo o escritório Aristimuño Herrera & Asociados.

A liberação de fundos anunciada nesta sexta ratifica que "a disposição para pagar continua tão forte quanto sempre", destaca a consultoria Capital Economics, baseada em Londres, que considera as chances de a PDVSA realizar seu próximo pagamento, na próxima quinta-feira, "mais altas" agora.

Contudo, embora tenha cumprido seus compromissos, a Venezuela enfrenta um duro calendário de pagamentos em 2018, com 8 bilhões de dólares, sem perspectivas de uma recuperação mais significativa do preço do petróleo, fonte de 96% das suas divisas.

"Todo o perfil da dívida, sobretudo 2020, é muito complicado. Com os preços do petróleo nos níveis atuais (50,7 dólares por barril) é impossível a Venezuela poder seguir sem reestruturar sua dívida", garantiu à AFP Henkel García, da Econométrica.

As reservas do país estão em 10,088 bilhões de dólares, o nível mais baixo em duas décadas.

Mesmo se houvesse uma alta do petróleo, o benefício seria relativo, já que a produção venezuelana caiu 22,9% desde 2008, ao 1,9 milhão de barris diários de hoje, segundo a Opep.

- Mais escassez -

O economista César Aristimuño estima que o governo "continuará fazendo um esforço sobre-humano para conseguir de honrar seus compromissos, até que se esgote a fórmula" de financiamento, que inclui uma agressiva redução de importações.

Ele prevê a manutenção dos altos índices de escassez de alimentos e medicamentos, dos quais o Estado é o maior importador, pois Maduro congelou, em setembro, a entrega de divisas ao setor privado, dentro do controle ferrenho de câmbios.

As importações somaram 12,5 bilhões de dólares neste ano, frente a 70 bilhões em 2012, segundo a Ecoanalítica, que estima que o governo poderia reduzir essas compras a 3 bilhões de dólares em 2018.

"É um custo que o governo vai assumir enquanto tem essas responsabilidades pela frente", disse Aristimuño.

A Venezuela tem outros poderosos credores: China e Rússia, aos quais deve 25 bilhões e 8 bilhões de dólares, respectivamente.

Moscou já se mostrou aberta a discutir uma reestruturação da dívida, mas nenhum dos dois países deu sinais de querer oferecer novos financiamentos.

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AFP