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Tropas da Venezuela montam guarda na fronteira com a Colômbia em San Antonio, no estado de Táchira, em 20 de agosto de 2015

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A Venezuela deportou 1.012 colombianos ilegais durante as operações realizadas no âmbito do estado de exceção decretado pelo governo em um setor da fronteira binacional, que permanece fechada, informou no domingo uma fonte oficial.

"Até o momento 1.012 cidadãos foram transferidos ao consulado geral colombiano, sem nenhum tipo de atropelos ou violência", disse o governador do estado de Táchira (oeste), José Gregorio Vielma, ao canal governamental VTV.

"Nós os estamos entregando, como manda a lei, sem atropelos, sem humilhações ou torturas; contam com água potável, cadeiras e alimentos", acrescentou o funcionário, que negou que crianças estejam sendo separadas de seus pais.

O governo da Colômbia criticou nesta segunda-feira o "drama humanitário" provocado pela deportação de centenas de cidadãos da Venezuela nos últimos dias, com base no estado de exceção decretado por Caracas e que mantém fechada parte da fronteira binacional.

A medida de exceção, em vigor em cinco municípios de Táchira por 60 dias, foi anunciada na última sexta-feira pelo presidente Nicolás Maduro com o fechamento indefinido deste setor de passagem.

Desde a cidade de Cúcuta, cerca de 600 quilômetros a noroeste de Bogotá, os ministros do Interior, Juan Fernando Cristo, e das Relações Exteriores, María Ángela Holguín, seguiram pessoalmente a situação e foram até essa conflituosa zona do departamento de Norte de Santander para reunir-se com dezenas de deportados.

"É um drama social (...), é um drama humanitário que estamos atendendo aqui em Cúcuta", disse Cristo em coletiva na cidade, onde as autoridades buscavam responder aos casos de centenas de colombianos deportados, a maioria por supostas irregularidades migratórias e sem suas famílias nem seus bens.

Segundo um comunicado oficial, assinado pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em Cúcuta foi instalado um "Centro de Comando Unificado para velar pelos direitos dos colombianos que foram deportados, agilizar a reunificação familiar e manter a população informada".

Santos, que disse ter apostado pelo "caminho do diálogo e da diplomacia" diante desta crise, se referiu ao tema com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, segundo disse este último após reunir-se com o presidente em Bogotá.

Maduro tomou a decisão de deportar estes colombianos e fechar a fronteira após um ataque armado de desconhecidos que feriu três militares e um civil venezuelanos, que realizavam uma operação contra o contrabando na cidade de San Antonio del Táchira.

O presidente venezuelano, que nesta segunda-feira não descartou fechar a fronteira em mais pontos, sustenta que no lucrativo contrabando na zona fronteiriça estão mobilizados paramilitares que, aliados com a "direita" local, buscam desestabilizar seu governo.

"Quando forem cumpridas as condições mínimas, será aberta esta região (fronteira). Mas não vejo a curto prazo que se cumpram as condições mínimas", declarou o presidente em coletiva de imprensa no Palácio de Miraflores, na qual também admitiu casos de corrupção de agentes de segurança vinculados ao contrabando.

Até sábado, Vielma, encarregado de coordenar as medidas do estado de exceção, havia reportado 185 deportações e a captura de oito supostos paramilitares, um dos quais estaria envolvido no ataque.

Segundo Maduro, estas ações buscam extirpar grupos paramilitares provenientes da Colômbia, vinculados ao intenso contrabando fronteiriço e a um plano de desestabilização política.

O fechamento parcial do corredor binacional foi declarado inicialmente por 72 horas e deveria ter sido concluído no domingo.

O estado de exceção, que poderá ser prorrogado por outros 60 dias, proíbe o porte de armas e permite às autoridades realizar buscas e interceptar comunicações privadas sem ordem judicial.

A Colômbia e a Venezuela compartilham uma porosa fronteira de 2.219 km, onde as autoridades de ambos países denunciam a presença de grupos guerrilheiros, paramilitares, narcotraficantes e contrabandistas de combustíveis e de outros produtos fortemente subsidiados pelo governo venezuelano.

AFP