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(Arquivo) Venezuelanos cruzam a ponte Simón Bolívar de Cúcuta, na Colômbia, para Táchira, Venezuela, no dia 17 de julho de 2016

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Venezuela e Colômbia iniciaram, neste sábado, a reabertura progressiva de sua fronteira, fechada por Caracas há um ano, garantindo a passagem de pedestres em cinco pontos, por onde milhares de venezuelanos passaram para o território colombiano.

Às 06h00 da Venezuela (07h00 no horário de Brasília) as autoridades abriram o acesso nos estados venezuelanos de Táchira, Apure, Zulia e Amazonas.

Mais de 54.000 pessoas entraram na Colômbia neste sábado, das quais 81% retornaram a seus locais de origem, informaram as autoridades migratórias de Bogotá em um comunicado.

Visto que não foram registrados "contratempos", o governo colombiano ficou "satisfeito" com o primeiro dia da reabertura, disse o porta-voz da chancelaria, Victor Bautista, no fim do dia.

Repórteres da AFP constataram que na primeira hora a afluência de pedestres pela Ponte Simón Bolívar em Táchira foi baixa, mas com o passar da horas se formaram filas cada vez mais longas de venezuelanos que tentavam chegar à cidade colombiana de Cúcuta, no departamento Norte de Santander.

"Por aqui houve uma afluência normal de pessoas, de acordo com os procedimentos", declarou o general venezuelano José Morantes Torres, autoridade militar da zona, à rede de televisão governamental a partir da ponte Simón Bolívar.

Morantes disse que os dois governos concordaram em fazer com que "o movimento de pessoas seja da maneira mais rápida, com celeridade, mas também com controles".

As autoridades colombianas produziram um "cartão migratório" para regular a passagem pela fronteira. Ele é composto por uma planilha que recolhe os dados de identificação e os motivos da viagem dos pedestres e autoriza a entrada na área metropolitana de Cúcuta, San Antonio e Ureña, detalhou Bautista.

"É o primeiro instrumento que existe nesta passagem de fronteira. As pessoas que não tiverem o cartão migratório estão em situação de irregularidade e podem se expor a um expulsão ou deportação", advertiu.

Por sua parte, Cecilia Torrado, cônsul da Colômbia na cidade venezuelana de San Cristóbal, capital de Táchira, confirmou à AFP que o documento autoriza a permanência em Cúcuta por 30 dias.

Se os venezuelanos desejarem ir a outras regiões da Colômbia, devem carimbar o passaporte diante das autoridades migratórias.

Os presidentes Nicolás Maduro, da Venezuela, e Juan Manuel Santos, da Colômbia, acordaram na quinta-feira habilitar a passagem de pedestres na fronteira durante 15 horas diárias como parte de uma estratégia de abertura gradual da zona limítrofe, de 2.219 km.

Santos declarou que se trata de uma "primeira fase de abertura", sem informar quando será restabelecida a passagem de veículos, fundamental para a normalização da atividade comercial na fronteira.

Maduro ordenou o fechamento da fronteira em 19 de agosto de 2015, devido a um ataque armado contra uma patrulha militar venezuelana que deixou três feridos e que atribuiu a paramilitares colombianos.

Durante a reabertura, o líder opositor venezuelano Henrique Capriles criticou em sua conta no Twitter o bloqueio fronteiriço.

"De que serviu o fechamento de fronteira por Maduro? Nada! Só fazer mal às pessoas e buscar desculpas para seu fracasso! Para fora!", escreveu neste sábado.

Cruzar a fronteira para comprar

Em meio à severa escassez de produtos básicos que castiga os venezuelanos e que atinge 80% dos alimentos e dos medicamentos, muitos cruzaram a fronteira com a Colômbia para se abastecer.

"Compramos açúcar, óleo, arroz, lentilhas e um remédio", contou à AFP Luis Jiménez, produtor agrícola que cruzou a fronteira e voltou ao território venezuelano em menos de quatro horas.

"Estamos felizes de que o governo (venezuelano) tenha tomado esta decisão porque beneficia o povo", avaliou.

Já Carolina Quintero, comerciante de 42 anos, se dispunha a cruzar para comprar grão-de-bico, produto que ela vende na Venezuela.

"Por acaso a matéria-prima acabou hoje. Fica mais caro para mim comprá-la na Colômbia, mas aqui na Venezuela não tem", explicou.

Do lado colombiano, vários venezuelanos disseram à AFP terem cruzado sem preencher o cartão migratório, enquanto outros alertaram que algumas pessoas tentaram vender-lhes a planilha, que é entregue gratuitamente pelas autoridades.

A fronteira binacional está afetada há vários anos pelo contrabando - especial de gasolina venezuelana, a mais barata do mundo - e quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas, segundo as autoridades.

Por isso, Maduro e Santos acordaram também um intercâmbio alfandegária para enfrentar o contrabando de combustível, um dos motivos que Maduro aludiu para justificar o fechamento da fronteira.

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AFP