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Ministro venezuelano Jorge Arreaza conversa com diplomatas em Caracas, em 14 de novembro

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A Venezuela, declarada em default parcial sobre sua dívida, bem como sua petrolífera PDVSA, obteve nesta quarta-feira (15) um impulso financeiro da Rússia, um dos seus principais credores.

Atingida em cheio pela queda dos preços do petróleo e pelas sanções americanas, Caracas garante ser um "bom pagador", mas as más notícias se multiplicam para o país, onde a população já sofre um grave escassez de alimentos e remédios.

Neste contexto, uma delegação liderada pelo ministro das Finanças da Venezuela, Simon Zerpa, assinou nesta manhã em Moscou um acordo que reestrutura um crédito russo de quase três bilhões de dólares concedido em 2011 para comprar armamento russo, segundo informou uma fonte diplomática à AFP.

O acordo prevê um novo calendário de pagamentos em 10 anos com aportes "mínimos" durante os primeiros seis anos, indicou o ministério russo das Finanças.

"Aliviar a carga da dívida" permitirá "utilizar os fundos liberados para desenvolver a economia do país, melhorar a solvência e aumentar as possibilidades para que todos os credores recuperem os créditos já acordados", explica o ministério.

O vice-presidente venezuelano da Economia, Wilmar Castro, comemorou o acordo durante coletiva de imprensa em Moscou porque tem "termos muito favoráveis" que a Venezuela - disse - pode cumprir.

"Nos permitirá satisfazer um conjunto de necessidades do povo venezuelano e retomar o intercâmbio comercial", disse Castro em vídeo difundido em Caracas pelo governo.

- Gota no oceano -

Além dessa operação, Moscou "não recebeu nenhum pedido" de Caracas para uma assistência adicional, de acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Anton Tabakh, economista-chefe da agência de qualificação RAEX, explicou à AFP que a operação permite "a ambas as partes manter as aparências e ganhar tempo, já que agora a questão da dívida venezuelana não pode ser resolvida de nenhuma maneira".

O adiamento do pagamento dessa dívida está longe de responder à extensão das dificuldades financeiras de Caracas, que busca reestruturar uma dívida total estimada em cerca de 150 bilhões de dólares.

"É um pequeno alívio. Não muda as circunstâncias. Não ajuda nem a estabilizar a economia, nem a aumentar sua capacidade de pagamentos substancialmente", assegurou à AFP o economista venezuelano Orlando Ochoa.

A dívida com Moscou inclui US$ 6 bilhões, pagos antecipadamente pela petroleira de capital misto Rosneft à venezuelana PDVSA, dos quais US$ 2,5 bilhões foram saldados entre maio de 2016 e abril de 2017.

Oficialmente, é um adiantamento por contratos de entregas de petróleo e combustíveis previstos até 2019, mas especialistas acreditam que se trata de um apoio financeiro dissimulado a Caracas. A Rosneft assegurou na terça-feira que não via seu crédito em risco.

Maduro assegura que com a China, seu principal credor, as gestões para renegociar a dívida, estimada em 28 bilhões de dólares, "avançam perfeitamente".

- Insuficiente -

Uma após a outra, na segunda e terça-feira, as agências de classificação financeira S&P Global Ratings e Fitch decidiram colocar a Venezuela em default parcial, observando que seu governo não quitou, após o período de carência de 30 dias, vencimentos de sua dívida externa.

A PDVSA confirmou nesta quarta-feira que o pagamento de capital dos bônus de 2017 e 2020, por US$ 2 bilhões, foi realizado "com êxito", assim como os interesses de um cupom vencido na sexta-feira passada, por US$ 81 milhões.

Joydeep Mukherji, encarregado dos países latino-americanos e caribenhos da S&P, declarou nesta quarta-feira à AFP que isto é insuficiente para dissipar as dúvidas sobre a capacidade de pagamento do país.

"A situação não mudou apenas porque você juntou dinheiro para pagar bônus" em mora, afirmou.

A Associação Internacional de Produtos Derivados (ISDA), que reúne os detentores da dívida, retomará na quinta-feira a análise de se houve cessação de pagamentos.

A Venezuela não apresentou uma proposta concreta para renegociar a dívida em uma reunião celebrada na segunda-feira com os credores em Caracas. Mas, segundo o governo, vai "pagar em comum acordo com os detentores dos bônus".

Com reservas internacionais de 9,681 bilhões de dólares, a Venezuela deve quitar até o fim do ano cerca de 1,47 bilhão de dólares. E, para 2018, tem obrigações de mais de US$ 8 bilhões.

S&P e Fitch também estão preocupadas com as sanções do governo dos Estados Unidos, que proíbem que seus cidadãos e bancos aceitem qualquer acordo das autoridades venezuelanas, o que deve complicar e prolongar as discussões com os credores.

Segundo Caracas, 70% deles são norte-americanos (Estados Unidos e Canadá).

O país, que já foi o mais rico da América Latina, corre o risco de ser cortado dos mercados financeiros, assim como a PDVSA, e enfrentar ações judiciais e o bloqueio de ativos e subsidiárias no exterior.

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AFP