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A presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, participa de coletiva de imprensa, em Caracas, no dia 22 de junho de 2015

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O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano convocou nesta segunda-feira as eleições legislativas para 6 de dezembro próximo, um passo esperado há vários meses pela oposição ao governo socialista, que parte como favorita, segundo uma pesquisa recente.

"A data da eleição é 6 de dezembro", informou a presidente do CNE, Tibisay Lucena, em um breve comunicado enviado à imprensa, no qual também fixou a data da campanha eleitoral, entre 13 de novembro e 3 de dezembro.

Com o anúncio, Lucena põe fim às reclamações da oposição venezuelana e de políticos estrangeiros, que afirmavam que o atraso na publicação do cronograma eleitoral era parte de uma artimanha política governista e chegaram a insinuar, inclusive, que não seriam realizadas eleições para renovar a Assembleia Nacional.

"O CNE não trabalha sob pressão", sentenciou Lucena, que denunciou que vozes de oposição desenvolveram uma campanha de descrédito em relação à instituição que ela preside.

Segundo as leis venezuelanas, uma nova Assembleia Nacional (unicameral) deve se instalar nos primeiros dias de janeiro de 2016, o que obriga a realização da eleição neste ano. No entanto, não há um prazo legal mínimo estipulado para realizar a convocação.

Em nota divulgada nesta segunda, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) considerou que a realização das eleições permitirá à Venezuela resolver as diferenças internas de modo democrático.

"Esta boa notícia significa que o povo venezuelano tem aberto o caminho para resolver suas diferenças pela via democrática no marco do entendimento e da convivência nacional, levando-se em conta que a violência e a confrontação não são alternativas", frisou a Unasul.

No Twitter, o secretário-geral do organismo, Ernesto Samper, afirmou que "o anúncio da data eleitoral na Venezuela abre um espaço para que venezuelanos busquem a solução pacífica e democrática para suas diferenças".

Além disso, atendendo a um pedido do CNE, a entidade organizará, "de imediato", uma missão de acompanhamento eleitoral.

O secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ratificou a disposição do organismo regional de enviar uma missão de observação para as legislativas na Venezuela.

Almagro já havia enfatizado sua oferta para que a OEA enviasse uma missão eleitoral para a Venezuela na semana passada, durante a Assembleia Geral da ONU, quando também se mostrou disposto a promover o diálogo entre governo e oposição.

'Encontro com a história'

"Já temos data para a Batalha por uma Nova Vitória do Povo, 6 de dezembro tod@s no encontro com a História... Vamos Pátria, vencer", celebrou no Twitter o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, após o anúncio.

Maduro costuma se gabar da quantidade de processos eleitorais que ocorreram nos últimos anos na Venezuela, em sua grande maioria conquistados pelo chavismo.

"Por fim, as eleições têm data! Agora, mais do que nunca, #UniónYCambio. Cada venezuelano tem a força para conseguir!", escreveu Henrique Capriles, ex-candidato presidencial da oposição e atual governador do rico e populoso estado de Miranda, no norte do país.

Desde 24 de maio, o líder da ala radical da oposição Leopoldo López mantém uma greve de fome como mecanismo de pressão para, entre outros pontos, a fixação da data das eleições.

À greve de López, que está há 16 meses em uma prisão militar acusado de incitar a violência em protestos contra o governo entre fevereiro e maio de 2013, somaram-se recentemente vários ativistas, embora alguns deles afirmem que a data das eleições não é fundamental em sua lista de exigências.

Oposição favorita

A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) exigia há várias semanas o anúncio da data das eleições e, para isso, convocou várias manifestações ante o CNE.

Segundo uma pesquisa da empresa Datanálisis divulgada em abril, o governismo perderia pela primeira vez desde 1999 a maioria na Assembleia Nacional, alcançando apenas 25% dos votos, contra 45,8% da oposição.

AFP