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Opositores do governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, participam de protesto, em Caracas, no dia 30 de maio de 2015

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A Venezuela registrou em 2014 pelo menos 189 execuções extrajudiciais atribuídas a agentes de segurança, a maioria em operações contra a criminalidade, denunciou nesta terça-feira uma ONG de defesa dos direitos humanos.

Segundo a Organização não Governamental Provea, outras 31 pessoas morreram no ano passado vítimas de "torturas" ou do "uso excessivo da força" por agentes policiais e militares, cinco delas durante manifestações contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

Dos 189 assassinatos sumários, a maior parte ocorreu "durante operações realizadas por corpos de segurança do Estado, corpos policiais, militares, o que aqui chamamos de 'redadas', operações destinadas a prisões maciças", disse à AFP Inti Rodríguez, pesquisador da Provea, que monitora a situação dos direitos humanos na Venezuela desde 1988.

Esta cifra representou um aumento de 5% com relação aos casos documentados pela Provea em 2013.

"O maior aumento (dos homicídios extrajudiciais) foi no âmbito de operações realizadas pelo CICPC (Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas), durante os chamados 'madrugonazos', operações policiais destinadas a buscar supostos criminosos e executá-los", explicou o ativista.

Este organismo é o responsável por investigar as mortes violentas no país, destacou a Provea, indicando que três das vítimas eram menores de até 12 anos e 25 eram adolescentes, enquanto todos os casos estão na "impunidade".

Durante a apresentação de seu relatório anual, a ONG detalhou que outras 31 pessoas morreram nas mãos dos militares: "15 por uso indiscriminado da força, oito por uso excessivo da força, quatro por torturas, tratamento cruel, desumano ou degradante e quatro por negligência".

Deste total, cinco civis morreram durante as manifestações celebradas no país entre fevereiro e maio de 2014 contra o governo de Maduro, que deixaram um total de 43 mortos em diferentes circunstâncias, observou Rodríguez, baseando sua investigação em denúncias judiciais e de parentes das vítimas.

A Provea também reportou 2015 vítimas de violação do "direito à integridade", entre as quais 1.032 pessoas feridas durante protestos de índole diversa.

A Venezuela é considerada o segundo país mais violento do mundo, depois de Honduras, com uma taxa anual de 82 homicídios por 100.000 habitantes, segundo várias ONGs.

AFP