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Esquema sobre a fusão de duas estrelas de nêutrons.

(afp_tickers)

Agosto é sinônimo de férias no hemisfério norte, mas para os cientistas que testemunharam, este ano, a fusão de duas estrelas de nêutrons, o dia 17 desse mês foi digno de um palpitante filme de ação guardado em segredo até agora.

Às 12H41 GMT (09H41 em Brasília) daquele dia, os dois detectores de ondas gravitacionais Ligo, situados nos Estados Unidos, captaram um forte sinal, muito diferente dos registrados até então. Os cientistas sabiam que estavam diante de algo grande.

"Naquela manhã, todos os nossos sonhos foram realizados", lembra Alain Weinstein, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

"Em seguida, entramos em contato com o Virgo (detector situado na Itália) para perguntar se também tinham visto", contou à AFP David Shoemaker, porta-voz da colaboração LIGO.

Apesar de sua tecnologia de ponta, Virgo tinha sofrido um problema de transferência de dados. Após resolvê-lo, 40 minutos depois, confirmou ter captado estas ondas curtas.

"Eu estava sentado na cadeira do dentista quando recebi a mensagem de texto", disse Benoit Mours, astrofísico do Centro Nacional de Pesquisa da França e coordenador francês do Virgo. "Eu pulei e corri para o meu laboratório".

Patrick Sutton, diretor de física gravitacional da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, estava no ônibus "tentando ler em seu telefone centenas e centenas de e-mails que tinham acabado de chegar".

Graças aos programas de análise automática, os pesquisadores souberam quase imediatamente que se tratava de duas estrelas de nêutrons a ponto de se fundir.

Cinco horas depois da detecção das ondas, puderam afirmar em que lugar do universo os dois astros se encontravam, e apontar para lá as dezenas de telescópios terrestres e espaciais envolvidos.

No total, cerca de 90 grupos de astrônomos foram convidados a acompanhar este fenômeno.

Os cálculos iniciais reduziram a zona a um pedaço de céu no hemisfério sul abrangendo cinco ou seis galáxias, mas os astrônomos tiveram que esperar o anoitecer para continuar a busca.

Por volta das 22H00 GMT (19H00 em Brasília), os pesquisadores receberam uma boa notícia: o telescópio americano Swope, no Chile, tinha acabado de descobrir um ponto luminoso.

"Quando começou o crepúsculo, os telescópios puderam identificar a galáxia anfitriã e assistir a um longo espetáculo de fogos de artifício", disse Shoemaker.

"Eu nunca tinha visto nada como isso", lembra Sephen Smartt, do New Technology Telescope, no observatório de La Silla, também no Chile.

"As 12 horas que se seguiram (à detecção) foram sem dúvida as mais apaixonantes da minha vida científica", assegurou Bangalore Sathyaprakash, da escola de física e astronomia da Universidade de Cardiff.

E durante os meses seguintes, centenas de especialistas se dedicaram a preparar a dezena de estudos publicados nesta segunda-feira nas revistas científicas Nature e Science.

"Não é que quiséssemos guardar o segredo, é que queríamos ter certeza de que todos os resultados estavam corretos", explicou Sutton.

Apesar disso, ouve alguns vazamentos dentro da comunidade científica. Sutton admite que contou a descoberta para seu filho de 12 anos, após ele lhe prometer que não diria nada a seus amigos.

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AFP