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(Arquivos) Lucía Hiriart, em Santiago

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Lucía Hiriart, viúva do ditador chileno Augusto Pinochet, herdou uma pensão de 3,1 milhões de pesos (cerca de US$ 4.600) por mês após a morte de seu marido - revelou uma investigação do jornal La Tercera nesta sexta-feira (19).

O Fundo de Previdência da Defesa Nacional (Capredena) determinou que a viúva de Pinochet recebesse essa pensão a partir de 10 de dezembro de 2006, o mesmo dia em que o ditador chileno morreu de um ataque cardíaco, indicou La Tercera, com base em informações do Capredena.

"Ou seja, (Hiriart) herdou a pensão que o ex-comandante da instituição militar recebia desde sua aposentadoria", acrescentou o jornal.

A existência da pensão de Lucía Hiriart, de 94 anos, é revelada em meio ao escândalo das elevadas pensões recebidas pelos militares reformados e que estão presos por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura de Pinochet (1973-1990), em comparação com o restante da população.

Os ex-oficiais presos recebem, em média, uma aposentadoria de 1,6 milhão de pesos (cerca de US$ 2.400) por mês, relatou La Tercera. Eles contribuem com um sistema paralelo ao das Administradoras dos Fundos de Pensões (AFP), as quais foram criadas sob o sistema de ditadura de Pinochet e que pagam aposentadorias à população civil abaixo do salário mínimo (cerca de US$ 400).

Augusto Pinochet Hiriart, um dos filhos do ex-ditador, também receberia uma pensão do fundo militar, equivalente a 460.000 pesos (cerca de US$ 680).

A viúva de Pinochet é acusada de desvio de fundos públicos por ficar com milhões de dólares provenientes da venda de propriedades da Fundação Cema-Chile, criada por seu marido durante seu regime. A instituição foi dirigida por Hiriart.

Pinochet e sua família foram indiciados em 2004 por desvio de recursos públicos, depois que se descobriu uma centena de contas correntes em bancos estrangeiros, nas quais acumulavam cerca de US$ 20 milhões.

Por este caso, Pinochet perdeu seus benefícios de ex-presidente e chegou a ficar sob prisão domiciliar por algumas semanas antes de sua morte. Na ditadura de Pinochet, 3.200 pessoas foram mortas, e cerca de 28.000, torturadas.

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