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Liu Xia durante funeral de seu marido, o Nobel da Paz Liu Xiaobo, em 15 de julho

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Liu Xia, viúva do Prêmio Nobel da Paz chinês Liu Xiaobo, que faleceu em julho, "retornou para Pequim", mas continua sendo vigiada, indicou uma ONG, após mais de um mês "desaparecida".

Lu Siqing, fundador do Information Centre for Human Rights and Democracy, uma ONG com sede em Hong Kong, falou por telefone com Liu Xia, que está em sua residência em Pequim, segundo um comunicado da organização enviado à AFP neste domingo.

Durante a conversa, de cerca de meia hora e dominada pelas lágrimas, Liu, de 56 anos, explicou, "com uma voz muito fraca", que estava tomando antidepressivos muito fortes, segundo Lu Siqing.

Seu apartamento em Pequim continua a ser monitorado por policiais à paisana, de acordo com a ONG.

Em prisão domiciliar desde 2010 sem nunca ter sido indiciada, Liu Xia participou em 15 de julho do funeral de seu marido, falecido em razão de um câncer de fígado, de acordo com imagens transmitidas pelas autoridades comunistas.

Mas, nas semanas seguintes, parentes e amigos não conseguiram entrar em contato com a ativista.

Liu Xia "é mantida pelas autoridades chinesas em um local desconhecido e incomunicável", havia denunciado na época o advogado do casal, Jared Genser, em uma queixa apresentada à ONU.

Neste contexto, em uma mensagem de vídeo datada de 19 de agosto, Liu Xia reapareceu.

"Estou convalescendo no interior, fora de Pequim. Peço que me deem o tempo necessário para meu luto", declarou Liu no vídeo postado no YouTube.

"Voltarei a vê-los quando estiver recuperada. Quando Xiaobo estava doente, ele também via a vida e a morte com certa distância. Preciso me adaptar e quando melhorar minha situação, em todos os sentidos, estarei com vocês novamente".

O vídeo foi recebido com cautela. "É certo que ela foi forçada pelas autoridades a fazer aquele vídeo", julgou Hu Jia, dissidente chinês e amigo do casal.

Hu Jia, que foi contactado neste domingo pela AFP, confirmou o retorno de Liu à capital chinesa, dizendo que ela passou parte dessa "ausência forçada" em Yunnan (sudoeste da China).

"Na noite de sexta-feira, recebi informações confirmando que Liu Xia já havia retornado a Pequim (...) Pelo menos ela está em casa, seus amigos sabem para onde ir para visitá-la", afirmou Hu. Ele mesmo é monitorado de perto pelas autoridades e não pode entrar em contato com Liu diretamente.

Liu Xia ainda corre o risco de ser forçada a deixar Pequim antes do 19º Congresso do Partido Comunista da China (CCP), um grande evento político a ser realizado em meados de outubro, alertou Hu Jia.

Eminente intelectual e infatigável defensor dos direitos humanos, Liu Xiaobo morreu no dia 13 de julho aos 61 anos em um hospital chinês, algumas semanas depois de ser colocado em liberdade condicional por razões de saúde.

Foi condenado em 2009 a 11 anos de prisão por "subversão" por pedir reformas democráticas na China - uma luta recompensada em 2010 pelo Prêmio Nobel da Paz.

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AFP