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O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, durante discurso para soldados americanos e japoneses em Yokosuka, em 19 de abril de 2017

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O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, prometeu nesta quarta-feira (19) uma "resposta esmagadora em caso de ataque" da Coreia do Norte, perante um auditório de soldados americanos do porta-aviões "Ronald Reagan", estacionado no Japão.

Há "nuvens no horizonte", disse o número dois do Executivo americano, que classificou o governo da Coreia do Norte de "ameaça mais perigosa e urgente para a paz e para a segurança na Ásia-Pacífico".

Pence deu essas declarações no Japão, onde faz uma visita de dois dias depois de ter passado pela Coreia do Sul e, em particular, por sua fronteira com a Coreia do Norte, em plena tensão com os Estados Unidos pela probabilidade de que Pyongyang esteja preparando seu sexto teste nuclear.

Na terça-feira (18), o vice-ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Han Song-Ryon, disse à rede BBC que o ritmo de testes balísticos vai-se acelerar.

"Vamos realizar mais testes de mísseis semanalmente, mensalmente e anualmente", garantiu.

Nesta quarta, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, declarou que se deve fazer "todo" o possível para enfrentar a ameaça.

"Acreditamos que é absolutamente essencial ... que todo o mundo se envolva para garantir que tudo está sendo feito de forma que a ameaça representada pelo desenvolvimento de mísseis e de capacidades nucleares não se transforme em uma ameaça para a comunidade internacional", afirmou.

Diante da atitude da comunidade internacional, que considera esses testes uma provocação e uma violação das resoluções da ONU, Pence já advertiu há alguns dias que "todas as opções estão sobre a mesa".

"Derrotaremos qualquer ataque e reagiremos ao uso de qualquer arma convencional, ou nuclear, com uma resposta esmagadora", afirmou, citando a "determinação do presidente Trump e das Forças Armadas dos Estados Unidos".

O porta-aviões "Ronald Reagan", que se encontra na base naval americana de Yokosuka, faz parte da sétima frota de Washington e está pronto para uma mobilização programada no Pacífico ocidental.

Outro componente da sétima frota, o porta-aviões "USS Carl Vinson", atualmente diante da costa australiana, planeja chegar na próxima semana ao mar do Japão (mar do Leste, em sua denominação sul-coreana).

- Relações delicadas com Pequim -

Essa retórica de guerra preocupa Coreia do Sul e Japão, vizinhos de Pyongyang.

Na terça-feira (18), o presidente japonês, Shinzo Abe, pediu o favorecimento da via diplomática e pacífica, um diálogo que terá de passar forçosamente pela China, como reconheceu Trump, silenciando suas críticas à política econômica de Pequim.

"O que eu deveria fazer? Lançar uma guerra comercial contra a China, enquanto (o presidente chinês, Xi Jinping) trabalha em um problema claramente maior, na Coreia do Norte?", questionou o presidente, em entrevista transmitida na terça-feira pela rede americana Fox News.

Essas declarações representam uma mudança de atitude do presidente americano, que há alguns dias ainda garantia querer resolver sozinho a questão nuclear norte-coreana, caso Pequim não conseguisse controlar seu turbulento vizinho.

Hoje, a bordo do "Ronald Reagan", Pence tentou tranquilizar seus aliados na região sobre a vigência dos acordos de defesa mútua e sobre o compromisso dos Estados Unidos com Coreia do Sul e Japão em outros problemas regionais.

As alianças são "inquebrantáveis", afirmou, explicando, em referência velada à China, que o acordo de defesa com Tóquio inclui "todo o território administrado pelo Japão, incluindo as ilhas Senkaku".

Esse pequeno arquipélago é controlado pelo Japão, mas a China reivindica sua soberania.

Pence garantiu que os Estados Unidos também defenderão a liberdade de navegação no mar da China Meridional e prometeu enviar mais meios militares para a Ásia-Pacífico.

Atualmente, cerca de 47 mil soldados americanos se encontram no Japão, e outros 28 mil, na Coreia do Sul.

A turnê asiática de Mike Pence começou no último domingo (16), pela Coreia do Sul, um dia depois de uma espetacular parada militar em Pyongyang. Nesse evento, foram exibidos pelo menos 60 mísseis, entre eles aquele que pode ser um novo modelo, de alcance intercontinental.

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