Victor Hugo, com sua obra-prima "Notre-Dame de Paris", iniciou o movimento que salvou, no século XIX, a catedral parisiense, na época abandonada, explicou à AFP o historiador Adrien Goetz.

"O romance 'Notre-Dame de Paris', lançado em 1831, foi o responsável pela tomada de consciência do estado no qual a catedral se encontrava naquela época", explica este membro da Academia de Belas Artes, autor do prefácio do romance em sua edição Folio-Classique.

"A catedral de Notre-Dame havia atravessado a Revolução, o Império, ela estava em um estado muito crítico", explica.

Especialmente porque o edifício sofreu duramente os saque durante a Revolução de 1830 e os motins de Saint-Germain l'Auxerrois em 1831.

"Este romance foi escrito como um apelo para defender as construções da Idade Média e Notre-Dame de Paris", explica Goetz, apontando, mais amplamente, uma reapropriação da Idade Média após o Iluminismo.

"Há um retorno a um imaginário medieval no início do século XIX", explica o historiador.

A obra "foi tão bem sucedida, a partir de 1832, que virou moda e levou, gradualmente, à criação do serviço de monumentos históricos, do qual Prosper Mérimée se tornou o primeiro inspetor em 1834. É ele que confiou o projeto de restauração da catedral a Viollet-Le-Duc".

"Há longos capítulos que são como digressões, mas que para Victor Hugo são, sem dúvida, o essencial, onde ele defende os monumentos, ele defende uma Idade Média que foi abandonada e denuncia os saques cometidos pelos arquitetos do final do século XVIII e início do século XIX. Ele queria que o povo compreendesse a história do monumento e se comprometesse em salvá-lo ", acrescenta.

"Isso corresponde a fazer o leitor descobrir os românticos de uma Idade Média que pode fazer sonhar, depois dos anos alimentados apenas da antiguidade grega e romana", continua o historiador.

Após a publicação do romance, "começou-se a colecionar objetos da Idade Média, descobrir uma herança que foi muito prejudicada pelos anos da Revolução e do Império".

No capítulo intitulado "Notre-Dame", Victor Hugo escreve: "Sem dúvida, ainda hoje é um edifício majestoso e sublime a igreja de Notre-Dame de Paris".

"Mas", ele acrescenta, "apesar de bonita à medida que envelhece, é difícil não suspirar, não ficar indignado com as degradações, mutilações incontáveis, que o tempo e os homens inflingiram a este monumento venerável, sem respeito algum por Carlos Magno, que colocou a primeira pedra, por Filipe Augusto, que depositou a última".

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