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(Arquivo) Um bezerro clonado é visto em Edimburgo, no dia 24 de fevereiro de 1998

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Ela é a ovelha mais famosa do mundo. Em 5 de julho de 1996, Dolly, o primeiro mamífero resultante da clonagem de uma célula adulta, nascia na Escócia. Vinte anos depois, a clonagem para a pecuária é praticada em várias regiões do mundo.

A clonagem da Dolly, obra do Instituto Roslin de Edimburgo, foi saudada naquele momento como um avanço científico importante, e provocou uma polêmica sobre sua eventual aplicação ao ser humano.

Para Dolly, as coisas se complicaram após seu nascimento. A ovelha envelheceu prematuramente, sofreu artrite e desenvolveu uma doença pulmonar, antes de ser sacrificada em 2003. Seu corpo embalsamado pode ser visto no museu nacional da Escócia.

A clonagem é uma tecnologia pesada. No caso da Dolly, os pesquisadores transferiram o núcleo de uma célula de uma glândula mamária de uma ovelha adulta para um ovócito sem núcleo. Depois, implantaram o embrião resultante no útero de uma ovelha.

No mundo dos criadores, "a clonagem foi percebida como uma ferramenta de ajuda para a reprodução de animais", declarou à AFP Jean-Louis Peyraud, pesquisador do instituto francês de pesquisa agronômica (Inra).

Como se trata de uma técnica muito cara - mais de 10.000 euros por animal - o objetivo não é dispor de clones para comercializar sua carne, senão para melhorar a raça do rebanho.

Empresas privadas americanas tomaram a iniciativa de clonar animais de alto valor genético, como vacas que dão muito leite ou ovelhas e suínos de alto potencial.

Em 2008, a Food and Drug Administration (FDA), agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, autorizou a comercialização de produtos procedentes de animais clonados e da sua prole, afirmando que estes eram "tão seguros como os dos animais convencionais".

Apesar de ter um índice de sucesso relativamente baixo - entre 15% e 30%, segundo Peyraud -, a clonagem continuou avançando nos Estados Unidos. No seu site, a empresa texana ViaGen se orgulha de ter desenvolvido "milhares de animais clonados com boa saúde e ativos".

Brasil, Argentina, Canadá e Austrália também praticam a clonagem de animais de criação.

No final de 2015, a China causou alvoroço com o anúncio da construção de uma central de clonagem de distintos animais. A sociedade Boyalife promete produzir 100.000 embriões de vacas no primeiro ano e, a médio prazo, um milhão por ano.

Ovelhas com duas cabeças

Ante uma opinião pública majoritariamente hostil à clonagem, a União Europeia não permite a produção de clones para a criação de gado. Desde 1997, o bloco impõe uma autorização para a comercialização de produtos clonados, embora nenhuma solicitação tenha sido apresentada até hoje.

Um relatório de especialistas enviado em novembro à Comissão Europeia admite a "possibilidade" de que alimentos procedentes de animais clonados terminem no prato do consumidor europeu, seja diretamente, através da importação de carne e leite, ou indiretamente, com a importação de animais vivos ou de material genético utilizado para reprodução.

"Sem saber, os europeus provavelmente estão comendo carne de descendentes de clones que não podem ser rastreados", declarou à AFP Pauline Constant, porta-voz de uma federação de consumidores europeus.

"Não é aceitável", afirma Constant, cuja federação pede que os Estados da UE exerçam mais pressão sobre a Comissão Europeia para que se avance neste tema.

A agência europeia de segurança alimentar (EFSA) diz não ter preocupações sobre a saúde humana, mas ressalta "os problemas de saúde e de bem-estar dos animais" associados à clonagem.

"A mortalidade embrionária é elevada, pode haver complicações no parto, alguns animais nascem gordos demais ou com patologias graves", adverte Peyraud. Já houve casos, por exemplo, de ovelhas com duas cabeças ou três patas.

Em setembro passado, o Parlamento Europeu determinou, por ampla maioria, a proibição de animais de criação clonados na UE, seus descendentes e os produtos resultantes. Uma posição mais estrita que a proposta pela Comissão, que deseja contemplar as exigências dos Estados Unidos e de outros países.

Os consumidores europeus pedem que seja obrigatória a indicação no rótulo dos alimentos da procedência relacionada à clonagem.

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AFP