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Vinte e cinco militares colombianos responderão por centenas de assassinatos de civis

Este conteúdo foi publicado em 15. julho 2021 - 19:31
(AFP)

O tribunal que julga os piores crimes do conflito colombiano anunciou nesta quinta-feira (15) que 25 militares, 15 a mais do que os inicialmente acusados, terão que responder pelas execuções de 247 civis apresentados como mortos em combate entre 2002 e 2008.

A Jurisdição Especial para a Paz (JEP) investiga o escândalo dos "falsos positivos", o maior envolvendo o exército colombiano.

A primeira acusação foi revelada em 6 de julho e envolvia 10 militares que teriam matado 120 civis na área da fronteira com a Venezuela entre 2007 e 2008.

A JEP acusou nesta quinta-feira mais 15 militares pelo assassinato de 127 pessoas no norte do país, entre 2002 e 2005.

Este tribunal, que surgiu do acordo de paz assinado em 2016 com os ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas), os acusou de "crimes de guerra e contra a humanidade" e "delitos de homicídio" e "desaparecimento forçado", de acordo com um comunicado.

Para a JEP, “os 15 arguidos faziam parte de uma organização criminosa que se formou dentro da unidade militar e através da qual se desdobrou uma conduta generalizada e em grande escala para apresentar resultados operacionais fictícios”.

Entre os acusados estão os comandantes da época na costa caribenha, os tenentes-coronéis Publio Hernán Mejía (2002-2003) e Juan Carlos Figueroa (2004-2005).

Os acusados terão 30 dias para reconhecer ou não sua participação nos eventos. Aqueles que confessarem sua responsabilidade e repararem as vítimas podem receber uma pena alternativa à prisão.

As vítimas foram escolhidas por sua “condição de vulnerabilidade” e “marginalidade”. Os perpetradores “presumiram que a sociedade não reclamaria por sua morte”, e assim os enganavam “com promessas de supostos trabalhos legais ou ilegais, para capturá-los e assassiná-los”.

A JEP afirma que pelo menos 6.400 civis foram executados por militares na Colômbia e apresentados como mortos em combate entre 2002 e 2008.

Segundo o tribunal, "essas ações ocorreram no âmbito de uma aliança entre alguns membros do Exército e os paramilitares" de extrema direita, responsáveis por atrozes violações dos direitos humanos em sua guerra clandestina contra as guerrilhas de esquerda, e "o objetivo era obter resultados a todo custo" nessa luta.

Embora o alto comando militar sempre tenha negado que se tratava de uma ação sistemática, o presidente da JEP, Eduardo Cifuentes, denunciou uma política "reiterada" que "não corresponde simplesmente a maçãs podres".

Em janeiro, a JEP acusou oito altos dirigentes das anitgas Farc por crimes contra a humanidade ocorridos entre 1990 e 2016, quando sequestraram 21.396 pessoas.

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