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(1º set) Policiais montam guarda em frente a um campo de refugiados, em Sittwe, estado de Rakhine

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O acidente com um caminhão da Cruz Vermelha e os confrontos em Mianmar, que impediram a saída de um navio de ajuda humanitária, dificultaram um pouco mais, nas últimas horas, a assistência aos milhares de muçulmanos rohingyas que fogem da violência.

Na quarta-feira, uma multidão de 300 budistas de Sittwe, a capital de Rakhine, atacou um porto de onde zarparia uma embarcação da Cruz Vermelha carregada de ajuda humanitária para Maungdaw, uma cidade do norte desse estado.

Os budistas obrigaram a descarga do navio e impediram sua saída, noticiou nesta quinta o jornal oficial birmanês "Global New Light of Myanmar". A Polícia e alguns monges budistas tentaram acalmar a multidão, que ainda assim lançou pedras e coquetéis molotov, acrescentou o jornal.

Oito pessoas foram detidas, e vários policiais ficaram feridos. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) confirmou o incidente e disse que continuará tentando levar ajuda.

"Continuaremos. Nada foi suspenso", garantiu à AFP a porta-voz do CICR para a Ásia, Graziella Leite Piccoli.

Já o acidente envolvendo um caminhão alugado pela Cruz Vermelha em Bangladesh deixou nove mortos e dez feridos.

"Levava comida para os refugiados rohingyas na fronteira, incluindo os que estão em terra de ninguém", relatou o subcomissário do distrito fronteiriço de Bandarban, Yassir Arafat.

O estado birmanês de Rakhine está mergulhado na violência desde que grupos rebeldes rohingyas atacaram várias delegacias, em 25 de agosto, deflagrando a repressão do Exército.

A situação levou mais de 420 mil pessoas a fugirem para Bangladesh, e a ONU chegou a falar em uma "política de limpeza étnica".

Várias organizações alertaram que milhares de pessoas estão presas em Rakhine, sem acesso à ajuda humanitária, apesar das promessas do governo birmanês.

Esse quadro gerou uma onda de condenações internacionais contra a líder "de facto" do país, Aung San Suu Kyi. A Prêmio Nobel da Paz evita condenar a atuação do Exército birmanês.

O presidente francês, Emmanuel Macron, já se referiu ao assunto como "genocídio".

- 'Ajuda humanitária é prioridade' -

Milhares de refugiados rohingyas chegaram a Bangladesh desde agosto e tentam sobreviver em acampamentos improvisados perto da fronteira e da cidade bengali de Cox's Bazar. As associações humanitárias estão sobrecarregadas com o fluxo em massa.

O governo de Bangladesh está construindo um imenso novo campo de refugiados para acolher 400 mil pessoas, mas as Nações Unidas advertiram que levará tempo para equipá-lo com barracas, banheiros e outras instalações básicas.

Em meio às críticas da comunidade internacional, Mianmar afirma que a crise está arrefecendo.

"Estou satisfeito por lhes informar que a situação melhorou", disse quarta-feira na Assembleia Geral da ONU o segundo vice-presidente do país, Henry Van Thio.

Segundo ele, não há confrontos desde 5 de setembro. Além disso, o governo está disposto a permitir a entrada de ajuda humanitária.

"A ajuda humanitária é nossa principal prioridade. Estamos comprometidos com assegurar que a ajuda chegue a todos os que precisam dela", completou.

Antes da crise, havia mais de um milhão de rohingyas em Mianmar. Mais da metade fugiu desde agosto.

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AFP