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Vitória do democrata Ralph Northam na disputa pelo governo de Virgínia

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O presidente americano, Donald Trump, comemorou nesta quarta-feira (8) o primeiro aniversário de sua eleição, em meio à tripla derrota sofrida pelos republicanos nas eleições de alto perfil em dois estados e uma grande cidade.

Da Ásia, onde está em viagem desde o fim de semana, o presidente elogiou os "deploráveis" eleitores que o levaram à Casa Branca, um termo usado durante a campanha por sua adversária, a democrata Hillary Clinton, para descrever parte dos seguidores de Trump.

"Felicidades a todos os DEPLORÁVEIS e aos milhões de pessoas que nos deram uma vitória MACIÇA no Colégio Eleitoral (304-227)!", tuitou. O post foi acompanhado de uma foto em que aparece cercado de veteranos de sua campanha, sorridentes, com os polegares para cima e sentados no gabinete presidencial do Air Force One.

O presidente apenas comentou o terrível desempenho de seu partido nas urnas na terça-feira.

Os resultados foram interpretados como um repúdio ao que os críticos chamam de política divisora de Trump, assim como um teste à influência presidencial com vistas às próximas disputas eleitorais.

"Recuperamos o país das mãos de Donald Trump, eleição a eleição", declarou nesta quarta-feira (8) à imprensa o novo presidente do Partido Democrata, Tom Perez. "Os eleitores recompensaram os democratas por sua compaixão e sancionaram os republicanos por terem dividido o país".

"Isto é o que acontece quando o povo vota", tuitou Barack Obama, que saiu brevemente de seu retiro político para apoiar os candidatos em campanha.

A derrota mais contundente foi na Virgínia, estado vizinho à cidade de Washington, considerada um barômetro da política nacional neste país que celebrará legislativas em 2018 e se prepara para a campanha presidencial de 2020.

Na disputa pelo governo de Virgínia, o vice-governador democrata Ralph Northam varreu seu rival republicano Ed Gillespie por uma margem inesperada e ampla de nove puntos.

Em seu típico estilo combativo, Trump, buscou rapidamente distanciar-se de Gillespie, que não fez campanha ao lado do presidente na Virgínia.

"Ed Gillespie trabalhou duro, mas não se apoiou em mim ou no que eu defendo", escreveu Trump em um tuíte durante sua estada na Coreia do Sul.

Em Nova Jersey, o democrata Phil Murphy também obteve a vitória, ao ficar 13 pontos percentuais acima de seu adversário, pondo fim ao mandato de oito anos do governador republicano Chris Christie, ex-aliado de Trump.

E em Nova York, o prefeito progressista Bill de Blasio liderou a onda de repúdio a Trump e obteve a reeleição na cidade mais populosa dos Estados Unidos.

Murphy e Northam apresentaram suas vitórias como um repúdio à polarização que caracterizou a campanha de Trump em 2016 e boa parte de seu primeiro ano na Casa Branca.

"Esta noite, Nova Jersey enviou uma mensagem clara a toda a nação: somos melhores do que isto", declarou Murphy.

Os resultados marcam o retorno dos bons ventos eleitorais ao Partido Democrata, que tinha perdido eleições em diferentes estados este ano, despertando preocupações sobre como contrabalançar a influência de Trump.

Pelo Twitter, Hillary Clinton destacou os novos grupos progressistas formados há um ano com o objetivo de influenciar nas eleições e impulsionar candidatos jovens, principalmente os egressos de minorias.

Em um comunicado, o Comitê Nacional Democrata informou ter vencido não só em Virgínia e Nova Jersey, mas "em todo o país, de cima abaixo", ao manter ou resgatar das mãos republicanas prefeituras importantes e assentos nas Câmaras regionais em outros seis estados.

- "Banho de sangue" -

O presidente insistiu em que, com a economia americana bem encaminhada, "continuaremos ganhando".

"Foi um referendo" sobre Donald Trump, disse um congressista americano, Scott Taylor, à rede CNN. "Não vejo como se pode dizer o contrário, sendo honesto".

Analistas asseguram que os resultados sugerem que uma onda democrata pode estar no horizonte.

A vitória democrata na Virgínia foi "um banho de sangue" para os republicanos, disse à AFP el experto Michael McDonald, de la Universidade de Flórida.

"É uma reação contra Trump e o trumpismo", disse o cientista político Larry Sabato, da universidade da Virgínia.

Para aumentar as penas republicanas no estado, os democratas também venceram a corrida de vice-governador e procurador-geral.

O partido também levou vários assentos na Câmara dos Delegados, de cem membros, colocando os republicanos em risco de perder o controle do Legislativo regional.

"Haverá muitos republicanos preocupados" sobre como tais fatos poderiam se traduzir em derrotas nas legislativas de metade de mandato, em 2018, disse McDonald.

"Se podem perder o controle da Assembleia legislativa, certamente podem também perder o controle da Câmara de Representantes dos Estados Unidos", acrescentou.

Os ocupantes dos 435 assentos da Câmara baixa americana são eleitos a cada dois anos.

Os republicanos têm uma confortável maioria, mas se perderem esta vantagem, a agenda legislativa de Trump, inclusive seu esforço para reverter a lei de saúde em vigor, ficaria em risco.

"Certamente a porta está aberta para nós", disse nesta quarta-feira Nancy Pelosi, líder dos democratas da Câmara baixa.

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AFP