Washington vem exigindo há meses que Bagdá reduza sua dependência energética do vizinho Irã. Exasperado com a lentidão do processo, aumentou sua pressão e ameaça uma economia já frágil.

O Estados Unidos concedeu ao Iraque uma isenção para que o país, que está intimamente ligado economicamente ao Irã, não sofra as sanções impostas a Teerã.

Mas, em vez de renovar essa isenção por três ou quatro meses, como de costume, Washington o fez por 45 dias, "iniciando uma morte lenta" para a economia iraquiana, segundo o economista Ahmed Tabaqchali.

Essas isenções permitem que o Iraque continue a comprar energia. "Quanto mais curtas as isenções, mais perigoso", afirma o especialista.

Porque o contexto é tenso: o primeiro-ministro nomeado para substituir o ex-chefe de governo derrubado por uma revolta popular sem precedentes luta para formar seu gabinete, enquanto as tensões entre Washington e Teerã já degeneraram em violência em solo iraquiano.

Os dois inimigos têm cartas na manga: o Irã continua a fortalecer seu domínio político no Iraque, enquanto Washington mantém a economia do país sob controle.

Todo mês, o Federal Reserve, o Fed americano, fornece dólares ao Banco Central do Iraque. Envia entre um e dois bilhões de dólares, provenientes das receitas do petróleo iraquiano armazenadas nos Estados Unidos.

No entanto, em janeiro, esse pagamento foi adiado em mais de uma semana por "razões políticas", asseguraram à AFP duas autoridades iraquianas.

"Estamos no fio da navalha", diz um deles.

Pois, se Washington considera há meses a opção de acabar com o envio de dólares, a votação pelo Parlamento iraquiano da expulsão dos 5.200 soldados americanos do país pode acelerar as coisas.

Em fevereiro, o avião do Fed e seus dólares chegaram a tempo, mas para várias autoridades iraquianas, os seguintes podem ser menos carregados.

A economia iraquiana e sua moeda despencariam, pois as receitas do petróleo representam 90% das receitas do governo.

E se Washington decidir não renovar sua isenção, Bagdá terá apenas duas opções: enfrentar escassez maciça ou continuar a importar energia iraniana e enfrentar sanções colaterais.

Uma opção que parece cada vez mais realista quando cerca de vinte ataques com foguetes - o último na quinta-feira - visaram os americanos no Iraque, matando um.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, já reclamou com o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, assegurando-lhe "que ele poderia esquecer qualquer negociação sobre uma renovação da isenção se os ataques continuarem", segundo uma importante autoridade iraquiana.

Evidência da tensão, na sexta-feira em Munique, Pompeo - assim como os secretários americanos da Defesa e da Energia - se reuniram com o primeiro-ministro do Curdistão iraquiano Masrour Barzani, mas não com o ministro das Relações Exteriores das autoridades federais, Mohammed Ali al-Hakim.

Um ponto em particular preocupa Washington: Bagdá "não para de rejeitar contratos com as empresas americanas General Electric e a ExxonMobil", disse uma autoridade americana à AFP. Os iraquianos "preferem depender dos iranianos e deixar Teerã no controle de sua economia e infraestrutura".

De acordo com a ferramenta de rastreamento financeiro fDi Markets, os investimentos diretos dos Estados Unidos no Iraque entre 2003 e 2019 atingiram US$ 11,6 bilhões.

Em Washington, as opiniões estão divididas.

A Casa Branca quer aumentar a pressão, enquanto outros preferem permanecer flexíveis.

Mas os defensores da firmeza estão se tornando "dominantes", lamenta uma autoridade iraquiana, denunciando "negociadores brutais".

Washington "não deve encurralar o Iraque", disse à AFP o ministro da Eletricidade do Iraque, Louai al-Khatib. "Confio que não usarão essas isenções como uma arma que possa destruir nossos serviços públicos", afirmou.

O Iraque, onde os cortes de energia podem durar 20 horas por dia, assinou recentemente acordos com a Jordânia e países do Golfo para conexões transfronteiriças e possíveis compras de gás de operadoras no Curdistão iraquiano.

E o governo deu luz verde a seis contratos para usar o gás iraquiano na geração de eletricidade.

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