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O senador republicano Bob Corker fala com a imprensa em Washington

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A rara visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Congresso nesta terça-feira (24) para tentar criar laços em seu partido levou a uma forte reação contrária. O influente senador republicano Bob Corker lhe acusou de degradar a nação, e o conservador Jeff Flake disse que ele é "perigoso para a democracia".

O dia deveria ser marcado pela reunião da Trump com a bancada da maioria republicana no Senado: o presidente iria ao Capitólio pela primeira vez desde que assumiu o cargo em busca de apoio para aprovar antes do fim do ano sua reforma tributária, que inclui cortes para empresas e pessoas.

Contudo, desde cedo a atenção política se voltou para uma troca azeda com Corker, que respondeu a ataques de Trump no Twitter dizendo que o presidente não é "digno de confiança" e que "degrada" o país.

Mais tarde, como se a disputa verbal em tempo real na televisão e nas redes sociais não fosse suficiente, Flake anunciou, para surpresa de todos, que não iria tentar a reeleição nas legislativas de 2018, atribuindo sua decisão à política na era Trump.

- 'Não serei cúmplice' -

"Devemos deixar de fingir que a degradação da política e da conduta de alguns em nosso braço executivo sejam normais. Não são normais", disse Flake, de 54 anos.

"O comportamento imprudente, escandaloso e indigno se desculpa dizendo que é assim, quando na realidade simplesmente é imprudente, escandaloso e indigno. Quando esse comportamento emana do cume do nosso governo, é outra coisa. É perigoso para uma democracia", apontou.

O senador do Arizona, um conservador considerado pragmático em temas como o migratório e apegado ao liberalismo econômico, questionou seus colegas republicanos por permanecerem "em silêncio enquanto violam as normas e os valores que mantêm os Estados Unidos fortes".

"A política pode nos calar quando devemos falar, e o silêncio pode ser igual à cumplicidade", afirmou.

"Tenho filhos e netos para dar explicações. Portanto, senhor presidente, não serei cúmplice nem permanecerei calado (...) Estou anunciando hoje que meu trabalho no Senado será concluído ao final do meu mandato, no começo de janeiro de 2019", disse.

- 'Mesmas mentiras' -

Corker, o influente presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado e crítico aberto do presidente, apesar de tê-lo apoiado durante a campanha eleitoral, já anunciou que não tentaria a reeleição.

O senador do Tennessee, que acusou Trump no começo do mês de ser perigosamente impulsivo e chamou a Casa Branca de "creche para adultos", pareceu irritar o mandatário ainda mais nesta terça quando disse à ABC que gostaria que o presidente se mantivesse à margem do debate sobre a legislação fiscal.

"Bob Corker, que ajudou o presidente Obama a nos dar o mau acordo (nuclear) com o Irã e não poderia ser eleito nem para cuidador de cães no Tennessee, agora está lutando contra o corte de impostos", tuitou Trump.

"As mesmas mentiras de um presidente absolutamente mentiroso", replicou Corker. "Não sei por que se rebaixa a um nível tão baixo e degrada nosso país da forma que o faz, mas o faz", acrescentou.

Trump, que já tinha atacado Flake, chamando de "fraco" e "ineficaz", foi para cima de Corker, chamado de "peso pluma" e "incompetente".

- Apoio ao presidente -

Da Casa Branca, a porta-voz Sarah Huckabee Sanders disse que os eleitores de Arizona e Tennessee provavelmente não apoiariam Flake, ou Corker, no ano que vem se eles se candidatassem.

"Acho que não é provável que fossem reeleitos, e acho que isso demonstra que o apoio é mais para o presidente que para esses dois indivíduos", disse.

A explosão de Flake e Corker deixou à mostra as tensões agudas entre Trump e alguns republicanos no Capitólio, onde o presidente ainda não conquistou nenhuma importante vitória legislativa.

Outro icônico republicano no Senado, John McCain, um herói de guerra ex-candidato presidencial diagnosticado com câncer cerebral em julho, elogiou Flake nesta terça por sua "honra", "brilho" e "patriotismo".

Apesar de não ter citado o mandatário nominalmente, o ex-presidente George W. Bush disse na semana passada que "o fanatismo parece encorajado" na era Trump.

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AFP