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Os presidentes americano, Donald Trump, e russo, Vladimir Putin, em Hamburgo

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O governo dos Estados Unidos ordenou nesta terça-feira que a Rússia feche o seu consulado em San Francisco, além de outras duas instalações, em dois dias, ação que Moscou "lamentou", enquanto as relações entre as duas potências alcançam um novo patamar.

O Departamento de Estado americano declarou que a decisão foi tomada "no espírito da paridade", após, em julho, Moscou ordenar uma dramática redução da equipe diplomática americana na Rússia.

No começo da Presidência de Donald Trump, o líder republicano disse que esperava melhorar as relações com a Rússia de Vladimir Putin.

Mas depois que o Congresso americano aprovou novas sanções econômicas contra Moscou por sua suposta ingerência na eleição presidencial de 2016, Putin ordenou drásticos cortes na equipe americana como retaliação.

Juntamente com o consulado em San Francisco, as instalações que terão que ser fechadas são uma Chancelaria anexa em Washington, onde Moscou tem um enorme complexo da embaixada, e um anexo consular em Nova York.

"Os Estados Unidos implementaram esta mudança já que o governo da Federação Russa reduziu o tamanho de nossa missão na Rússia", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, em comunicado.

"Acreditamos que essa ação foi injustificável e prejudicial para as relações de nossos países", acrescentou, apontando que, com as ordens de fechamento, "os dois países permanecerão com três consulados cada".

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, expressou o seu "pesar" pela decisão, após o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, chamá-lo para anunciar a decisão. Os dois se encontrarão em setembro em Nova York.

"Moscou analisará detalhadamente as medidas anunciadas pelos americanos e, posteriormente, nossa reação será declarada", assinalou o Ministério de Lavrov.

O consulado chamou a ação de "um passo hostil" das autoridades americanas, e disse que atingiria os cidadãos russos "duramente".

Em 2016, o consulado emitiu mais de 16.000 vistos para cidadãos americanos.

Um oficial da administração americana disse, em anonimato, que a decisão não se traduziria na expulsão de diplomatas russos e os que trabalham nas instalações serão transferidos para outros postos nos Estados Unidos.

- Alerta americano -

Em julho, Putin disse que 755 funcionários diplomáticos, russos e americanos, teriam que parar de trabalhar nesta sexta-feira, 1º de setembro, embora o Departamento de Estado americano não tenha confirmado o número.

A cifra de funcionários diplomáticos americanos agorá será reduzida a 455, mesmo número que a Rússia tem nos Estados Unidos.

Não está claro quantos funcionários americanos que perderão o emprego terão que deixar o país, ou quantos cidadãos são russos. O site da RBK citou fontes que afirmam que, pelo menos, 600 são russos.

"Esperamos por tempo suficiente na esperança de que a situação talvez mudasse para melhor", disse Putin ao anunciar os cortes.

"Mas parece que, mesmo que a situação esteja mudando, não será agora".

Nesta quinta-feira, Washington expressou a sua esperança de que ambos os lados "possam evitar novas ações em retaliação e consigam avançar para alcançar o objetivo dos dois presidentes: melhorar a relação entre ambos os países".

Mas o Departamento de Estado alertou: "os Estados Unidos estão preparados para adotar ações conforme for necessário e justificável".

- "Bola do jogo" no tribunal de Washington -

O analista Boris Zilberman, da Fundação para Defesa da Democracia, em Washington, alertou que os Estados Unidos devem ser cuidadosos "para que isto não saia de seu controle".

Washington já havia anunciado que suspenderia a emissão de todos os vistos para não-imigrantes na Rússia entre 23 de agosto e 1º de setembro.

As operações de emissão de vistos nos consulados americanos permanecerão em suspenso indefinidamente.

O anúncio desta quinta-feira pelo Departamento de Estado ocorreu enquanto o novo embaixador russo em Washington, Anatoly Antonov, chegava à capital americana para assumir seu cargo, informaram as agências de notícias russas.

"Agora precisamos analisar calmamente [a situação]. Temos que agir cuidadosa e profissionalmente", disse Antonov à RIA-Novosti.

"Como Lenin dizia, impulsos histéricos não são úteis para nós".

O antecessor de Antonov, Sergei Kislyak, é uma das figuras centrais do escândalo da suposta ingerência russa na eleição presidencial a favor de Donald Trump contra a sua adversária democrata, Hillary Clinton.

"A Rússia e os Estados Unidos só desenvolverão uma cooperação efetiva se a pressão, a chantagem e as tentativas de forçar a vontade da outra parte forem removidas do diálogo", declarou Antonov no início desta semana.

"A 'bola do jogo' está no tribunal de Washington", afirmou ao jornal Kommersant antes da decisão desta quinta ser anunciada.

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AFP