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A presidente do WWF International, Yolanda Kakabadse, no IV Congresso Mundial sobre Áreas Marinhas Protegidas Impac4 em La Serena, Chile, no dia 4 de setembro de 2017

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A equação é simples: 60% da humanidade come peixe, por isso preservar os oceanos é a única forma de assegurar a dieta alimentar global, alerta a presidente do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Yolanda Kakabadse, em entrevista à AFP.

Na cidade chilena de La Serena (centro-norte), na costa do oceano Pacífico, Kakabadse, ex-ministra do Meio Ambiente do Equador, diz que a pesca ilegal, a superexploração, os efeitos das implacáveis mudanças climáticas e a falta de vontade política para priorizar a conservação formam um coquetel explosivo para os mares.

Com este panorama sombrio é inadiável que o IV Congresso Mundial sobre Áreas Marinhas Protegidas, Impac4, que acontece esta semana em La Serena, gere um roteiro claro que estabeleça planos de gestão viáveis para proteger ao menos 30% dos mares.

Pergunta: Qual é o objetivo do Impac4?

Resposta: Este exercício de reunir os especialistas em questões marinhas deveria ser feito com mais frequência, porque devemos acordar ações muito mais fortes. Nos propomos a conservar 10% da área marinha dos oceanos, como área protegida, mas 10% não é nada. É muito suave, devemos ser mais radicais em nossa ambição de proteger o oceano.

Cerca de 60% da humanidade come peixe. Se não cuidarmos deste recurso que são os oceanos e todas as suas espécies estamos ameaçando a segurança alimentar do ser humano.

P: Qual é a principal ameaça sobre as águas oceânicas e suas costas?

R: As mudanças climáticas são um dos fatores que mais estão influenciando. As águas dos oceanos estão aquecendo e estão destruindo (...) os recifes de coral. Neste momento, 50% dos recifes de coral estão afetados e se não fizermos alguma coisa logo, (...) na metade deste século terão desaparecido.

P: Em que grau a superexploração da pesca e a poluição influenciam na deterioração da fauna oceânica?

R: Há um excesso de pesca inquestionável em todas as partes do mundo. A poluição que derramamos nos oceanos de substâncias químicas de vertentes que vêm de áreas urbanas, de plásticos, cada um desse elementos que derramamos no mar como se fosse um grande depósito de lixo estão destruindo as espécies e a qualidade do oceano. Quando digo espécies, quero dizer as espécies que nos alimentam, os peixes estão sendo poluídos e quando chegam à mesa do consumidor já vêm afetados por poluição química.

P: Qual é a situação na América Latina?

R: Todos os nossos países sabem quais são as áreas que deveriam ser protegidas, o que faz falta é a decisão política de proteger mais áreas marinhas. Falo pela América Latina, onde sinto que poderíamos fazer muito mais.

P: Que ações garantem o sucesso de planos de preservação?

R: Não serve de nada que declaremos áreas marinhas se nossos rios continuam levando poluentes para o oceano. Não serve de nada protegê-las se não impusermos regulações ao setor pesqueiro. Não serve de nada declará-las sem as pessoas, as comunidades.

P: Que casos destacaria como exemplos de sucesso de conservação?

R: O Triângulo de Corais na Ásia no Pacífico Oriental, onde vários países que estão em volta deste triângulo concordaram que o mais importante para sua economia era o turismo e que não haveria nada de turismo se não se preservasse.

Outro exemplo é Galápagos (arquipélago do Equador). Foi um sucesso porque conseguimos recuperar o equilíbrio de algumas espécies, mas continua havendo ameaças.

P: Que acordos esperam alcançar em Impac4?

R: Esperamos chegar a um acordo para aumentar as áreas marinhas protegidas, mas com planos de gestão. Um segundo acordo é que temos que prestar muito mais atenção às comunidades que vivem das áreas protegidas ou nelas. E a única maneira de conseguir bons resultados é fazer acordos internacionais e penalizações fortes.

Já temos penalizações estabelecidas nos acordos, mas temos que aplicá-las.

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AFP