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O presidente chinês, Xi Jinping, em 4 de setembro de 2017, em Xiamen

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Xi Jinping, considerado o dirigente mais poderoso da China nos últimos 25 anos, como foram Mao Tsé-Tung e Deng Xiaoping, acumula quase todos os poderes em seu país, sem fazer concessões à sociedade civil.

Onipresente na mídia, ao ponto de ser comparado a Mao, fundador do regime, Xi, de 64 anos, vai obter um novo mandato de cinco anos no Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC) que começa na quarta-feira em Pequim.

Este homem de rosto redondo já acumula as principais funções à frente da segunda potência econômica mundial: secretário-geral do PCC, presidente da República Popular e da comissão militar central.

"Representa o que os chineses querem em termos de governo: um país bem gerido, uma China forte e respeitada", observa Jean-Pierre Cabestan, da Universidade Batista de Hong Kong.

O "sonho chinês de um grande renascimento" do país mais populoso do mundo - 1,38 bilhão de pessoas - após um século de humilhação infligida pelos ocidentais, está no cerne do programa do presidente Xi.

Sua onipresença midiática lembra o estilo soviético mais puro, acompanhado de um retorno da ideologia, da propaganda e repressão contra aqueles que ameaçam a estabilidade, começando com as redes sociais, monitoradas de perto.

- Anti-Gorbachev -

"Xi Jinping se apresenta como o anti-Gorbachev. É alguém que foi traumatizado pela queda da URSS, o que explica a repressão da sociedade civil e o retorno da ideologia após sua chegada ao poder", analisa o jornalista François Bougon, autor de um recente livro sobre o líder chinês.

"Se nos desviamos do marxismo, ou o abandonamos, nosso partido perderá sua alma e seu curso", advertiu Xi no mês passado, como se seu partido não tivesse feito grandes avanços na economia de mercado desde o final da década de 1970.

Xi Jinping nasceu em um ambiente confortável. Ele é filho de Xi Zhongxun, um dos fundadores da guerrilha comunista e pertencente à casta dos "Príncipes Vermelhos", descendentes dos revolucionários que chegaram ao poder em 1949, antes de serem purgados por Mao.

Xi tenta apagar essas origens e cultiva uma imagem de líder próximo do povo. A imprensa oficial insiste em sua vida no campo durante a "revolução cultural" (1966-76), quando morou em uma caverna.

Ao final dos distúrbios da era maoista, Xi Jinping se formou como engenheiro químico na prestigiada Universidade de Tsinghua em Pequim, embora tenha feito carreira dentro do partido, para o qual entrou com apenas 21 anos.

O presidente chinês já conhecia os Estados Unidos: esteve em Iowa em 1985 para estudar agricultura. Ele se divorciou e em 1987 se casou com a cantora Peng Liyuan, então muito mais famosa do que ele. O casal teve uma filha.

Xi Jinping foi governador de Fujian em 2000 e líder do partido em Zhejiang em 2002, duas províncias costeiras que são vitrine da China reformista.

O presidente Hu Jintao recorreu a ele em 2007 para colocar ordem em Xangai, onde o então chefe do partido havia caído em desgraça após um escândalo de corrupção.

Neste mesmo ano, Xi Jinping ingressou no comitê permanente do gabinete político, politburo do PCC, cujo comando assumiu em novembro de 2012.

Xi fez da luta contra a corrupção o principal objetivo do seu mandato: em cinco anos mais de um milhão de autoridades foram punidas. Há quem suspeite que a campanha tente acobertar um expurgo da oposição interna.

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AFP