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A presidente da Federal Reserve (Fed) Janet Yellen afirmou que bater a meta de crescimento econômico de 3% estimada pela administração de Donald Trump vai ser "um grande desafio"

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A presidente do Federal Reserve (Fed) Janet Yellen afirmou que bater a meta de crescimento econômico de 3% estimada pela administração de Donald Trump vai ser "um grande desafio", nesta quinta-feira (13).

Trump tinha prometido, durante a campanha presidencial no ano passado, elevar a taxa de crescimento a 4%, mas funcionários do governo já reduziram a meta a 3%, admitindo que ela vai levar tempo para ser alcançada.

Contudo, afirmando ser "muito decepcionante", Yellen alertou que o potencial de crescimento da economia americana está avaliado em 2% atualmente.

Questionada se seria possível atingir os 3% nos próximos cinco anos, Yellen respondeu: "Acho que seria um grande desafio".

Ela disse que uma taxa de crescimento tão alta precisaria de uma aceleração da expansão da produtividade a 2%, no lugar do 0,5% atual, um grande salto, levando em conta que altas de apenas alguns décimos já são significativas.

Uma taxa de crescimento de 3% "seria ótima, se for possível alcançá-la. Eu adoraria ver isso", disse Yellen ao Comitê Bancário do Senado no segundo dia do seu pronunciamento semestral sobre a política econômica ao Congresso americano.

Esse pode ser o seu último como presidente do Fed, se Trump não decidir indicá-la para um segundo mandato de quatro anos quando o seu expirar, em 3 de fevereiro de 2018.

Yellen destacou os fatores que seguram o crescimento da produtividade, como a dificuldade das empresas para encontrar trabalhadores qualificados, reforçando a importância de focar no treinamento e na educação da mão de obra.

- Crise de opiáceos -

Apesar da aridez das discussões sobre política monetária, Yellen alertou pela primeira vez para o impacto da crise de opiáceos na economia americana, retirando do mercado de trabalho homens e mulheres no auge da produtividade, por vezes permanentemente.

"Muitos indivíduos com menos educação estão tendo dificuldades de serem alocados em vagas de renda média", disse Yellen, um problema que "se intensificou durante a recessão".

"Infelizmente, isso provavelmente é ligado à crise de opiáceos", explicou. "Nós nunca vimos uma alta tão grande dos índices de mortes por suicídio e uso de drogas", algo que não é visto em outras economias, completou.

Mais de 33 mil pessoas morreram em 2015 nos Estados Unidos por overdose de opiáceos, dentre elas, 20 mil usando medicamentos controlados, de acordo com os últimos dados do Centro para Controle de Doenças.

"Esse assunto é muito sério", destacou.

Embora não tenha feito recomendações específicas, Yellen concordou que "distorções" fiscais também seguram o crescimento da produtividade.

"Uma reforma tributária apropriadamente elaborada poderia ter efeitos favoráveis à produtividade. Obviamente, isso depende dos detalhes", disse ela.

Treinamento profissional, ampliação do investimento público e privado, pesquisas e desenvolvimento também poderiam estimular a eficiência e o "potencial de crescimento" da economia, disse Yellen.

- Inflação -

Com a taxa de desemprego perto de seu índice mais baixo na história, a 4,4%, Yellen disse que espera que os salários comecem a crescer, o que poderia, por sua vez, aumentar os preços.

Mas a inflação segue abaixo da meta de 2% do Fed, a 1,4%, o que tem impressionado os economistas.

Yellen disse que ainda é muito cedo para afirmar que a inflação está lenta, especialmente porque a taxa foi influenciada pela baixa dos preços de celulares e medicamentos prescritos, que foi temporária.

Mas apesar de o Fed esperar subir gradualmente as taxas de juros, ela disse que essa postura pode mudar diante de novas informações.

A baixa inflação normalmente impediria o Fed de aumentar os juros, mas o banco central americano elevou a taxa duas vezes nesse ano e pretende repetir a ação pelo menos mais uma vez.

AFP