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(Arquivo) A governadora de Tóquio, Yuriko Koike

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A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, que acaba de sacudir a cena política japonesa criando um partido, esconde atrás de um perspicaz uso da comunicação uma autoridade de ferro, com o objetivo de abrir caminho em um mundo predominantemente masculino.

Quando o primeiro-ministro Shinzo Abe pensava que enfrentaria uma oposição enfraquecida e convocou eleições legislativas antecipadas, Yuriko Koike criou, contra todas as expectativas, o Partido da Esperança, que ela mesma dirige.

A mulher de 65 anos gosta de se comparar com o jovem presidente francês, Emmanuel Macron, que também criou um movimento político.

"O presidente Macron e eu buscamos novas perspectivas e recebemos o apoio de muitas pessoas", afirmou no início de agosto, logo após conquistar a maioria na assembleia de Tóquio com uma coalizão liderada por sua nova formação Tomin First (os cidadãos da capital primeiro).

Primeira mulher no comando da enorme metrópole e cidade olímpica em 2020, primeira mulher ministra da Defesa do Japão em 2007, Koike também pode se tornar um dia a primeira mulher a se tornar primeira-ministra do arquipélago. Embora esta possibilidade por agora seja excluída ao não se apresentar no domingo para obter um assento parlamentar.

No vídeo de apresentação de sua nova formação, Koike aparece vestida de turquesa no meio de ternos escuros, caminhando em direção à luz no final de um túnel. Vários homens vestidos de preto, símbolos do "establishment", protestam em sua passagem. Outros acabam seguindo-a.

- Khaddafi e Arafat -

As imagens bem produzidas condizem como esta ex-apresentadora de televisão se apresenta. Como ministra do Meio Ambiente, de 2003 a 2006, ela organizou um desfile de moda e subiu na passarela para promover a campanha contra a mudança climática "Cool Biz", na qual pediu às autoridades convidadas que retirassem a gravata e o terno ao invés de aumentar o ar condicionado.

Quando chegou à prefeitura de Tóquio um pouco mais de um ano atrás, sentou-se em uma cadeira de rodas para discutir os problemas dos deficientes nas ruas da cidade e prometeu que usaria os Jogos Paraolímpicos para adaptar suas ruas.

Koike também reconsiderou o custo previsto para a organização dos Jogos Olímpicos em 2020. As cidades candidatas não podem "gastar indefinidamente consideráveis ​​montantes para os Jogos", afirmou em uma entrevista à AFP em fevereiro.

Graduada da Universidade do Cairo, esta mulher poliglota e aberta ao mundo, um caso atípico na política japonesa, fala perfeitamente árabe e inglês. Em 1978, entrevistou o ditador líbio Muammar Khaddafi e o líder palestino Yasser Arafat para uma rede de televisão japonesa.

- Estratégia enigmática -

Jogando contra, ela não terá tempo para construir uma sólida oposição a Abe, estimam os analistas, enquanto alguns críticos esperam uma mensagem política mais clara.

"Primeira-ministra? De jeito nenhum!", assegurou à AFP em fevereiro no colossal edifício do governo em Tóquio. "Eu me concentro nas reformas do governo metropolitano", afirmou naquele momento.

Sem filhos, diz que tem uma "vida normal" e que ele passa seu tempo livre passeando com sua cachorrinha Yorkie, um yorkshire terrier.

Ao renunciar a ser candidata nas legislativas, deixou os eleitores de seu partido sem um possível primeiro-ministro, em um país onde o chefe de governo deve surgir do Parlamento. Por essa decisão, sua popularidade pagou um preço alto.

Seus opositores a criticam por uma falta de política clara, mesmo que defenda posições muito diferentes das do primeiro-ministro, como o abandono da energia nuclear e uma interrupção de um projeto de aumento do IVA.

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AFP