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América do Sul recebe grande retrospectiva de Giacometti



Exposição com as obras de Alberto Giacometti organizada na Suíça.

Exposição com as obras de Alberto Giacometti organizada na Suíça.

Demorou, mas agora está confirmado. Pela primeira vez, o público brasileiro poderá travar contato direto com a obra de Alberto Giacometti (1901-1966), aquele que talvez seja o artista plástico suíço mais importante do século XX.

Orçada em R$ 4 milhões, inteiramente captados junto a empresas brasileiras através de mecanismos de renúncia fiscal, e já considerada pelos críticos de arte no Brasil como a mais importante mostra artística do país em 2012, a retrospectiva de Giacometti começará em 24 de março na Pinacoteca de São Paulo. No dia 17 de julho, a mostra será exibida no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), partindo em seguida para a Argentina e Colômbia.

A representatividade da mostra compensará a longa espera dos amantes da obra de Giacometti na América do Sul. Já começaram a chegar a São Paulo (em datas não reveladas por questões de segurança) parte dos 281 itens que irão compor a retrospectiva do mestre suíço. Ao todo, a mostra reunirá 48 desenhos, 37 gravuras, 37 pinturas e 13 objetos/instalações, além de dezenas de documentos e fotografias.

Todo o material vem da França, onde fica localizada a sede da Fundação Alberto e Annette Giacometti. Em entrevista exclusiva à swissinfo.ch, a diretora da fundação e curadora da mostra que será apresentada na América do Sul, Véronique Wiesinger, não esconde seu entusiasmo com a oportunidade: “É muito importante para a fundação mostrar a obra de Giacometti a novos públicos. Uma de nossas missões essenciais, segundo a vontade da viúva do artista, Annette Giacometti, é a promoção e a difusão da obra de Giacometti”.

O objetivo é brindar o público sul-americano com o melhor da obra do artista suíço: “Nunca houve no Brasil ou na Argentina retrospectivas da obra de Alberto Giacometti que, no entanto, é um dos mestres da arte do Século XX e uma referência para numerosos artistas contemporâneos. A exposição mostrará esculturas, pinturas, desenhos, estampas e objetos de arte decorativos, cobrindo todo o campo de criação de Giacometti”, diz Véronique.

A diretora da Fundação Alberto e Annette Giacometti diz o que espera de cada país: “No Brasil, onde a cultura afro-brasileira ocupa um espaço muito grande, a exposição será ocasião de lembrar que a obra da maturidade de Giacometti começa em 1926, quando ele se abre à arte africana. Na Argentina, onde os objetos de arte decorativos criados por Giacometti foram difundidos muito cedo, este tema jamais foi abordado por uma exposição em um museu”, diz.

A mostra de Giacometti na América do Sul compreenderá também a única obra do artista suíço atualmente abrigada em um museu brasileiro: a escultura “Quatre Femmes sur Socle”, que faz parte da exposição permanente do MAM no Rio de Janeiro. Também farão parte da mostra sul-americana algumas esculturas da célebre série em bronze “L’Homme qui Marche”, a mais conhecida de Giacometti pelo grande público.

Faz parte desta série a escultura “L’Homme qui marche I”, avaliada atualmente como a mais cara do mundo e arrematada em 2010 pela colecionadora brasileira Lily Safra _ viúva do banqueiro libanês Edmond Safra _ por US$ 103,4 milhões durante um leilão em Londres. Esta obra, no entanto, não fará parte da exposição de Giacometti que circulará pela América do Sul em 2012.

Livro de Referência 

A passagem da retrospectiva de Giacometti pela América do Sul trará uma novidade ao público do continente. No lugar do tradicional catálogo da mostra, será vendido um “livro de referência” sobre a obra do artista suíço. Escrito pela historiadora de arte italiana Cecilia Braschi e intitulado apenas “Alberto Giacometti”, o livro traz, em mais de 300 páginas, ilustrações da maioria das cinco mil peças que compõem o acervo da Fundação Alberto e Annette Giacometti.

A empresa responsável pela mostra de Giacometti no Brasil é a produtora Base 7, de São Paulo, que também já trouxe ao país exposições de Marc Chagall e Auguste Rodin: “Trazer a obra de Giacometti ao Brasil é a realização de mais um sonho. Vamos trazer para perto do público brasileiro aquilo que as pessoas costumam viajar para ver”, diz Arnaldo Spindel, diretor da produtora.

Brasil preparado 

Em entrevista ao jornal brasileiro O Globo, Spindel revela que a Base 7 foi procurada pela Fundação Alberto e Annette Giacometti após recomendação do Museu Rodin, satisfeito com a experiência de parceria realizada no Brasil para a mostra de Auguste Rodin. O produtor afirma acreditar que a retrospectiva sul-americana de Giacometti ajuda a consolidar no continente um eixo de instituições e empresas capazes de captar recursos e organizar grandes exposições artísticas.

“Até pouco tempo atrás, as instituições brasileiras não eram consideradas habilitadas para pôr de pé mostras como a de Giacometti, mas houve uma profissionalização da museologia no país nos últimos anos. Nossas instituições melhoraram em termos de equipe, segurança, condições climáticas e de armazenamento das obras”, avalia Spindel.

Interesse

Se depender do histórico interesse do público brasileiro pelos grandes mestres das artes plásticas mundiais, o sucesso da retrospectiva de Alberto Giacometti, que começa em março por São Paulo, já está garantido.

Para se ter uma idéia, pela mesma Pinacoteca onde será realizada a mostra do mestre suíço, passaram em 2001 mais de 200 mil visitantes para apreciar a exposição “Auguste Rodin: A Porta do Inferno”.

Outro exemplo pelo crescente interesse por artes plásticas no Brasil foi a 29ª Bienal de São Paulo, que em 2011 atraiu 535 mil visitantes.

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Alberto Giacometti

Foi um artista suíço que se distingiu pelas suas esculturas e pinturas expressionistas.

Filho do pintor Giovanni Giacometti (impressionista). Estudou em Genebra, Roma e a partir de 1922 em França

Escultor suíço, Alberto Giacometti nasceu em 1901, em Borgonovo (Suíça), e morreu em 1965, em Chur (Suíça).

Inicia a sua formação em Genebra, deslocando-se em 1923 para Paris, onde estuda com Antoine Bourdelle. Nessa época conheceu alguns dos principais pintores dadaístas, cubistas e surrealistas que influenciaram o seu início de carreira.

   

Nos trabalhos realizados depois da Segunda Guerra Mundial, onde a figura humana protagoniza as suas pesquisas plásticas, Giacometti recupera a capacidade expressiva da imagem e do objecto, acompanhando a tendência neo-figurativa que, nestes anos, marca o percurso criativo de vários artistas plásticos.

Esta representação do corpo humano marca o período mais original de Giacometti. (Texto: Wikipédia em português

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