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Aposentados ajudam países pobres

Elsbeth Fopp-Bögli, especialista em hotelaria, posa com funcionárias no Nepal (foto: E. Fopp)

Há 25 anos a fundação suíça Swisscontact envia aposentados para trabalhar em projetos de desenvolvimento e modernização de empresas em países pobres.

Elsbeth Fopp-Bögli, formada em hotelaria, já levou sua experiência ao Nepal e ao Chile. O ex-diplomata Christian Boesch trabalhou na Romênia.

A maior parte dos grupos suíços de apoio aos países em desenvolvimento é conhecida pelas suas atividades caritativas ou coletas de dinheiro. Porém “Swisscontact”, a fundação de cooperação técnica, escolheu um outro caminho.

Desde 1959 a organização atua na cessão de crédito, serviços financeiros e consultoria para pequenas e médias empresas. Ela atua principalmente no Terceiro Mundo e em países pobres da Europa do leste. Seu principal objetivo é o desenvolvimento duradouro.

“Há 25 anos nós decidimos utilizar o trabalho voluntário de especialistas aposentados no apoio ao desenvolvimento de pequenas e médias empresas”, explica Ueli Stilli, porta-voz da Swisscontact.

Financiamento variado

O dinheiro que movimenta os projetos da fundação suíça vem, em grande parte, dos cofres federais: 25 milhões de francos suíços. Além da soma, mais três milhões são acrescentados através de doações dos cantões, prefeituras, empresas, pessoas privadas e outras fundações.

“Atualmente administramos cerca de 90 projetos”, ressalta Ueli Stilli. Um deles é o “Swiss Expert Corps” (Grupo de Especialistas Suíços ou SEC, na sigla em inglês), cujos membros atuam em trabalhos de consultoria no exterior.

O grupo festeja nesse ano seus 25 anos de existência e dobrou seu efetivo nos últimos anos. Atualmente 470 especialistas fazem parte do SEC. A idade média dos seus integrantes é de 65 anos, sendo que apenas 9% são mulheres.

Em 2002, a SEC custou 600 mil francos à fundação. O valor é considerado reduzido ao ser confrontado com os mais de 150 projetos que ocorrem atualmente em diversos países. A maior parte deles apóia a pequena empresa.

Na Transilvânia

Christian Boesch, um suíço de 67 anos, é um dos exemplos do SEC. Essa experiência o levou até a Transilvânia, a região de montanhas na Romênia, conhecida também por ser a região de nascimento do Conde Drácula.

O ex-diplomata, ex-diretor da Câmara de Comércio de Zurique e ex-membro da Câmara Estadual do Cantão de Zurique foi aconselhar pequenas e médias empresas da Transilvânia, no processo de adaptação ao capitalismo.

Depois da era Ceausescu, o ex-ditador comunista, a região viveu um renascer industrial com o aparecimento de diversas mini-empresas no setor têxtil, de produção de papéis, de impressão e até produção de pães. Todas elas lutam para receber crédito.

Romenos que vivem no exterior estão seguramente prontos para investir. Porém as novas empresas devem, antes de tudo, assegurar a qualidade dos seus produtos antes de receber o dinheiro.

“Os romenos integraram plenamente os princípios do mercado”, revela Christian Boesch. Porém o aposentado explica que antes foi necessário convencer os novos empresários de que eles poderiam alcançar seus objetivos e que seu país está em condições de concorrer com outros.

Os resultados não tardaram. A cidade de Odorheiu já dispõe de uma câmara de comércio com 130 membros e quatro funcionários. Essa estrutura até se transformou numa força política nessa cidade da Transilvânia.

Christian Boesch acaba de encerrar sua missão. A próxima irá conduzi-lo ao Vietnã, onde ele participará da organização de uma outra câmara de comércio.

É proibido mulher nos hospitais do Nepal

Graças a sua experiência profissional e no exterior, Elsbeth Fopp-Bögli é capaz de ensinar muita gente os segredos da hotelaria. Sua formação e anos de trabalho num país, onde muitos hotéis estão dentre os melhores do mundo, a suíça esteve trabalhando durante dez semanas no Nepal em 1997.

Em Katmandou existem hotéis internacionais que correspondem aos critérios ocidentais. “Porém minha tarefa era introduzir esses mesmos padrões nos hotéis locais”, se lembra Elsbeth, de 73 anos.

“Não havia mulheres trabalhando na limpeza, mas sim homens. No Nepal as mulheres não estavam autorizadas a fazer esse tipo de serviço”.

Elsbeth teve de lutar para convencer os homens a limparem os banheiros e chuveiros segundo critérios ocidentais. “A maior parte deles não sabiam nem o que isso significava, já que nem nas suas casas existia esse tipo de instalação”.

Vantagem dos cabelos brancos

A suíça teve também de resolver os problemas de relacionamento entre as gerências de hotel e o pessoal feminino. Mesmo os proprietários não dispõem, em muitos casos, da formação profissional necessária.

Detalhes: em grande parte os proprietários ou gerentes são indianos e não têm muita estima pelo pessoal nepalês.

“Para resolver o problema nós melhoramos a comunicação entre as hierarquias, introduzimos reuniões diárias e a elaboração de protocolos”. Conta Elsbeth.

Para defender os interesses dos funcionários nepalêses, sua condição de mulher estrangeira e idosa foi de grande utilidade. “No Nepal, uma pessoa de cabelos brancos é vista como uma autoridade”.

A suíça retornou ao Nepal dois anos depois de encerrada sua missão. Seu maior prazer foi descobrir que os padrões introduzidos haviam sido mantidos.

“Isso mostra que uma pessoa competente é aceita em qualquer lugar, mesmo não falando o idioma local”.

swissinfo, Alexander Künzle
traduzido por Alexander Thoele

Breves

- Em 2004 a Swisscontact comemorou 25 anos da existência.

- No programa, aposentados suíços participam de projetos de cooperação internacional para possibilitar o desenvolvimento de pequenas e médias empresas em países em desenvolvimento e na Europa do leste.

- Em 2002 foram contabilizadas mais de 150 participações: 60 delas na América Latina, 40 na Ásia e Europa do leste e o resto na África.

- O pool de especilistas conta atualmente com 470 suíços.

- A idade média dos especialistas é de 65 anos, sendo que 9% são mulheres.

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