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Bachelet pede que constituintes do Chile ouçam ‘os anseios da população’

A alta Comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Michelle Bachelet, discursa na Convenção Constituinte no Congresso do Chile, em Santiago, em 23 de dezembro de 2021 afp_tickers

A alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos e ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, participou nesta quinta-feira (23) de uma sessão da Convenção Constituinte de seu país, na qual pediu que os membros escutem “os anseios da população”.

“Seria um grave erro deixar de ouvir os anseios da população. Uma boa Constituição é aquela que ajuda o país a funcionar bem”, disse Bachelet, a primeira mulher a governar o Chile duas vezes, de 2006 a 2010 e entre 2014 e 2018.

Ele também destacou a importância do novo texto garantir a plurinacionalidade dos povos indígenas, que pela primeira vez estão representados neste órgão, com 17 cadeiras reservadas.

A alta comissária defendeu ainda que as mudanças não sejam realizadas de forma abrupta e que haja participação da população.

“Os cidadãos não querem apenas escolher um candidato, mas também tomar as decisões no dia a dia”, afirmou Bachelet.

No entanto, reconheceu que “não são discussões fáceis ou intuitivas e estão apenas começando a sair do círculo dos acadêmicos”, então “muita pedagogia precisará ser investida para adicionar os cidadãos à decisão” de mudar ou não o atual regime de governo para o semipresidencialismo ou o parlamentarismo.

Outro desafio, acrescentou, “é conseguir um equilíbrio para representar da melhor forma possível os anseios dos cidadãos e ao mesmo tempo ter governabilidade”.

Bachelet chegou ao Chile dias antes da votação de domingo, que deu a vitória ao jovem deputado de esquerda Gabriel Boric, a quem ela deu seu apoio público.

Outros ex-presidentes, como o socialista Ricardo Lagos (2000-2006), também visitaram a Convenção, que foi instalada em 4 de julho, para oferecer sua visão sobre o trabalho que está sendo realizado.

A elaboração de uma nova Constituição para substituir aquela herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) foi aprovada em plebiscito em outubro de 2020.

Essa consulta ocorreu após um acordo alcançado por todas as forças políticas – exceto o Partido Comunista – em resposta aos protestos sociais – alguns muito violentos – que ocorriam no país desde outubro de 2019.

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