Cinco startups suíças que conquistarão o mundo

Cutiss foi considerada a melhor startup suíça em 2020. Nos seus laboratórios criou um tecido que imita a pele humana, com a capacidade de se adaptar a cor da epiderme do paciente, protegê-lo da luz solar e conter sangue e vasos linfáticos. WyssZürich

A crise do novo coronavírus tornou mais difícil a vida das startups. Porém o setor está mais ativo do que nunca. O concurso "TOP 100 Swiss Startup Award 2020" premiou as jovens empresas mais inovadoras do ano. Uma delas chegou a criar uma pele artificial que se adapta ao receptor.  

Este conteúdo foi publicado em 14. setembro 2020 - 13:00

2010 - 2020: uma década que pode ser considerada dourada para os jovens empreendedores. Enquanto no início de 2000, as startups com forte potencial de crescimento ainda eram tinham um papel marginal na economia helvética, hoje têm uma dimensão completamente diferente. Seu número cresce rapidamente a cada ano. O valor agregado aumenta, assim como também o número de empregos gerados por essas empresas, que atuam principalmente nos campos de tecnologia da informação, biotecnologia, tecnologia médica, fintech, engenharia, drones e cleantech.

E cada vez mais jovens se aventuram por este caminho. E mesmo apesar dos riscos, pois metade das startups desaparece no espaço de cinco anos. Comparando-se com as condições de vinte anos atrás, hoje existem muitos programas públicos e privados para apoiá-las, dentre elas as "spin-offs", projetos empresariais iniciados a partir de uma pesquisa acadêmica, especialmente nas renomadas Escolas Politécnicas Federais em Lausanne e Zurique (EPFL e ETH).

Programas de apoio, incubadoras, centros de pesquisa, parques tecnológicos e concursos são os instrumentos para impulsionar o desenvolvimento das startups. Especialmente os concursos ajudam a aumentar a confiança dos investidores: o capital colocado à disposição das jovens empresas cresceu de forma espetacular na última década. A Suíça é hoje um dos países que mais investe no setor.

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A crise do novo coronavírus também não espantou os investidores. Segundo o último estudo do "Swiss Venture Capital", os investimentos diminuíram no primeiro semestre de 2020, em comparação com o ano recorde de 2019, mas aumentaram fortemente no segundo trimestre. Entretanto, as startups encontram-se em uma posição frágil. Só a partir do início do próximo ano é que será possível saber até que ponto o setor foi afetado pela atípica crise, que levou a economia suíça à recessão.

Se situação econômica permanece incerta, não há dúvida sobre o enorme espírito criativo das startups suíças. Foi o que demonstrou a premiação do TOP 100 Swiss Startup Award 2020, realizada na quarta-feira (09 de setembro) em Zurique pelo Venturlab, a agência de inovação do governo suíço. A competição, em sua décima edição, é regularmente uma excelente oportunidade para testar o dinamismo do setor e descobrir inovações que poderão marcar o futuro.

As cinco primeiras colocadas em 2020 (todas da região de Zurique) foram escolhidas por um júri com base no grau de inovação e potencial de crescimento:

Pele humana cultivada em laboratório

A startup Cutiss desenvolveu uma tecnologia capaz de recriar a pele a partir da epiderme e das células da derme do paciente, cultivadas em laboratório. Esse substituto de pele, que pode crescer até 70 vezes em relação às amostras recolhidas, é transplantado para as partes lesadas do paciente com resultados muito melhores do que os métodos utilizados até agora: os enxertos de pele são menos finos, mais elásticos e deixam poucas cicatrizes. O novo método de cuidados regenerativos abre grandes esperanças para milhões de pessoas, muitas das quais vítimas de queimaduras ou danos à pele causados por acidentes, doenças ou cirurgias.

Drones cartográficos

Equipado com sofisticadas câmeras, capazes de capturar imagens de alta resolução, o drone desenvolvido pela startup Wingtra já está sendo usado em cerca de setenta países para trabalhos de mapeamentos e levantamentos topográficos. O dispositivo híbrido, que decola como um helicóptero, mas voa como um avião, é capaz de cobrir longas distâncias com rapidez e pode ser aplicado em pesquisas científicas, na construção civil, na indústria espacial, indústria, mineração e exploração agrícola.

Sensores para cavalos

Já atuante na Alemanha e nos Estados Unidos, a recém-criada empresa Piavita desenvolveu um sistema de sensores que permite aos proprietários de cavalos, clínicas equestres e veterinários monitorar remotamente animais doentes - ou em convalescença - via aplicativo. Conectados aos cavalos, os sensores registram seus dados vitais, como temperatura ou respiração, e os enviam para a "nuvem", onde são analisados usando algoritmos específicos. O sistema oferece novas perspectivas para a medicina veterinária, até agora pouco afeita à digitalização.

Um policial informático

Em poucos anos, a startup Exeon Analytics conseguiu conquistar um bom pedaço do mercado de segurança cibernética. Seu software de análise de dados permite às empresas monitorar o tráfego de rede e prevenir ataques cibernéticos, geralmente escondido em meio a milhões de atividades dos usuários. Desenvolvido durante pesquisas na Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH), os algoritmos da jovem empresa já servem para proteger várias empresas suíças e europeias, incluindo o Banco dos Correios Suíços (Postfinance).

Cura para o fígado

A empresa de biotecnologia Versantis desenvolveu testes diagnósticos e novas terapias contra doenças hepáticas, em particular a insuficiência hepática aguda, relativamente rara, mas letal. Entre seus principais produtos: um fluido contendo microlipossomos que pode remover em poucas horas toxinas acumuladas por enfermidades hepáticas. A doença tem se tornado comum devido ao envelhecimento da população e o consumo excessivo de alimentos industrializados, álcool e drogas.

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