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Brasil participa de feira da maconha

Cachimbos de durepox feitos por artesãos brasileiros são vistos pela primeira vez no evento em Berna.

(swissinfo.ch)

De 19 a 21 de março, Berna abrigou a Cannatrade 2004, a quarta versão de uma feira internacional da maconha e dos produtos da “Cannabis Sativa”.

160 expositores vindos de 15 diferentes países exibiram seus produtos, incluindo também um fabricante brasileiro de cachimbos artesanais.

Rodrigo Passos é um homem de negócios. O brasiliense está sempre viajando e seus produtos são vendidos em lojas especializadas em Amsterdã, Caribe e Estados Unidos. A participação em feiras internacionais é uma obrigação para quem quer conquistar novos mercados.

“Brazilian pipes”, cachimbos feitos de massa plástica e trabalhados artesanalmente, eram os produtos expostos nas estantes do estande de Rodrigo na CannaTrade 2004, a Feira Internacional da Maconha em Berna, um evento que já está na sua quarta versão e que ocorreu de 19 a 21 de março na capital suíça.

“Tenho certeza que encontrarei em Berna compradores para meus produtos, que não são apenas obras de arte, mas também têm utilidade”, explica Passos.

O brasileiro já trabalha há mais de 15 anos com os cachimbos, que são fabricados pela “Tribo Arte”, um grupo de 25 artesãos que vive e trabalha em Sapopema, um bairro na zona leste de São Paulo. As pequenas esculturas são feitas de durepox, uma massa plástica que pode ser moldada antes de endurecer e depois pintada e decorada com pedras, ossos e outros objetos decorativos.

Um cachimbo pequeno é vendido por 15 dólares e os modelos grandes, que podem ter a forma de um dragão ou outro personagem mitológico, custam até 80 dólares.

7 mil quadrados de feira

A CannaTrade é um evento que não atrai apenas os usuários da planta “Cannabis Sativa”, mas também empresários de um ramo que já movimenta milhões de dólares na Europa.

Se em 2003 a feira ocupava apenas três mil metros quadrados, na sua última versão os organizadores alugaram o maior pavilhão do centro de exposições de Berna, com sete mil metros quadrados.

Ao todo, 160 expositores participaram do evento. Vindos de quinze diferentes países, eles vendiam não apenas utensílios para o fumo, como também produtos alimentícios e têxteis feitos através da maconha e equipamentos utilizados nas plantações em larga escala, como estufas, lâmpadas especiais, adubos e separadores de sementes.

Além da exposição de produtos, palestras foram organizadas para discutir temas atuais como “Maconha: a matéria-prima do futuro” ou “Cannabis na medicina”.

Cem toneladas por ano

Na Suíça as autoridades estimam que o consumo anual da planta alucinógena seja de cem toneladas. No final dos anos noventa, o mercado era suprido pela produção interna. Em 2002, sessenta por cento da maconha e haxixe confiscados pela polícia vinham de países como o Marrocos ou a Holanda.

Por cada grama de maconha, o consumidor paga cinco dólares (“outdoor”, ou seja, plantada ao ar livre) e dez dólares (“indoor”, ou seja, com luz artificial).

Atualmente o Parlamento federal discute uma nova lei de narcóticos que possivelmente irá descriminalizar o uso da maconha. Os maiores problemas são vistos pelos especialistas na questão do consumo abusivo por parte dos jovens e na produção de espécies de maconha cada vez mais potentes, ou seja, contendo altas concentrações de THC, a substância ativa da droga.

swissinfo, Alexander Thoele


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