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Candidato Arauz promete que Equador renegociará com FMI e ajustará cooperação com EUA

O candidato esquerdista à presidência do Equador, Andrés Arauz, em 7 de abril de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. abril 2021 - 12:37
(AFP)

Ele tem 36 anos, mas nem sempre parece, ou soa, como um político de estilo descolado. A caminho da votação de domingo, que pode torná-lo presidente do Equador, Andrés Arauz promete um governo de esquerda "progressista", distanciando-se da "vingança" contra os "traidores" de seu mentor, o ex-presidente Rafael Correa.

Arauz, um economista que saltou da burocracia para ganhar votos nas mãos de Correa, é apontado como favorito no segundo turno contra o direitista Guillermo Lasso, de 65 anos, segundo as pesquisas.

Se repetir a vitória do primeiro turno, será o presidente mais jovem da América Latina e o mais jovem das últimas quatro décadas no Equador.

Arauz não se comporta, porém, como um millennial: não tira selfies, usa moderadamente as redes sociais e parece formal. Sua espontaneidade vem à tona antes de subir no palanque, embora, nele, seja um palestrante tradicional.

Dançar, ou fazer rap, na frente do público está fora de questão, apesar do fato de que, em um de seus comícios, um grupo de hip-hop tê-lo convidado para rimar com eles. Não quer parecer o menino de recados de Correa, mas se permite repetir o refrão de seu padrinho, a famosa frase de Che Guevara "hasta la victoria siempre", no final de seus discursos.

Em uma campanha atípica devido às restrições da pandemia, Arauz se contém no momento de responder perguntas à AFP.

Ele fala de suas intenções de renegociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) o plano de austeridade que segue um empréstimo de 6,5 bilhões de dólares, assim como de fazer "ajustes" na cooperação com os Estados Unidos. Também defende a dolarização e explica a influência de Correa, que, segundo seus críticos, buscará vingança por meio de seu pupilo contra seu ex-aliado Lenín Moreno.

Pergunta: Com que esquerda você se identifica?

Resposta: Somos da esquerda progressista aberta a outra relação fecunda e proveitosa para o país com a social-democracia, com a unidade plurinacional. Representamos esse bloco histórico que foi protagonista da Constituição Montecristi (promovida por Correa em 2008).

No nível regional e global, nos identificamos com o progressismo internacional, com Bernie Sanders nos Estados Unidos, nos identificamos com Pepe Mujica no Uruguai.

P: Qual será o papel do ex-presidente Correa em seu governo?

R: É uma referência latino-americana, não apenas equatoriana. Ele é o fundador deste projeto político. Teremos uma relação muito dinâmica, muito proveitosa para o país, com base em sua experiência nas transformações pelas quais o Equador já passou, mas quem governará o Equador serei eu.

P: O Equador recorreu ao FMI em busca de financiamento. Você vai manter esse acordo?

R: Queremos renegociar o acordo. Não vamos declarar uma moratória ao FMI.

Buscaremos que a redução dos gastos públicos não seja aplicada na velocidade tão grande a que se propõe esse acordo, queremos que a Constituição do Equador seja respeitada em relação ao Banco Central (que segundo Arauz pretende ser privatizado) e proporemos que os dólares sejam preservados no Equador para que haja mais atividade econômica.

P: E quanto à cooperação com os Estados Unidos na luta contra as drogas?

R: Haverá ajustes com base em nossas prioridades políticas. Não podemos esquecer que os Estados Unidos são o [principal] país consumidor de drogas da região e do planeta. Com base neste princípio, proporemos um ajuste nas condições de cooperação. Deve haver cooperação com os Estados Unidos, com o México, com os países centro-americanos, com nossos vizinhos.

P: Em 2020, o Equador apreendeu um recorde de 128 toneladas de drogas. O quanto o narcotráfico permeou o país?

R: Felizmente, desde o eixo da produção [o narcotráfico] não permeou significativamente o nosso país. Infelizmente, o Equador é um país de trânsito e começa a ter ramificações em torno da violência social. Vamos agir para que a violência seja erradicada. Teremos um quadro de cooperação com os países consumidores, encontrando alternativas de políticas públicas hemisféricas e globais que resolvam o problema das drogas.

P: Promoverá investigações contra o presidente Moreno pelo modo como lidou com a pandemia?

R: O país precisa da verdade, da justiça, que sejam responsabilizados pela negligência no manejo da pandemia. Isso vai acontecer, e vamos deixar a justiça fazer o que for preciso. Não é um revanchismo político, a sociedade equatoriana exige justiça. Não é um assunto pessoal. Não tenho intenção pessoal de perseguir ninguém. Meu interesse é a saúde, a economia do meu povo, é o que vou fazer.

P: Você descriminalizará o aborto?

R: Minha posição pessoal sobre o aborto é que não deveria haver penalização, ou criminalização, especialmente para meninas estupradas, mas nossa legislação ainda não se adaptou, e haverá espaço e tempo para que isso seja debatido.

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