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Canivete suíço vem de Schwyz

Um produto que se identifica com o país: o canivete suíço (fonte: www.photopress.ch)

A cruz branca nos canivetes da Victorinox não representa apenas a Suíça, mas também a cultura cristã na empresa.

Em tempos de crise, a empresa suíça ainda considera demissões de funcionários um tabu.

Em Ibach, no cantão de Schwyz, a chamada “Suíça profunda”, metalúrgicos e engenheiros empregam toda a sua perícia para fabricar um produto conhecido no mundo inteiro e identificado com o país dos Alpes: o canivete suíço.

Não é de admirar que o departamento de marketing tenha dado à região, marcada pelas montanhas e campos verdejantes, o nome de “Vale do Canivete Suíço”.

Apesar do apelo patriótico dessa marca mundial, o tom empregado pela direção da Victorinox está mais voltado para a bíblia: - “Sete anos de bonança são seguidos por sete anos de estiagem – esse é o ritmo da vida há milhares de anos”, ressalta Carl Elsener, presidente do maior fabricante europeu de canivetes e facas.

Elsener conhece a Bíblia desde os tempos de escola no Collegium der Patres, no cantão de Schwyz. No seu dia-a-dia, a crença não é apenas um fator superficial na sua vida: - “Nossa empresa obriga-se a cumprir preceitos cristãos na administração dos negócios”.

Perdas depois do 11 de setembro de 2001

Um vento frio sopra no balanço da Victorinox. Os sete anos de vacas magras começaram de forma apocalíptica: através das imagens do atentado em Nova Iorque e a queda das duas torres gêmeas.

Os terroristas que provocaram o ataque-suicida estavam armados com facas de cortar tapete. A partir desse dia, qualquer tipo de instrumento cortante passou a ser uma arma de potencial mortífero.

Resultado: os Duty-Free-Shops nos aeroportos internacionais pararam de encomendar canivetes suíços da Victorinox e os passageiros são hoje obrigados a colocar suas lâminas ou qualquer instrumento cortante em caixas de segurança, logo após os controles de raio-X, antes de poder embarcar no avião.

Canivetes repondem por mais de 70% do faturamento na Victorinox. No quarto trimestre de 2001, este caiu em mais de um terço. Também em 2002 a queda nos negócios continuou: o faturamento ficou em 250 milhões de francos suíços.

Para 2003 ainda não existem números concretos. Porém a guerra no Iraque, da gripe asiática e a crise econômica são fatores que não incentivam o consumo. Pelo contrário, as expectativas de uma melhora nos negócios se reduzem mais ainda. “Essa é a primeira vez que vivemos tantos fatores negativos de uma só vez”, afirma Elsener.

Objetivo principal: evitar demissões

Esse período de estiagem econômica e baixas vendas poderão provocar as primeiras demissões na Victorinox?

“Assim como meu pai ainda se lembra nos seus oitenta e um anos, nunca fomos obrigados a demitir alguém por motivos econômicos”, destaca Elsener.

Um dos principais objetivos da empresa é garantir o emprego dos seus funcionários. Por isso, durante a alta nas bolsas de valores européias, a família Elsener transformou a Victorinox de uma empresa acionária numa fundação.

A fundação foi criada para evitar que a Victoriox caia em dificuldades, nos casos de grandes transferências de recursos para pagamento de dividendos, brigas relativas a herança ou transferência de propriedade.

Para contornar a crise, a direção da Victorinox decidiu implementar o trabalho flexível. No início do ano, a empresa chegou mesmo a fechar por três semanas para que o estoque não ficasse muito cheio.

Maior empregador na região

Com 950 funcionários, Victorinox é o maior empregador no cantão de Schwyz e também a maior fábrica de facas da Europa.

Diariamente saem das suas linhas de produção em Ibach mais de 34 mil canivetes suíços (100 diferentes modelos), 38 mil diferentes tipos de instrumentos portáteis (300 modelos) e 38 mil facas de cozinha e profissionais. 90% da produção é exportada para mais de 100 diferentes países.

No site da empresa, Victorinox afirma ser há mais de 100 anos o fornecedor oficial de facas para o exército suíço.

A história desse típico produto começa em 1909, quando falece Victoria, mãe de Karl Elsener pai. O fabricante resolve dar o seu nome para o produto. Em 1921, quando ocorre a introdução do aço inoxidável na produção de facas na fábrica em Ibach, o nome “Victoria” foi fundido com o termo “inox”, dando origem a marca atual “Victorinox”.

swissinfo, Delf Bucher
adaptado por Alexander Thoele

Breves

Também o segundo fabricante suíço de canivetes, a empresa Wenger, sofre os efeitos da crise provocada pelo atentado de 11 de setembro de 2001. O pequeno concorrente da Victorinox viu seu faturamento reduzir-se de 42 milhões de francos em 1999 para 30 milhões em 2002. O número de funcionários baixou de 280 para 140. Desses, 40 trabalham em tempo parcial.

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