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Carne continua um luxo

De tão cara, a carne suíça permanece para muitos um luxo.

(Keystone Archive)

Açougueiros suíços estão inquietos em relação ao seu futuro. Eles exigem um sistema de importação mais simples.

A carne suíça continua sendo muito mais cara do que nos países da União Européia. Os distribuidores próximos às fronteiras confirmam o fenômeno.

O pequeno congresso de açougueiros e profissionais da carne realizado na última quarta-feira em Zurique tinha um título corajoso: “A carne suíça é competitiva?”.

Essa pergunta foi respondida, não sem uma certa amargura, pela maior parte dos participantes no evento, conscientes que seu setor deverá passar por profundas transformações nos próximos anos.

O número de açougues já diminuiu 30% nos últimos dez anos. Na Suíça ainda existem 1.500 estabelecimentos de venda de carne que, em grande parte, têm maiores dimensões do que aqueles que existiam no passado. Ao mesmo tempo, o número de empregados continuou constante.

Demanda em baixa

As perspectivas dos profissionais da carne não são das melhores na Suíça. Sibyl Anwander Phan-huy, responsável da política econômica na cadeira de supermercados Coop, acredita inclusive que o consumo de carne irá diminuir consideravelmente nos próximos anos.

“Em 2010, o mercado da carne será mais aberto e a demanda estará em baixa. Somente os melhores irão sobreviver e a questão do preço não será o único critério a ser levado em conta pelo consumidor”.

Igualmente questionado sobre uma visão futura do mercado em 2010, André Marmy, atacadista de Estavayer-le-lac, uma cidade no cantão de Friburgo, acredita que os empresários do setor não poderão contar com um aumento do poder de compra da população suíça. “No melhor dos cenários, ela continuará como está”.

Nova política agrícola

As razões que explicam as reestruturações do setor são variadas. Além de duas crises provocadas pela doença da vaca louca, a política agrícola suíça terá de se adaptar às futuras exigências da Organização Mundial do Comércio (OMC), que por hora ainda estão sendo discutidas.

No plano interno, novas leis também foram adotadas, como a “Política Agrícola 2007”, adotada pelo Parlamento em junho.

“Para as empresas do setor de carnes - os atacadistas, os açougueiros e os pecuaristas - essa nova lei modificou tudo”, declarou André Marmy.

Leilões a partir de 2005

A principal causa dessa revolução é a reforma dos regulamentos de importação de carne. Ela consiste no abandono progressivo, entre 2005 e 2007, do sistema de cotas calculadas em função do número de abates, pelo sistema de leilão de cotas.

Alguns açougueiros suíços se arrependem de ter dado seu apoio a essa mudança.

“Porém o governo federal havia nos prometido que o novo sistema permitiria mais concorrência, transparência no mercado e importação, segundos as necessidades dos consumidores”, diz Ueli Gerber, vice-presidente da Associação Suíça dos Profissionais da Carne (APSV).

Economias descontadas

A maior crítica dos açougueiros é feita ao sistema de compra nos leilões, diferente segundo o tipo de carne. Ele exige, em alguns casos, seguranças financeiras e administrativas que são impraticáveis para empresas de pequeno porte.

Convidado ao congresso em Zurique, Manfred Bötsch, diretor do Departamento Federal da Agricultura (OFAG), não respondeu diretamente às críticas. Ele lembra que uma grande parte das empresas estariam, hoje em dia, excluídas do direito de comprar as cotas de carne.

O aumento do número de empresas com direitos de compra irá “encorajar a concorrência no mercado interior da carne”. Os leilões também irão trazer de 150 a 300 milhões de francos suíços aos caixas do governo federal.

Novas pressões

Manfred Bötsch explicou a quantas andam as negociações na Organização Mundial do Comércio. “O atraso de um ou dois anos nas discussões irá aumentar ainda mais as pressões sobre a agricultura suíça”, advertiu o representante do governo.

Os açougueiros não se opõem a uma maior liberalização no mercado da carne. As duas associações do setor reclamam até uma maior flexibilidade da delegação suíça nas negociações dentro da OMC.

Balz Hoerber, diretor de uma dessas associações de classe – a União Suíça dos Açougueiros – reivindica uma diminuição das taxas de importação, na esperanças que os preços da carne na Suíça baixem e se nivelem com os que são aplicados nos países vizinhos na Europa.

Turismo de compras

Há dois anos, uma pesquisa da rede de supermercados Coop revelava que o preço da carne suíça chegava a ser 89% maior do que os preços empregados nos países da União Européia.

“Felizmente a pesquisa também mostrava que os consumidores também não eram insensíveis aos argumentos da qualidade da carne suíça”, ressalta Balz Hoerber.

Porém a concorrência não dorme. “Nós já constatamos que a publicidade dos grandes vendedores de carne estrangeiros se intensificou nas regiões próximas às nossas fronteiras. Ao mesmo tempo, ainda não resolvemos o problema dos preços elevados da carne suíça”.

Um representante da União Suíça de Agricultores, Heiri Bucher, respondeu a essa crítica lembrando os grandes sacrifícios já realizados pelos pecuaristas, que tiveram baixas crescentes nos seus rendimentos.

“A defasagem entre o que o produtor ganha é o preço pago pelo consumidor no açougue aumentou 25% desde 1990. Esse dinheiro deve está em alguma parte entre esses dois...”

swissinfo, Ariane Gigon Bormann em Zurique
tradução de Alexander Thoele

Breves

- Na Suíça existem hoje 1.500 açougues: 30% a menos do que há dez anos.

- A percentagem de suíços que afirma comer carne todo o dia é de apenas 22%, com tendência a baixar ainda mais.

- Em baixa desde 1987, o consumo de carne começou a se estabilizar a partir de 2002.

- Nos primeiros nove meses de 2003, os açougueiros suíços registraram uma alta de 5% nas vendas de carne bovina. Carne de porco e de vitelo são menos apreciados pelo consumidor.

- O setor de carne tem um faturamento é de 6 milhões de francos e representa 1,2% do Produto Interno Bruto (2000).

- Segundo uma pesquisa da rede de supermercado Coop, o preço da carne é 89% mais elevado na Suíça do que nos países da União Européia.

- Em 2002, a Suíça importou 6.010 toneladas de carne bovina, representando entre 250 e 350 mil bovinos.

- Outras importações: 562 toneladas de carne de vitelo, 6.758 toneladas de carne de porco, 6.536 toneladas de carne de cordeiro e 41.391 toneladas de carne de aves.

- As cotas de importação de carne serão postas em leilão progressivamente a partir de 2005 (33% em 2005, 66% em 2006 e 100% em 2007)

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