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Chipre negocia reunificação na Suíça

Reunificação de Chipre está sendo debatida no ambiente alpino de Bürgenstock.

(Keystone)

Autoridades turcas e greco-cipriotas encontram-se em Bürgenstock para negociar reunificação de Chipre. A reunião é apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Não é a primeira vez que a região abriga um encontro internacional.

Essas são praticamente as últimas conversações para possibilitar a adesão de toda a ilha à União Européia. Sem um acordo entre a Turquia, Grécia e os representantes das duas populações de Chipre, apenas a parte greco-cipriota entrará na UE.

As duas delegações chegaram ontem (23/3) em Bürgenstock, um conhecido ponto turístico localizado 900 metros acima do mar, numa meia-ilha às margens do lago Vierwaldstätter, no centro da Suíça. A ONU reservou grande parte dos quartos para alojar todos os diplomatas e funcionários.

Com vistas panorâmicas para montanhas e o lago, os três hotéis de luxo - Grand Hotel Locarno, Bürgenstock Hotels e Caux Palace – oferecem um ambiente ideal para discutir um tema tão complexo.

Difícil processo de pacificação

Se o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, conseguir convencer os líderes dos dois grupos populacionais de seu plano de reunificação da ilha, a divisão de Chipre pode chegar ao fim após 30 anos de conflitos.

A reunificação poderá tornar possível uma adesão a União Européia não apenas como um torso representado pela parte grega da ilha, mas sim como uma república federativa constituída por dois cantões autônomos — um turco e um grego.

A fim de deliberar sobre o futuro da ilha mediterrânea, o secretário-geral Kofi Annan recebeu em fevereiro, em Nova York, Rauf Denktasch, líder da população turca, e Tassos Papadopoulos, o presidente greco-cipriota.

Após fracassar em sua primeira investida, em maio de 2003, Annan tenta mais uma vez conquistar a anuência dos dois líderes populacionais para seu plano de reunificação de Chipre. O tempo urge: segundo o cronograma da ONU, a população das duas partes da ilha deveria pronunciar-se a esse respeito em plebiscito a ser realizado a 21 de abril.

Diferenças de opinião

O plano elaborado pela ONU estabelece não só como deve transcorrer a retirada dos soldados turcos, mas também a indenização dos deslocados. Está prevista também a existência de três bandeiras e três hinos: para cada um dos cantões, que deverão manter suas identidades, e para o Estado federado, que representará a nova república para fora, portanto também junto à União Européia.

Mesmo que não concorde com o plano em todos os seus detalhes, o lado grego o aceita como base para as negociações. Rauf Denktasch, porém, resiste. Aos 80 anos, ele continua sonhando com a constituição de um Estado turco reconhecido em Chipre e não se cansa de advertir que a repressão dos cipriotas turcos antes da invasão da ilha por tropas da Turquia em 1974 é um fato que pode se repetir.

Mudança de parâmetros na Turquia — Até há pouco tempo, a posição defendida por Denktasch era a mesma dos diferentes governos que passaram por em Ancara. Nesse meio tempo, porém, muita coisa mudou.

Por um lado, aumenta entre a população turco-cipriota o número daqueles que veriam com bons olhos a reunificação. O ingresso na União Européia traria vantagens econômicas também para a parte turca da ilha, que se encontra internacionalmente isolada. Nas últimas eleições parlamentares, em Chipre do Norte, em dezembro, as forças pró-reunificação conseguiram impor-se pela primeira vez aos partidários de Denktasch e elegeram Mehmet Ali Talat primeiro-ministro.

Por outro lado, e isto é o que mais pesa, aumenta a pressão de Ancara. Ao contrário dos governos turcos anteriores, o atual, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, está interessado numa solução do conflito em Chipre. Como nenhum outro chefe de governo antes dele, Erdogan empenha-se por reformas em seu país e pelo início mais rápido possível de negociações entre Ancara e Bruxelas para o ingresso da Turquia na comunidade. A União Européia quer tomar uma decisão a este respeito no final do ano. Uma solução da questão do Chipre poderia aumentar as chances da Turquia.

Palco comum de negociações

Bürgenstock não é apenas um ponto turístico nas margens do lago Vierwaldstätter. Muitas vezes seus hotéis de luxo abrigaram outras conferências e reuniões internacionais.

Em 2002, representantes do governo e de tropas rebeldes do Sudão assinaram um tratado de paz para a região montanhosa do Nuba. Também em 1960 e 1980, essa meia ilha abrigou encontros de um grupo chamado "Bilderberg", que reunia líderes políticos e empresariais do mundo. O ex-ministro das Relações Exteriores dos EUA, Henry Kissinger, era um dos membros do grupo.

swissinfo


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