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Primeiros passos para o fim da moeda física

Twint é um dos aplicativos criados pelos bancos suíços para substituir o dinheiro físico. zVg

Os suíços preferem pagar com dinheiro físico ao contrário dos escandinavos. Mas em tempos de panderia, transações por celular se tornam populares. Uma tendência que veio para ficar?

Este conteúdo foi publicado em 05. junho 2020 - 14:30

"Só dinheiro em espécie é verdadeiro". O ditado popular explica um hábito arraigado dos suíços: o apreço por notas e moedas. Mas desde o começo da pandemia muitos as consideram fontes de risco. Se o objetivo é evitar que as mãos toquem superfícies perigosas, o dinheiro vira vilão. Antes mesmo de surgir o SARS-CoV-2, já havia suspeitas que sua superfície poderia abrigar vírus e outros agentes patogênicos.

De acordo com um estudo realizado pelo Hospital Universitário de Genebra, o vírus da gripe pode sobreviver nas cédulas por até duas semanas. O jornal econômico "Finanz und Wirtschaft" revela que desde meados de março as buscas na internet sobre os riscos à saúde devido ao manuseio de notas e moedas "explodiram virtualmente".

Pagar sem carteira ou contato ("cashless" e contactless" são termos hoje que se tornaram comuns a todos. Como o comércio foi obrigado a fechar as portas temporariamente, os suíços passaram a fazer compras através da internet, que já se consuma sem o uso de dinheiro físico. O movimento foi tão intenso, que os Correios Suíços tiveram de organizar turnos extras para poder entregar todos os pacotes solicitados online.

Novas formas eletrônicas de pagamento

De forma geral, o comércio viveu na Suíça uma forte queda nas vendas devido à redução da oferta. Lojas, restaurantes, hotéis e shoppings centers ficaram fechados durante muito tempo devido ao "lockdown". O cantão de Zurique, por exemplo, registrou o fenômeno em suas estatísticasLink externo. A situação geral de risco e as regras de distanciamento levaram muitas pessoas a evitar de carregar notas e moedas em suas carteiras".

Andreas DietrichLink externo, diretor do Centro de Assuntos Financeiros da Universidade de Lucerna, afirma que o contexto está mudando a mentalidade do consumidor. "No momento, o efeito é claro: muito menos dinheiro está sendo usado para pagar pelos serviços do que o normal...As pessoas estão sendo reeducadas para não usar dinheiro no momento".

Segundo Tobias TrütschLink externo, os primeiros números mostram uma mudança no comportamento dos pagamentos. "Dados atuais sobre o uso de cartão de créditoLink externo revelam que os pagamentos sem contato e especialmente os pagamentos online aumentaram proporcionalmente após o lockdown. O pagamento sem contato se popularizou bastante". O docente da Universidade de St. Gallen também pode imaginar que, desde o início da crise "será possível detectar um ligeiro declínio nos pagamentos em dinheiro."

O que é certo é que menos saques em dinheiro são feitos hoje nos caixas eletrônicos dos bancos. Uma análise do Banco dos Correios Suíços (Postfinance), publicada pelo jornal NZZ am Sonntag, mostra uma variação percentual de -48,4% entre 16 de março e 14 de abril em relação ao mesmo período do ano passado.

Limite de pagamentos sem senha aumentou

Quando um cliente paga uma mercadoria através do cartão de débito ou crédito, geralmente precisa digitar a senha nas máquinas de pagamento. Como muitos também têm medo de possíveis vírus no leitor de cartões, hoje existem aqueles que preferem pagar sem nenhuma forma de contato físico, o que é possível através de aplicativos instalados no celular. E para facilitar a vida do consumidor, desde o início de abril muitos bancos aumentaram o limite para pagamento sem senha de 40 para 80 francos.

Dentre os aplicativos mais comuns, se sobressaem os grandes nomes: Apple Pay, Samsung Pay ou Google Pay. Porém um aplicativo suíço também participa do mercado: TwintLink externo, oferecido por uma associação de bancos suíços e a Bolsa de Valores da Suíça (SIX). O pagamento sem contato com o Twint já pode ser feito hoje em muitas lojas por todo o país.

"A necessidade de higiene faz com que aumente a demanda por meios móveis de pagamento que não requerem dinheiro em espécie, nem um cartão com senha a ser inserido", afirma um porta-voz da Twint. Desde o início da pandemia, foram registrados até sete mil novas instalações por dia, mais que o dobro do número anterior à crise.

"Dobramos o número de transações no setor de e-commerce. Em alguns setores até multiplicamos por seis", completa o porta-voz. A empresa espera que a tendência continue, "pois o tema da higiene continuará sendo muito importante no futuro."

Baixa participação

Antes da pandemia o consumidor suíço ainda mantinha sua "paixão" pelas moedas físicas. De acordo com uma pesquisa do Banco Nacional SuíçoLink externo (SNB), cerca de 70% de todas as compras foram feitas com dinheiro em 2017: 22% pagas com cartão de débito, 5% com o cartão de crédito e 3% através de outras formas de pagamento sem dinheiro como o sistema "Paypal".

Outra pesquisaLink externo, realizada em 2019 pela Universidade de St. Gallen e a Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique identificou que 48% de compras foram feitas no ano através do uso de notas e moedas. E 44%, sem, sendo que um terço através de sistemas sem contatos.

Nova tendência

A Associação Suíça de PagamentosLink externo, que reúne as operadoras de cartões de crédito, afirma que o mercado de cartões é um mercado saturado e que, além disso, muitos canais de distribuição não estão atualmente disponíveis ou apenas de forma limitada.

"A tendência é mais de estagnação do que crescimento do número de cartões de crédito em circulação", explica Thomas Hodel, diretor. No entanto, antes do início da pandemia, o número de cartões de crédito, débito e de dinheiro armazenado eletronicamente aumentou, como mostram os númerosLink externo do Banco Nacional até fevereiro de 2020.

Nos últimos 20 anos, a participação do dinheiro em espécie nos pagamentos diminuiu em 1-2% ao ano, afirma Dietrich. Ele suspeita que a crise no uso de dinheiro em espécie causará "uma mudança considerável", que também será visível nas estatísticas futuras.

"Os hábitos de pagamento vão mudar de forma permanente". reforça Trütsch. "Vejo potencial no pagamento móvel ou sem contato físico. As pessoas tomaram gosto, pois foram praticamente forçadas a fazê-lo".

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