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Potencial energético Como a biomassa pode ajudar a Suíça a alcançar suas metas de energia

Seja na forma de madeira, esterco ou resíduos alimentares, o grande potencial energético que a biomassa representa pode ser encontrado por toda a Suíça. Mas para realizar esse potencial vai ser necessário mais do que apenas inovação tecnológica.

Floresta de 'Plan Perio' no Parque Nacional Suíço, cantão dos Grisões.

Mais de 70% das florestas na Suíça têm dono, dentre eles a municipalidade. 

(Keystone)

A biomassaLink externo é atualmente a segunda mais importante fonte de energia renovável na Suíça depois da energia hidroelétrica. Entendida como matéria vegetal ou orgânica, a biomassa pode ser usada de diversas formas. Por exemplo, madeira pode ser incinerada para se obter calor, restos vegetais podem ser processados quimicamente para a obtenção de biocombustíveis, e esterco quando digerido por bactérias libera o biogás que, por sua vez, poder ser usado na geração de eletricidade.

Pesquisadores do Instituto Federal Suíço de Florestas, Neve e Meio-Ambiente (WSLLink externo) afirmaram recentemente que a quantidade de energia sustentável obtida da biomassa hoje poderia ser duplicada.

Eles baseiam sua tese no primeiro estudoLink externo realizado abrangendo todas as formas de biomassa suíça: das florestas aos restos alimentares passando pelo esterco agropecuário. A equipe do WSL estima que teoricamente o total da biomassa suíça poderia produzir 209 petajoules (PJ) de energia anualmente, o que equivale à energia de 4,8 milhões de toneladas de óleo cru, ou 19% do consumo total de energia na Suíça.

Teoria versus realidade

209 petajoules é apenas um valor estimativo. Na prática, apenas a metade desse total pode ser obtido com custos econômicos e ambientais aceitáveis. Tendo em vista que a Suíça já usa anualmente cerca de 53 PJ de energia extraídos de biomassa, restariam, portanto, um potencial ainda não explorado de aproximadamente 44 PJ de energia sustentável advinda da biomassa.

Reinventando um recurso antigo

Oliver Thees é membro do Programa Nacional de PesquisaLink externo "Recurso Madeira" (NRP 66), dotado com CHF 18 milhões de francos da Fundação Nacional Suíça para a Ciência. O programa de cinco anos foi concluído no final de 2016, sendo que seus resultados e relatório final foram publicados recentemente.

O programa foi estabelecido pelo governo suíço e empregou 30 pesquisadores vindos de instituições de todo o país. Seu objetivo era encontrar formas práticas de incrementar a utilização de madeira suíça como insumo renovável para combustíveis e produtos químicos, bem como insumo em diversas indústrias, principalmente na construção civilLink externo.

"Para ter futuro, a madeira tem que se reinventar. Ela é vista como um material nobre, mas nós temos que explorar melhor seu potencial inovador como componente de alta tecnologia", disse Martin Riediker, o presidente do comité executivo do projeto.

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"Os 209 PJ são o potencial teórico, mas o importante para a transição energética na Suíça é o potencial sustentável", explica Oliver TheesLink externo, pesquisador do WSL e o líder da equipe que realizou o estudo sobre o plano energético suíço para as próximas décadas conhecido como "Estratégia de Energia 2050Link externo".

O estudo do WSL foi publicado em agosto como um projeto do Centro de Competência Suíço para Pesquisa em Bioenergia (SCCER BIOSWEETLink externo); meses apenas após o eleitorado suíço aprovar o plano nacional de energia. Um dos objetivos do plano é obter mais energia de fontes renováveis como a biomassa. A meta estabelecida pelo SCCER é de 100 PJ por ano.

Com base nos dados dos pesquisadores do WSL, a maioria dos 44 PJ de energia sustentável adicional provém do estrume agropecuário, sendo que uma parcela menor provém de madeira das florestas. As fontes restantes encerram restos de lavouras e de madeiraLink externo, resíduos industriais e domésticos e lama orgânica advinda de esgotos.

Aproveitar esse potencial ainda não realizado poderia contribuir para que a Suíça atinja sua meta de 100 PJ. Para Thees, enquanto tecnologias mais avançadas de conversão energética são importantes, a ciência representa apenas parte da equação, em particular no que toca a exploração de madeira das florestas suíças.

"Nós podemos usar o potencial adicional em madeira florestal que se encontra principalmente na região do Jura e na região cisalpina, se mudarmos nossos métodos atuais de administração florestal", diz ele. "Isso depende por um lado dos próprios administradores das florestas, mas também das condições do mercado e, no momento, elas são muito ruins".

Mercados e administração florestal

O mercado está ruim devido ao declínio da extração madeireira suíça, causada, em parte, pela valorização do franco suíço. Em 2016, a exploração comercial da madeira ficou tão pouco rentável que a produção atingiu seu menor nível dos últimos 10 anos.

"Nessas condições de mercado, é quase impossível extrair mais madeira, você tem que ter compradores", explica Thees.

Gráfico

Gráfico de biomassa

Gráfico de biomassa

Além da pressão econômica, mais de 70% das florestas suíças são de propriedade pública. Thees explica que entidades públicas que possuem florestas, como cidades e municípios, têm normalmente menos interesse em extrair a madeira do que proprietários privados, além de tender a usar as florestas para o lazer ou como área de proteção ambiental. Em sua opinião, em um contexto de mudança climática e de busca de soluções para o desenvolvimento sustentável, entidades públicas deveriam ser "persuadidas de sua responsabilidade" em usar mais madeira como matéria prima e como fonte de energia.

O uso de esterco agropecuário na produção de energia via biomassa enfrenta desafios econômicos semelhantes. No momento, a coleta de esterco para a produção de bioenergia nas numerosas e relativamente pequenas fazendas suíças é difícil. Thees acredita que pesquisa e as prioridades políticas deveriam incluir o desenvolvimento de tecnologias para a produção de energia de esterco em menor escala, bem como uma melhor cooperação com os fazendeiros.

Biomassa como reserva

Se a Suíça pudesse encontrar uma forma de utilizar os 44 PJ adicionais de energia sustentável advinda da biomassa, isso corresponderia a cerca de 9% do uso de energia anual do país. Existem, contudo, vantagens consideráveis na utilização de biomassa em relação a outras fontes renováveis de energia. Em comparação com as energias solar e eólica, a energia da biomassa pode ser extraída e armazenada de forma mais controlada, não dependendo do tempo ou de mudanças sazonais. Biomassa também é uma fonte de energia renovável extremamente versátil, podendo produzir calor, eletricidade, gás e combustíveis sólidos ou líquidos.

Os pesquisadores do WSL propõem que a biomassa seja usada como reserva ou tampão para "compensar as flutuações de outras fontes renováveis de energia", o que "ajudaria a evitar a escassez de energia em períodos críticos".

Para Mathias Erni, um dos coautores do estudo sobre a biomassa, os obstáculos restantes são a eficiência da tecnologia de conversão de biomassa em energia, e o aperfeiçoamento da rede de abastecimento.

Apesar dos desafios, ele e seus colegas estão otimistas que a meta de cobrir 100 PJ por ano com energia de biomassa possa ser atingida em 2050.

"É uma meta alcançável", conclui Thees.

Resumo da "Estratégia Energética 2050" suíça

Fim da energia nuclear: novas usinas nucleares não serão mais construídas. As usinas nucleares existentes permanecerão em operação enquanto seu funcionamento for considerado seguro.

Economia de energia: diversas medidas foram incluídas para reduzir o consumo de eletricidade e energia na Suíça. Entre estas medidas, por exemplo, estão os incentivos fiscais para reformas que aumentem a eficiência energética de lares.     

Promoção de energias renováveis: medidas para assegurar que mais energia seja obtida de fontes renováveis. Por exemplo, novas usinas de energias renováveis deverão ser aprovadas com mais rapidez.

Aumento das sobretaxas da rede elétrica: a sobretaxa que cada lar e a maioria das firmas pagam foi aumentada de 1,5 centavos de franco suíço para 2,3 centavos. Isso visa financiar a transição do modelo energético.

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Adaptação: Danilo v.Sperling, swissinfo.ch

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