Suíços desenvolvem primeira máscara transparente

A HelloMask transparente permite a comunicação não-verbal entre pacientes e equipe de enfermagem Visualisation: EPFL

Uma máscara cirúrgica totalmente transparente que filtra os germes, mas permite a visualização de expressões faciais foi desenvolvida por cientistas suíços. Os cuidadores devem poder usá-las a partir do verão de 2021.

swissinfo.ch/fh

"Para alguns segmentos da população - como crianças, idosos e deficientes auditivos - as máscaras [atuais] são um grande obstáculo à comunicação", disse o Laboratório Federal Suíço de Ciência e Tecnologia de Materiais (EMPA), em declaração na terça-feira (9).

Junto com pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), o EMPA vem trabalhando há dois anos em uma máscara cirúrgica completamente transparente.

Eles agora finalizaram um material baseado em biomassa para fabricar as chamadas HelloMasks e criaram uma startup chamada HMCARE, baseada no campus Biotech em Genebra, para comercializá-las.

Depois de completar uma campanha de financiamento de CHF1 milhão (US$ 1,05 milhão), a HMCARE está agora pronta para desenvolver o processo industrial. As discussões estão em andamento para um lançamento planejado no mercado no início de 2021.

Os investidores estavam com tanta pressa que "tivemos que recusar ofertas", diz Thierry Pelet, chefe do projeto HelloMask no EssentialTech Center da EPFL. O EMPA admite que a pandemia de Covid-19 facilitou a captação de recursos.

Membrana

As HelloMasks são destinadas a substituir as máscaras triplas verdes ou brancas que os profissionais de saúde costumam usar. Esta proteção pode ser usada por qualquer pessoa, embora sejam projetadas principalmente para tornar o contato entre cuidadores e pacientes menos impessoal.

As fibras poliméricas das máscaras fazem a membrana parecer transparente, mas mantêm os agentes patogênicos afastados EPFL

"Você pode encontrar protótipos de máscaras que são parcialmente transparentes, mas são apenas máscaras normais com parte do tecido substituída por plástico transparente", diz Pelet.

Como esse plástico não é poroso, no entanto, dificulta a respiração do usuário e embaça com facilidade. Os pesquisadores do EMPA e da EPFL passaram dois anos procurando a combinação certa de transparência, resistência e porosidade. Eles acabaram por criar uma membrana feita a partir de um polímero desenvolvido especificamente para esta aplicação. 

Como as novas máscaras serão descartáveis para uma melhor eficiência, assim como as máscaras cirúrgicas existentes, os pesquisadores se concentraram desde o início em encontrar um material que fosse ou reciclável ou biodegradável. "Nossas máscaras são feitas a 99% de um derivado de biomassa, e vamos continuar trabalhando nelas até que sejam completamente ecologicamente corretas", diz Pelet.

Partilhar este artigo