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Como funcionam as bonificações dos executivos no UBS

Frente às críticas, Peter Kurer prefere renunciar às bonificações.

(Keystone)

A crise enfrentada pelo UBS trouxe novamente à tona o debate sobre o sistema de pagamento de bonificações para executivos de bancos.

Uma análise acurada mostra que a imagem dos banqueiros gananciosos que, nos bons tempos, embolsam milhões e, nos ruins, são poupados dos prejuízos que causam, seria demasiadamente parcial.

O caso do maior banco suíço é um exemplo: perdas bilionárias devido aos investimentos audaciosos nos subprimes, as hipotecas de alto risco para pessoas insolventes nos Estados Unidos; perdas de 4,3 bilhões no ano fiscal de 2007; transferência dos títulos "podres" do banco pelo Banco Central Suíço para um fundo especial de 60 bilhões de francos; injeção direta de seis bilhões de francos de dinheiro público no banco.

Esses e outros acontecimentos desencadearam na sociedade uma discussão aberta sobre as compensações pagas aos executivos do UBS. Lucros do banco, como se acredita, são canalizados na forma de pagamentos de bonificações para o bolso dos membros da alta direção e as perdas, pelo contrário, acabam custeadas pelo contribuinte.

Simplificação incorreta

Ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, o modelo de compensação criado pelo UBS é mais complexo do que parece. As bonificações pagas aos altos executivos são compostas de quatro elementos: o salário básico, a participação nos resultados (o bônus), a distribuição de opções de compra de ações assim como uma série de pagamentos extras ou em gênero. Nesse modelo, o salário básico deve espelhar as funções e a responsabilidade funcional de uma pessoa em cargo de direção. Mudanças só devem ocorrer caso a área de responsabilidades do executivo seja modificada.

Em 2007, o último ano fiscal, o salário básico fixo correspondeu a 17,8% do bolo geral de pagamento aos membros do conselho administrativo e da direção executiva. No ano passado, a proporção foi menor: 6,5%.

A parte mais importante do pacote de salários é a participação nos resultados. Metade é paga em espécie e a outra metade em forma de ações bloqueadas do UBS. No ano fiscal de 2007, essas bonificações variáveis, cuja principal função é remunerar a produtividade excepcional por indivíduo, correspondeu a cerca de 80% (93% em 2006) do bolo geral de pagamentos.

Nesse sentido, o pagamento de 24,2 milhões de francos em bonificações em 2006 para Marcel Ospel, ex-presidente do conselho de administração, foi justificado pelo banco pelo fato deste ter contribuído para colocar o UBS dentre as mais importantes instituições financeiras internacionais do mundo e por ter conseguido montar uma equipe qualificada de líderes. Outro argumento muito utilizado na época eram os altos pagamentos feitos por bancos de investimento nos EUA aos seus executivos. Apenas em 2007, Ospel foi obrigado a abdicar das bonificações devido às perdas gigantescas sofridas pelo UBS no ano.

Ao lado do pagamento em espécie e em ações, as opções de compras de ações também fazem parte da parte variável dos salários dos altos executivos. Seu objetivo é sincronizar os interesses da mão-de-obra mais qualificada do banco com os dos acionistas. Isso, pois o exercício das opções só pode ser executado no momento em que, a partir da data de emissão, a cotação das ações aumentar em 10%. Uma análise nas opções mantidas pelos altos executivos do UBS no final de 2007 mostra que todas aquelas que foram emitidas desde 2004 - séries ainda correntes – estão abaixo das cotações e dificilmente poderão ser executadas.

Também existem obrigações

O mesmo vale para a parte de ações da remuneração variável. Aquelas que foram destinadas aos pagamentos de 2007 para os executivos a taxas preferenciais de Fr. 30.75 (o preço de mercado era: 36.15) acabaram sofrendo uma enorme perda de valor devido a queda vertiginosa nas bolsas. Além disso, existem restrições: as regras internas obrigam que essas ações só possam ser vendidas de forma escalada em um período de cinco anos.

Os altos executivos também estão obrigados no prazo de cinco anos desde a sua nomeação a comprar cinco vezes mais em ações do UBS do que o valor médio em espécie da remuneração geral (salário básico mais a parte em espécie da remuneração variável, segundo a produtividade) dos últimos três anos.

Concretamente a parte de ações está avaliada entre 12 milhões de 71 milhões de francos e correspondem, assim, a uma parte relevante da fortuna privada dos executivos. Os riscos de variação das cotações dessas ações também estão apenas parcialmente asseguradas.

Dessa forma, a atual crise no UBS não passa despercebida para os membros dos altos cargos de direção do banco. Atualmente, tudo o que possuem em ações e opções tem hoje menos valor do que no momento em que foram emitidas. Quanto eles tiveram de perdas não é possível averiguar, porém acredita-se que sejam consideráveis. Além disso, é importante ressaltar que não apenas os altos executivos têm direito ao chamado "boni", mas também todos os funcionários do banco – cerca de 90% deles recebem uma espécie de gratificação.

O pagamento da parte variável dos salários no ano fiscal de 2007 foi de 12,1 bilhões de francos e, ao contrário do que se fala em grande parte da imprensa, não estava reservado apenas a uma camada estreita de altos executivos, pelo contrário. Também para simples funcionários, a parte variável dos salários chega a apenas alguns milhares de francos e correspondem, aos níveis inferiores e intermediários de executivos, a dois salários mensais. Porém o bônus é uma parte importante dos rendimentos gerais, sobretudo pelo fato dos funcionários não terem direito ao décimo terceiro salário e também à correção salarial frente ao aumento do custo de vida.

Crescimento perene é o objetivo

Assim, pode-se concluir que o atual presidente do conselho administrativo do UBS, Peter Kurer, não pretende acabar com o atual sistema de pagamento dos altos executivos, mas simplesmente orientar os valores pagos cada vez mais a resultados concretos. No passado, analistas de investimento podiam ter esperança de receber no final do ano altos valores de bonificações, apesar de terem provocado impensos prejuízos. Agora os executivos devem perder incentivos na escolha de estratégias arriscadas orientadas a ganhos máximos em um mínimo espaço de tempo e orientar-se mais para o crescimento seguro e perene do banco.

Idéias concretas: diminuir o pagamento em dinheiro da parte variável dos salários (substituindo por ações) e mudanças no sistema do "pára-quedas dourado", ou seja, pagamento de indenização aos altos executivos no momento que saem das suas empresas. O fato dos três altos executivos do UBS que saíram ano passado - Peter Wuffli, Huw Jenkins e Clive Standish – terem terem recebido indenizações ainda dentro do seu prazo de demissão de doze meses provoca pagamentos elevados desnecessários a executivos que não trabalham mais para a empresa.

swissinfo (baseado em um artigo publicado no NZZ)

Salários variáveis são comuns na Suíça

A crise financeira faz com que o pagamento de bonificações nos bancos suíços esteja no centro das críticas. Porém o sistema de salários variáveis também é praticado em outras empresas suíças.

Um estudo sobre salários realizado em 2007 pela Fundação Ethos mostra que, das maiores empresas helvéticas cotadas na bolsa, 48 pagavam de um quarto a um terço dos salários dos executivos através de uma parte fixa. Os restantes dois terços a três quartos eram compostos por remuneração variável.

Em 2007, chefes de empresas com um mandato duplo (presidente do conselho de administração e chefe-executivo) receberam 78% - ou aproximadamente 15 milhões de francos – da sua remuneração total de 19 milhões de francos (em média) como remuneração variada.

Também para chefes-executivos e outros membros da direção a parte de remuneração variável chegou a 70% do total. Do componente variável, cerca de 30% a 40% é pago em dinheiro. O restante – entre 60% e 70% vem através de ações ou opções, que podem ou não ser pagas segundo o cumprimento de certas metas, sendo que grande parte fica bloqueada por vários anos.

A remuneração geral de um típico chefe de uma grande empresa cotada na bolsa ocorre da seguinte maneira: um quarto é de salário fixo, outro quarto é paga como bonificação e a metade na forma de ações e opções bloqueadas.

Em pequenas empresas o componente variável é mais raro. Segundo um estudo sobre salários de executivos realizado pela empresa de recursos humanos Kienbaum, a parte variável de remuneração nas 443 empresas suíças pesquisadas, das quais uma grande parte é de pequenas e médias, em 2008, corresponde a 20% do total de pagamentos.

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