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Trinta mil suíços do estrangeiro não podem votar

© Keystone / Salvatore Di Nolfi

Muitos suíços residentes em outros países - e com direito de voto - não teriam recebido à tempo o material de votação para poder participar dos plebiscitos de 27 de setembro de 2020. A razão está em problemas logísticos dos correios.

Este conteúdo foi publicado em 25. setembro 2020 - 00:00
Matthias Stadler, Auckland

O Covid-19 afeta também o exercício da democracia na Suíça. Dentre outros, os plebiscitos de 17 de maio terminaram sendo adiados e marcados para ocorrer em setembro, o que explica por que cinco questões nacionais são levadas ao eleitorado no domingo próximo.

Mas a pandemia também provoca problemas de organização. Muitos suíços do estrangeiro não receberam - ou receberam tarde demais - o envelope contendo o material eleitoral. E isso apesar de o governo federal ter chamado a atenção dos cantões (estados) em uma circular publicada em 1º de julho, onde ressaltava a "importância" de enviar os documentos com uma certa antecedência.

Muitos suíços do estrangeiro reclamam nas redes sociais da falta do material eleitoral. Katja Wallimann Gates, representante da comunidade no Conselho dos Suíços do Estrangeiro (CSE), que representa os interesses de quase 800 mil compatriotas residentes no exterior, estima em 30 mil o número de pessoas afetadas. Originária de Zurique, Gates não esconde o espanto. "É algo que só aconteceu duas vezes em meus 25 anos vivendo na Austrália."

Crítica às autoridades

No total, 190 mil suíços do estrangeiro estão inscritos nos registros eleitorais dos consulados da Suíça dispersos pelo globo. Se as estimativas estiverem corretas, aproximadamente um em seis suíços do estrangeiro não irá exercer seu direito de voto no domingo próximo. "E isso seria em uma estimativa conservadora", acrescenta Gates. De acordo com suas investigações, apenas os cantões de Vaud e Valais conseguiram enviar o material de votação a tempo.

As regiões mais distantes da Suíça foram as mais afetadas. "Suíços residentes em diferentes países na Europa e na América do Norte parecem ter recebido os documentos em tempo hábil", ressalta Gates. Mas na Austrália, onde vive, apenas nove por cento viram o pacote contendo as cédulas de voto e o material explicativo de cada um dos temas levado às urnas.

Emigrantes criticam as autoridades. Como os plebiscitos acabaram acumulados, os suíços do estrangeiro sem as cédulas perdem, de fato, a possibilidade de votar em questões de grande importância. "É como se os habitantes de uma cidade do tamanho de Zug ou um meio-cantão não estivessem participando", afirma Gates. "Assim teremos um resultado truncado da vontade do eleitorado."

Katja Wallimann Gates. zVg

Problemas com o correio

O motivo do atraso da entrega do material de voto está aparentemente em distúrbios no tráfego da correspondência dos serviços de correio em vários países devido o Covid-19. Cartas ou pacotes não podiam ser entregues em áreas remotas como Austrália ou Nova Zelândia por semanas. "Não entendo por que os cantões não enviaram os documentos antes. Eles sabiam desse problema com os correios", lamenta Gates.

A Chancelaria Federal não sabe quantos suíços do estrangeiro foram afetados pelo problema. O órgão do governo federal responsável pela condução das votações anunciou em um comunicado que "poderia ​haver problemas com a entrega dos documentos de votação".

Referindo-se ao comunicado enviado às autoridades cantonais", a Chancelaria ressalta que "os cantões tinham sido solicitados a combater as dificuldades de entrega do material no exterior enviando o material para os suíços do estrangeiro com antecedência". Segundo Úrsula Eggenberger, porta-voz da Chancelaria, "a entrega no prazo dependia, em grande parte, da qualidade dos serviços postais dos diferentes países."

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Cantões não assumem erro

Os suíços do estrangeiro têm o direito de participar de eleições, plebiscitos e referendos mesmo não vivendo mais no país de origem. Os votos são enviados então por correspondência. Eles são contabilizados no último cantão de residência dos emigrantes, que se responsabiliza pelo envio do material.

O cantão de Zurique, o mais populoso do país, entregou essa tarefa ao município de Zurique. A porta-voz Christina Stücheli escreve que "o governo municipal não tem influência sobre fatores externos que determinam a eficácia do envio do material."

Os prazos de entrega são determinados por várias especificações. O Parlamento necessita aprovar os temas que serão levados à plebiscito. Também existe uma demanda de tempo para impressão do material eleitoral em tempo hábil e organizar o seu envio. Além disso, as autoridades estaduais devem respeitar procedimentos parlamentares e oficiais.

Votação eletrônica

O não recebimento do material é uma perda para muitos suíços do estrangeiro, especialmente frente à relevância de diversos plebiscitos em 27 de setembro. Um deles será determinante para as relações bilaterais futuras entre a Suíça e a União Europeia.

Por isso muitos reclamam pela possibilidade de votar eletronicamente. No início de 2019, dez cantões e os Correios Suíços ofereciam sistemas de votação eletrônica. No entanto, o chamado "e-voting" foi suspenso por apresentar falhas de segurança.

A decisão aumenta a insatisfação de muitos suíços do estrangeiro. "Dependemos desse instrumento. Mesmo antes da Covid-19 era comum o material de votação chegar tarde demais", reclama Gates.

Uma força-tarefa trabalha atualmente no desenvolvimento de um novo sistema de voto eletrônico para o governo federal. Ainda não há perspectivas de sua entrada em funcionamento.

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