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Crescem as remessas de dinheiro da Suíça para o estrangeiro

Trabalhadores estrangeiros ajudam as famílias que ficaram no país.

(Ex-press)

Atualmente, a Suíça é o quarto país de onde mais se envia dinheiro para outros países. São economias feitas pelos trabalhadores imigrantes e enviadas a suas famílias.

Os Balcãs é o principal destino dos recursos enviados da Suíça, questão que suscita o interesse da Secretaria Federal de Economia (Seco) e de parlamentares suíços.

Em dados atuais, um total de 200 milhões de pessoas deixaram seu país natal para viver em outro lugar. 60% delas são trabalhadores imigrantes que costumam mandar dinheiro periodicamente para suas famílias que ficaram no país de origem.

Em 2007, por exemplo, os trabalhadores imigrantes de todo do mundo enviarão a seus países o equivalente a 280 bilhões de dólares - 337 bilhões de francos suíços - segundo previsões do Banco Mundial.

O fenômeno é tão importante que já desperta o interesse de bancos centrais, economistas e sociólogos porque o montante duplicou em apenas 7 anos.

A Suíça é um dos protagostas principais dessa tendência pois está em quarto lugar entre os países de onde mais se remete dinheiro para o estrangeiro.

Imigração crescente

Na Suíça existem mais de 1,5 milhão de estrangeiros, dos quais pouco mais de 1 milhão trabalham e representam 24% da força produtiva helvética.

De acordo com Banco Mundial, "os imigrantes são fator de crescimento econômico e desenvolvimento, já que o trabalho deles gera riqueza às nações que os recebem e também nos países de onde partiram".

Além disso, tornaram-se uma nova e eficaz fonte de combate à pobreza nos países emergentes, No entanto, também há desvantagens.

A imigração na Suíça agravou o desemprego nacional em setores em que a mão-de-obra estrangeira é abundante provocou baixa dos salários em relação à média habitual.

Outro ponto negativo é o redução do poder de negociação dos sindicatos, o que também tem impacto negativo sobre a evolução dos salários suíços, segundo estudo do Crédito Suíço, segundo maior banco do país.

O CS frisa que a proporção de trabalhadores sindicalizados diminue paulatinamente com a concorrência, o que provoca distorções salariais.

Remessas da Suíça

No entanto, para além das vantagens e desvantagens dos fluxos laborais, o certo é que os trabalhadores estrangeiros na Suíça estão entre os mais bem pagos do mundo com salário médio mensal de 4.500 francos suíços, se dados da Divisão Federal de Estatísticas (OFS).

Isso explica que a Suíça seja hoje o país que conta 5% das das remessas mundiais, com um total de 16,1 bilhões de francos, em quarto lugar depois de Estados Unidos, Arábia Saudita e Alemanha.

Esse movimento deverá crescer a uma taxa entre 5 a 10% durante a próxima década, na previsão do Banco Mundial. Essa tendência dificilmente poderá reverter-se porque cada trabalhador tem liberdade para decidir como administra, gasta o investe seus ganhos, sem qualquer obrigação de mantê-los em território suíço.

Para onde vão as remessas?

As remessas da Suíça partem para cinco principais destinos: Sérvia, Turquia, Macedônia, Bósnia e República Dominicana, nessa ordem.

Dados os montantes envolvidos, o assunto tem despertado o interesse do governo suíço e dos países vizinhos.

No início de junho, a Suíça organizou uma conferência internacional em Belgrado da qual participaram uma centena de especialistas govenamentais e do setor financeiro para tratar do impacto das remessas enviadas da Suíça para os Balcãs.

Por sua vez, o Fórum Suíço para o Estado das Migrações analisou o impacto das remessas dos albaneses que trabalham na Suíça.

De acordo com dados do Fórum aos quais swissinfo teve acesso, os albaneses no estrangeiro enviam por ano ao país o equivalente a 20% do PIB, Produto Interno Bruto. Os que trabalham na Suíça enviam para suas famílias entre 1.200 e 1.500 francos suíços por ano.

Em 75% dos casos, esses recursos chegam a regiões de baixa renda, famílias monoparentais chefiadas por mulheres e idosos (freqüentemente pais e avós dos albaneses que se radicaram no estrangeiro).

Tranferências onerosas

Como mercado de trabalho, a Suíça é um dos países que oferece melhores oportunidades, dado o nível de salários. Contudo, também é um dos mais onerosos em matéria de remessas de dinheiro, porque as comissões cobradas são altas.

Esse aspecto chamaou a atenção do deputado federal socialista Carlo Sommaruga. Ele revelou a swissinfo que "as remessas enviadas por trabalhadores estrangeiros, legalizados ou não, sempre foi uma fonte de desenvolvimento para os países de origem, que sequer diminui em períodos de crise.

No entanto, acrescenta Sommaruga, as comissões cobradas na Suíça para o envio de dinheiro são exorbitantes e pesam consideravelmente sobre a renda dos imigrantes e de suas famílias no país de origem.

De fato, as comissões variam de 10 a 20% do valor enviado, ou seja, 50% a mais do que em outros países europeus como Espanha e Portugal e 60% a mais do que se cobra nos Estados Unidos, pelo mesmo serviço.

Para mudar essa situação, o Parlamento teria que fazer algo para criar mais concorrência entre as empresas especializadas no envio de dinheiro, de modo a reduzir as comissões para que as remessas fossem menos taxadas antes de chegar ao destino final.

"Para isso seria necessária uma nova regulamentação que eliminasse distorções e promovesse mais concorrência no mercado, o que contribuiria para reequilibrar as forças econômicas no mundo", conclui Carlo Sommaruga.

swissinfo/Andrea Ornelas

Breves

Remessas são recursos enviados por emigrantes - quase sempre de forma periódica - a seus países de origem. Os receptores geralmente são familiares.

O volume de recursos movimentado por ano é de 337 bilhões de de francos suíços; isso representa o dobro da ajuda dos países industrializados aos países pobres.

Os cinco países de onde mais se transfere dinheiro são os Estados Unidos, Arábia Saudita, Alemanha, Suíça e Espanha.

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Fatos

As remessas enviadas a suas famílias pelos imigrantes que trabalham na Suíça são suficientes para pagar os salários de 200 mil empregados suíços durante um ano.
Cada imigrante que trabalha na Suíça envia, em média, 1.000 francos suíços por ano a seu país de origem.
Luxemburgo e Suíça são os países europeus com maior proporção de população estrangeira.

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