Crise não impede Dufry de crescer na América do Sul

Dufray no aeroporto da cidade do México.

Ver uma empresa suíça ou de origem suíça na posição de líder do seu nicho de mercado não é exatamente uma novidade. No Brasil, a capacidade de uma dessas empresas para crescer, em meio à crise financeira global, vem causando boa surpresa no mercado.

Trata-se da Dufry South America, líder no setor de vendas duty-free (importados sem impostos) e duty-paid (importados com impostos incluídos) em todo o continente.

A Dufry South America foi criada em 2006, após a aquisição, realizada pela Dufry AG, das empresas Dufry do Brasil (que operava desde 1979) e Eurotrade (central logística com sede nas Ilhas Cayman).

Atualmente, a empresa opera 29 lojas duty-free em aeroportos brasileiros e duas em aeroportos da Bolívia, além de doze lojas duty-paid no Brasil. A Dufry South America opera também 39 lojas em doze navios de cruzeiro que trafegam em rotas no Caribe, no México, nas Bermudas e no Alasca, além de destinações na Europa e na América do Sul.

A força da Dufry South America é explicitada nos números da empresa em 2008, quando teve um lucro líquido de US$ 92,6 milhões, resultado que significou um aumento de 40% em relação ao ano anterior.

O que mais impressionou o mercado foi o fato de a empresa crescer até mesmo no último trimestre do ano passado, que foi de trevas para a maioria das empresas em todo o mundo. Entre outubro e dezembro, A Dufry South America apresentou lucro líquido de US$ 20,4 milhões, resultado 60% superior ao último trimestre de 2007.

José Carlos Rosa, que é CEO da Dufry South America, explica como a empresa enfrentou o pior período da crise: "Desde 2006, a Dufry vem crescendo entre 25% a 30% a cada ano.

No último trimestre do ano passado, a empresa, como muitas outras, foi impactada pela crise, sobretudo porque se reduziu em cerca de 5% o número de passageiros viajando do exterior para o Brasil e vice-versa. A mesma redução aconteceu em relação aos passageiros domésticos, e esse cenário fez as vendas decrescerem", conta.

Crise e eficiência

Não restava outra solução senão reagir, afirma o executivo: "Nós conseguimos, através de uma série de ações que implementamos rapidamente, fazer com que as vendas caíssem bem menos do que caiu o número de passageiros. Em algumas lojas, chegamos a melhorar a nossa média de vendas, o que mostra que conseguimos reagir rapidamente e reduzir muito os impactos da crise. Os resultados de 2008 foram bons, mesmo com o impacto negativo do último trimestre, e terminamos o ano com um crescimento acima dos 20%".

O segredo para enfrentar o período de maior turbulência foi uma drástica redução de despesas: "Mesmo com o cenário de redução de vendas que ocorreu, ainda assim mantivemos nossas margens de rentabilidade. Iniciamos um plano de eficiência, voltado à redução de custos e ao aprimoramento de nossas operações. Com a crise, o objetivo é tornar a empresa mais eficiente, e estamos conseguindo. A companhia é saudável e tem boas perspectivas de futuro", afirma Rosa. Apesar dos problemas, a receita líquida da Dufry South America em 2008 foi de US$ 608,2 milhões.

Otimismo para 2009

O começo de 2009 também não foi fácil, explica o executivo: "O tráfego aéreo parou de crescer no mundo inteiro e, em alguns países, houve até mesmo um decréscimo. As companhias aéreas e as agências de viagem começaram a lançar pacotes mais baratos para atrair os viajantes, mas nós, de qualquer maneira, contamos mesmo é com nossas próprias ações para conseguir aumentar as vendas".

Apesar do início difícil, as perspectivas da Dufry South America para este ano são as melhores possíveis: "Traçamos um objetivo de crescimento para 2009 em relação a 2008 que, é claro, não será tão grande quanto o crescimento que conhecemos desde 2006. Sabíamos que o primeiro semestre de 2009 seria difícil, mas acreditamos que no segundo semestre nós vamos conseguir compensar as dificuldades. Estamos convencidos de que teremos também em 2009 um ano positivo sob todos os aspectos", diz Rosa.

Aposta na diversificação

As vendas do tipo duty-free e duty-paid nos aeroportos são as principais responsáveis pelo bom desempenho financeiro da Dufry South America. Ainda assim, a empresa aposta na diversificação dos serviços oferecidos e procura levar sua marca também para fora dos aeroportos. José Carlos Rosa explica que existem dois tipos de lojas de rua. Um tipo é a loja duty-paid, que traz os mesmos produtos oferecidos no aeroporto, só que com as taxas incluídas: "Esse tipo de loja é mais uma bandeira, uma forma de apresentação da empresa. Vende razoavelmente bem, mas não tem um peso significativo nos negócios", diz.

Outro tipo de loja reúne as marcas Dufry e MAC, que é líder no setor de cosméticos e pertence a Estée Lauder: "Nessas lojas vendemos apenas produtos MAC, apesar de não sermos os representantes da marca no Brasil. É um negócio bom, sobretudo porque nossos clientes estão habituados a encontrar os produtos MAC no duty-free e têm associado a qualidade das nossas lojas de rua à qualidade que oferecemos no duty-free", diz Rosa.

Atualmente, existem sete lojas Dufry/MAC no Brasil (três no Rio de Janeiro, três em São Paulo e uma em Belo Horizonte). Em 2008, mais de 350 mil clientes passaram por essas lojas, proporcionando receitas que ultrapassaram os US$ 20 milhões: "É um negócio que tem expressão pequena se comparado ao volume total de negócios da empresa, mas é muito interessante para nós", diz o executivo.

Maurício Thuswohl, swissinfo.ch. Rio de Janeiro

Apenas comercial

Também conhecido como Galeão, o Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, deverá ser privatizado em breve, se for concretizado o desejo do Governo do Estado.

No início de 2009, alguns dos principais jornais brasileiros noticiaram que a Dufry South America estaria iniciando uma parceria com a construtora brasileira Odebrecht com o intuito de disputar a administração do aeroporto carioca. A informação, no entanto, é negada com veemência pelo CEO da empresa, José Carlos Rosa.

"Isso não é verdade porque a Dufry não administra aeroportos, a Dufry é uma operadora de varejo. Somos operadores comerciais, somos varejistas, e nunca estivemos envolvidos com a administração de aeroportos. Não é que seja o nosso forte ou o nosso fraco. Não é, pura e simplesmente, o nosso negócio. No Brasil, assim como em diversos outros países, a Dufry é apenas uma operadora comercial. Portanto, não estamos envolvidos em processos de privatização ou administração de aeroportos. A Dufry sequer tem opinião a esse respeito. Para nós, o que interessa é que o aeroporto seja bem administrado para que nós possamos fazer aquilo que fazemos bem, que é vender os produtos nas nossas lojas", diz Rosa.



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