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O chanceler Bruno Rodriguez Parrilla, no dia 19 de junho de 2017

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Cuba se nega a negociar com os Estados Unidos "sob pressão, ou ameaça" - afirmou seu chanceler, Bruno Rodríguez, nesta segunda-feira (19), em Viena, em resposta à mudança de política para a ilha anunciada por Donald Trump.

"Como estabelece a Constituição da República de Cuba, jamais negociaremos sob pressão, ou ameaça", disse Rodríguez em entrevista coletiva, ressaltando que seu país também não "realizará concessões inerentes à sua soberania e independência".

Trump anulou alguns aspectos da histórica aproximação bilateral anunciada no final de 2014, a qual levou Washington e Havana a retomarem seus laços diplomáticos em 2015, após meio século de ruptura.

Classificando o regime de Raúl Castro de "brutal", em discurso feito na presença de anticastristas na sexta-feira (16) em Miami, Trump anunciou sua nova política em relação à ilha. O republicano endurece o embargo vigente desde 1962, limita as viagens de americanos e proíbe negócios com empresas administradas por militares cubanos.

"Não será um decreto presidencial dos Estados Unidos que conseguirá dobrar o rumo soberano de Cuba, como não conseguiram fazê-lo em mais de 50 anos(...) Hoje vão nos ameaçar com o que que já não nos ameaçaram antes e fracassaram?", insistiu Rodríguez, chamando de "grotesco espetáculo" o palco no qual Trump fez seu anúncio.

As medidas "afetarão as relações do governo dos Estados Unidos com a América Latina e o Caribe e vão arranhar gravemente a credibilidade de sua Política Externa", completou o chanceler.

- Medidas 'insustentáveis'

Rodríguez destacou que as medidas de Trump "são absolutamente insustentáveis", porque, "na época em que estamos vivendo, o bloqueio é uma peça da Guerra Fria".

"Não há dúvida de que a História, a época obrigará um governo dos Estados Unidos a suspender o bloqueio e a normalizar as relações com Cuba, e nós teremos toda a paciência, a resistência, a decisão (...) para esperar que esse momento chegue", manifestou.

Ele destacou que as medidas de Trump provocarão "danos e sofrimentos" ao povo cubano, "danos econômicos" às empresas da ilha e ao nascente setor privado que floresce na esteira da reforma econômica, mas que a decisão "não cumprirá os objetivos proclamados".

Ainda assim, ressaltou o ministro, "restringirão as liberdades dos cidadãos americanos" e reduzirão as oportunidades de participação de suas empresas na economia da ilha.

"Cuba rejeita energicamente as novas medidas que endurecem o bloqueio (embargo), o que denunciaremos na próxima Assembleia Geral da ONU, porque é injusto, desumano, genocida, extraterritorial e violatório da soberania de todos os Estados", afirmou.

"O governo dos Estados Unidos não tem autoridade moral. Não pode dar lições sobre direitos humanos e democracia", apontou Rodríguez.

Em relação aos fugitivos da Justiça norte-americana, o ministro disse que "Cuba concedeu asilo político, ou refúgio, a lutadores pelos direitos civis dos Estados Unidos. Essas pessoas não serão enviadas aos Estados Unidos, que carece de base legal, política e moral para exigi-los".

Ele acrescentou que 12 cidadãos norte-americanos que cometeram delitos em Cuba e acabaram condenados à prisão foram enviados aos Estados Unidos "por decisão unilateral e em ato de boa vontade do governo cubano".

Rodríguez destacou que, durante toda sua campanha eleitoral, Trump disse que "apoiava a mudança de política em relação a Cuba, mas que ele buscaria um melhor acerto, um melhor acordo para o nosso país".

"Um melhor acordo significaria suspender o bloqueio, devolver o território da base naval de Guantánamo, aceitar o conceito de compensações mútuas que beneficiariam muito os proprietários americanos certificados pelas nacionalizações da década de 1960", acrescentou.

AFP