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Jovem harpista suíça é destaque em festival no Brasil

Elisa Netzer elisanetzer.com

A harpista suíça Elisa Netzer já pode ser considerada uma das maiores atrações da nona edição do festival RioHarpFestival, que acontece até o dia 1º de junho no Rio de Janeiro. Anunciada pela organização do evento como “um prodígio da harpa mundial”, a jovem de 24 anos teve platéia lotada nas duas apresentações realizadas nos dias 15 e 16 de maio no Centro Cultural da Justiça Federal.

Este conteúdo foi publicado em 25. maio 2014 - 11:00
Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro, swissinfo.ch

Além de tocar com virtuosismo um repertório que fugiu do óbvio e passeou por diversas tendências da harpa clássica e contemporânea, Elisa cativou o público por sua simpatia, dando explicações ou contando histórias engraçadas sobre cada obra que executava.

Ao receber a swissinfo.ch após uma de suas apresentações, Elisa afirma “se sentir um pouco em casa” no Rio de Janeiro: “É minha primeira vez no Brasil e na América do Sul, e estou achando tudo realmente fantástico. O público foi muito atencioso e estou gostando muito das pessoas. Há no Brasil alguma coisa que se parece com a Suíça, com muitas pessoas diferentes que vivem todas juntas em um mesmo lugar”, diz.

A jovem harpista comemora o fato de ter sido convidada para o RioHarpFestival: “É um dos festivais mais importantes do mundo, com uma grande agenda de concertos e intercâmbio entre os músicos. É uma grande oportunidade de tocar tão longe da Suíça e uma nova etapa na minha carreira”, diz. O repertório executado por Elisa em suas duas apresentações no Brasil incluiu obras dos compositores Domenico Scarlatti, Jean-Baptiste Cardon, Ami Maayani e Nino Rota, entre outros.

A experiência internacional da artista suíça, que começou a tocar harpa aos cinco anos de idade em sua cidade natal, Lugano, vem se acumulando nos últimos meses. Sua estréia como solista em um país estrangeiro aconteceu em maio do ano passado, durante o Festival Musical Olympus, em São Petersburgo, na Rússia, onde tocou acompanhada pela Orquestra Estatal Hermitage: “Foi inesquecível”, define.

A agenda de concertos de Elisa logo após a participação no RioHarpFestival não será muito intensa, com apresentações previstas para julho no festival de harpa de Sentmenat, perto de Barcelona, na Espanha, e em Malcesine, na região de Verona, na Itália. Duas outras apresentações estão marcadas para agosto, em Stanford, na Inglaterra, e para setembro, em Lugano.

Elisa explica que a agenda de concertos para os próximos meses é leve porque ela tem pela frente outra tarefa que exigirá sua atenção: “Tenho que terminar meus estudos. Estou acabando meu máster na Royal Academy of Music, em Londres. Estou muito feliz por ter essa oportunidade porque é verdadeiramente um dos melhores conservatórios de música do mundo. Agora estou tentando, quem sabe, começar uma carreira”, diz.

Função social

Nos últimos dois anos, o RioHarpFestival tem se notabilizado pelas atividades de intercâmbio entre os músicos internacionais e jovens músicos moradores de comunidades carentes do Rio de Janeiro. Em 2013, foram realizados concertos nas favelas Dona Marta, Pavão-Pavãozinho e Complexo do Alemão. Este ano, oito orquestras comunitárias foram convidadas a participar do festival, entre elas a Orquestra de Cellos das Comunidades Pacificadas e Orquestra Infanto Juvenil de Ação Social pela Música.

Diretor do festival, Sergio da Costa e Silva conta como a ideia surgiu: “Houve um grande interesse dos músicos, nas edições anteriores, em visitar as comunidades e se apresentar para os moradores. Foi um sucesso total, as comunidades se envolveram. Este ano resolvemos inverter o processo, trazendo os trabalhos de inserção social através da música realizados nessas comunidades para que eles, tocando com os harpistas internacionais, tivessem a experiência, a alegria e a honra de tocar com nomes da maior expressão. E, para os harpistas, é uma experiência nova porque, acostumados com as grandes orquestras mundiais, estarão conhecendo um novo universo de músicos iniciantes”, diz.

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Prêmios

A diplomação no conceituado conservatório inglês irá enriquecer o já impressionante currículo da harpista suíça, que inclui uma graduação com louvor no Conservatório de Parma, na Itália, e a conquista do prêmio de melhor pós-graduação em conservatório italiano. Antes, Elisa já havia conquistado o primeiro prêmio do Concurso Suíço de Música para a Juventude, feito repetido outras três vezes em solo italiano, com o primeiro lugar nos concursos Internacional de Execução Musical, de Riccione, Internacional de Jovens Musicistas, de Legnano, e Internacional de Viareggio.

Foi na Itália que Elisa passou pela primeira vez pela experiência de gravar uma faixa solo em um CD coletivo, que traz ainda faixas gravadas pelos também jovens prodígios Gabriele Luccherini (piano) e Paolo Tagliamento (violino). O disco foi incluído em uma edição da revista Suonare News, especializada em música erudita: “A gravação do CD foi diferente do que eu imaginava. Eu estava muito cansada depois de tudo, mas foi uma bela experiência”, diz. Ela também fala sobre os prêmios recebidos: “Participar de concursos tem sido realmente muito bom. Essa participação é importante para que eu possa melhorar sempre”, avalia.

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“Aposta no futuro”

O diretor do RioHarpFestival, Sergio da Costa e Silva, analisa a participação de Elisa Netzer: “Sua vinda ao festival é resultado da aposta que a gente faz para o futuro. Dar oportunidade a uma jovem em ascensão para que ela, no seu currículo, coloque a participação no RioHarpFestival é muito bom para nós, já que certamente Elisa é uma futura estrela, e também muito bom para ela, pela experiência, pelo intercâmbio e, principalmente, por estar com artistas do mundo inteiro num momento tão importante. Ela está muito feliz por estar aqui, e nós muito mais felizes por tê-la trazido”.

Costa e Silva comemora o sucesso do RioHarpFestival, que chega ao nono ano consecutivo com a participação recorde de 45 músicos de 25 países: “É uma satisfação muito grande, porque a repercussão mundial do festival vem crescendo. Este ano são mais de 150 concertos, o que mostra exatamente a resposta que nós temos tido em nível internacional. O festival está consolidado e colocou o Rio de Janeiro no circuito mundial da harpa, ao lado de cidades importantes de outros países”, diz.

O brasileiro ressalta a duração de 30 dias do festival: “Segundo os artistas que participaram, é hoje o maior festival de harpa do mundo, ao mesmo tempo em que reúne o maior número de concertos se comparado a qualquer outro festival do mundo. Este ano, todas as apresentações têm estado lotadas, e o público foi excepcional”.

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