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Daros: arte para aproximar os latino-americanos

Jaqueline Félix, Casa Daros

A Coleção Daros de Arte da América Latina, uma instituição baseada em Zurique, está abrindo um novo espaço à arte, educação e comunicação no Rio de Janeiro. Criada em 2000, ela abriga mais de mil obras de arte contemporânea do continente de 1960 até os dias de hoje. A iniciativa vem de uma das famílias mais ricas da Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 25. março 2013 - 10:26
Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro, swissinfo.ch

A oportunidade de receber eventos internacionais de grande porte como a Jornada Mundial da Juventude (2013), a Copa do Mundo de futebol (2014) e as Olimpíadas (2016), aliada ao bom momento econômico e ao aumento da sensação de segurança pública vividos pela cidade, faz com que diversas áreas do Rio de Janeiro passem atualmente por um processo de revitalização urbanística, arquitetônica e cultural. Aberta ao público no dia 23 de março, um dos ícones dessa revitalização, o centro de arte e educação Casa Daros, situado no bairro de Botafogo, ganha a luz do dia graças a uma inovadora iniciativa baseada na Suíça.

Concebida para ser uma “plataforma para o intercâmbio cultural na América Latina”, segundo seus idealizadores, a Casa Daros tem um acervo de 1.160 obras de arte contemporânea criadas por 117 artistas do continente. Iniciada no ano 2000, a Coleção Daros Latinamerica pertence à milionária suíça Ruth Schmidheiny e fica baseada na cidade de Zurique. Da Suíça, as obras serão levadas para compor as exposições que se realizarão no Rio.

Diretor artístico da Coleção Daros Latinamerica e responsável pela curadoria das exposições e mostras que serão organizadas no Brasil, o suíço Hans-Michael Herzog justifica a escolha da cidade por sua força atrativa e se mostra feliz por contribuir com esse momento de revitalização tão festejado pela população carioca e divulgado pela grande imprensa de todo o Brasil: “Há dez anos, quando começamos a procurar um lugar para expor a coleção, o Rio tinha muito menos atividades artísticas”, lembra, em entrevista publicada no jornal carioca O Globo.

Segundo Herzog, a Casa Daros tem uma missão, que é funcionar como “um meio de aproximar os brasileiros de seus vizinhos” através da arte: “O público terá a oferta permanente de exposições e programas de arte latino-americana”, avisa. O suíço diz esperar estreitar os laços entre o público brasileiro e os artistas contemporâneos dos países vizinhos: “Ninguém sabe quem são os artistas da região. Estamos aqui para mostrar conteúdos desconhecidos”, diz.

Reforma 

O processo de reforma do prédio onde funcionará a Casa Daros, realizado em um casarão de três andares e doze mil metros quadrados construído em 1866, durou seis anos. O trabalho envolveu 250 profissionais, incluindo uma equipe de restauradores, já que o casarão, de estilo neoclássico e considerado um bem histórico, é tombado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O imóvel, comprado pelos suíços em 2006 por R$ 16 milhões, pertencia anteriormente à Santa Casa de Misericórdia.

No primeiro pavimento da Casa Daros ficam a recepção e 14 salas de exposição, em uma área estruturada para receber a maior parte do público visitante, além de uma sala de leitura. No segundo andar funcionarão os escritórios e toda a parte administrativa, e no terceiro andar foi montada uma grande biblioteca com cerca de quatro mil volumes sobre arte latino-americana.

Além disso, com o rebaixamento do piso original em 60 centímetros feito durante a reforma, foi criado um piso térreo que não existia antes e onde funcionarão um ateliê destinado a oficinas de arte e educação, uma cafeteria, um restaurante, uma loja para negociar obras dos artistas em exposição e um auditório com 100 lugares.

Revitalização

A inauguração da Casa Daros acontece em um momento no qual o Rio de Janeiro vê o nascimento de diversos museus e casas dedicadas à arte e à cultura.

No primeiro dia de março, quando a cidade completou 448 anos, foi inaugurado na Zona Portuária o Museu de Arte do Rio (MAR).

Quatro exposições simultâneas marcaram a inauguração do museu, que tem um prédio histórico – o Palacete Dom João VI - e um moderno prédio anexo situados em uma área de 15 mil metros quadrados.

Também na Zona Portuária do Rio será erguido, ainda sem data de inauguração determinada, o Museu do Amanhã, dedicado à ciência, à tecnologia e ao estudo de “como será a vida do planeta e das pessoas nos próximos 50 anos”.

O museu será erguido no Píer Mauá, em uma área total de 30 mil metros quadrados que abrigará uma ciclovia, jardins, áreas de lazer e um espelho d’água.

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Exposição inaugural 

Para confirmar na prática o objetivo de promover um intercâmbio cultural e artístico entre os brasileiros e seus vizinhos, a exposição inaugural da Casa Daros irá reproduzir no Rio a maior mostra de arte contemporânea colombiana já realizada na Europa. Montada originalmente em 2004, em Zurique, a exposição “Cantos Cuentos Colombianos” reúne 75 obras de dez artistas: Fernando Árias, Nadín Ospina, Doris Salcedo, Miguel Ángel Rojas, Oscar Muñoz, José Alejandro Restrepo, Juan Manuel Echavarría, María Fernanda Cardoso, Oswaldo Macià e Rosemberg Sandoval.

“É uma coleção primorosa e praticamente desconhecida do público brasileiro”, diz Herzog. A mostra ficará cinco meses em cartaz e, durante esse período, a ideia é que os dez artistas possam viajar ao Rio de Janeiro para participar de debates e encontros sobre suas obras e temas ligados à arte e à educação. Além das exposições, a Casa Daros pretende promover periodicamente encontros entre curadores, artistas e estudantes de arte do Brasil e dos demais países da América Latina.

A sequência das atrações na Casa Daros também já está confirmada. Em setembro, ao final da mostra “Cantos Cuentos Colombianos”, será a vez de uma mostra individual de arte cinética do argentino radicado na França Julio Le Parc. Exposições complementares também acontecerão de forma permanente, a começar pela mostra “Para (Saber) Escutar”, que trata do processo de chegada da Coleção Daros Latinamerica ao Brasil.

Gratuidade 

A entrada na Casa Daros é gratuita até o dia 14 de abril. A partir desta data, será cobrado por um ingresso o preço de doze reais ao público em geral, segundo estimativa da direção da casa. A entrada gratuita, no entanto, continuará a ser promovida todas as quartas-feiras. Além disso, as escolas públicas terão permanentemente acesso livre ao local, desde que a visita seja agendada previamente.

“A Casa Daros vai servir como um oásis na cidade do Rio de Janeiro. A ideia é que tudo seja muito agradável, por isso a chamamos de casa, e não de museu. Isso aqui é uma obra para o povo brasileiro”, resume Hans-Michael Herzog.

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