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Dedicação e idealismo Choba Choba e o missionário do chocolate

Determinação, dedicação e uma boa dose de idealismo são o que levam Christoph Inauen a liderar uma revolução de chocolate nas selvas do Peru. 



Christoph Inauen (camisa asul) junto com outros participantes do projeto.

Christoph Inauen (camisa asul) junto com outros participantes do projeto.

(swissinfo.ch)

Faz menos de meio ano que esse suíço e seu parceiro lançaram Choba Choba, e nesse dia no começo de março ele está de volta ao Peru para apresentar aos produtores a primeira fornada de barras de chocolate feitas com o seu cacau e embaladas com muito requinte.

O cenário da floresta tornou-se a segunda casa de Inauen, e os produtores aqui são seus parceiros na iniciativa – e sua segunda família.

“Elas são como mães para mim”, diz Inauen enquanto abraça Charito Paima Mendoza em sua cozinha-refeitório aberta, dublê de espaço comunitário, na comunidade de Santa Rosa. A cada visita, Charito e Pasiona Caballero Mendoza, sua equivalente na vizinha Pucallpillo, demonstram amorosamente que Inauen e Eric Garnier estão muito bem cuidados.

Inauen está aqui para continuar sua missão de transformar a indústria global de chocolate.

“A globalização foi longe demais. Os produtores rurais não têm voz alguma e os selos (como os certificados) tornaram-se uma ferramenta para legitimar o sistema”, diz ele com fervor missionário.

Inauen e Garnier fundaram Choba Choba, uma empresa na Suíça, para promover o desenvolvimento dos produtores de cacau. Em vez de simplesmente paga-los pelo seu produto, Choba Choba os transforma em acionistas. Cerca de 36 famílias estão envolvidas.

Inauen tem criticado severamente os maiores processadores de chocolate pelos enormes lucros que eles tiram em detrimento dos produtores. Ele tem experiência no assunto.

Ex-diretor de sustentabilidade da marca de chocolate Halba, da cadeia suíça de supermercados Coop, e colaborador da ONG suíça Helvetas, Inauen trabalha há muito tempo com produtores de cacau na África e América Latina. No Mali, ele testemunhou a pobreza extrema entre os plantadores de cacau que fornecem a matéria-prima para uma indústria global de chocolate avaliada aproximadamente em 10 bilhões de dólares.

Idealista

Oito anos atrás, após se reunir com produtores de cacau no vale de Huayabamba no Peru, Inauen se convenceu que as coisas tinham que mudar.

“Os agricultores nos disseram: vejam, rapazes, o preço de mercado do cacau é uma piada. Então discutimos com eles aqui o que precisava mudar e decidimos criar uma marca de chocolate suíço onde eles seriam responsáveis pelo mecanismo de atribuição de preço. É um sistema de precificação de baixo para cima.”

“Estava na hora de mostrar que outros modelos podem existir”, diz ele. Choba Choba seria essencialmente uma alternativa aos esquemas de certificação, como Fair Trade, Rainforest Alliance e UTZ.

Desde o lançamento da marca em outubro passado, esse bernense de olhos azuis tem trabalho incessantemente pelo sucesso da “revolução de chocolate” de Choba Choba.

Determinação, dedicação e uma boa dose de idealismo parecem guiar Inauen em seu projeto mais recente. Desde que conceberam Choba Choba, que ainda está longe de alcançar lucros, Inauen e Garnier têm trabalhado de graça para minimizar os custos.

“Em meus trabalhos anteriores, sempre quis mudar o mundo. Mas eu ficava um pouco frustrado porque muitos dos projetos econômicos não eram bem estruturados. Tentei ONGs. Tentei com o setor privado. Foi uma evolução para mim entrar num processo onde eu pudesse definir um sistema da maneira que eu acredito ter o maior impacto.”  

A "família" Choba-Choba.

(swissinfo.ch)

Comunicador

Inauen fala espanhol como um peruano, e ainda é fluente em alemão, francês e inglês.

Mas não importa em que língua, a comunicação – geralmente num nível bastante pessoal – é central na sua missão de reformar a cadeia produtiva do chocolate.

Desde o ano passado, Inauen tem repetido a história de Choba Choba a potenciais parceiros financeiros, consumidores e jornalistas.

“Goldman Sachs, o banco de investimentos norte-americano, nos chamou para perguntar como poderiam investir 10 milhões de dólares. Mas eles não entenderam nada do conceito”, lembra Inauen.

Para ele, Choba Choba tem por objetivo impactar na vida dos produtores de cacau, e não criar uma operação de grande escala para gerar lucros a investidores de longe. 

O entusiasmo de Inauen encontrou milhares de apoiadores entre sua clientela, cujos selfies sorridentes, dando suas primeiras mordidas nas barras de chocolate, foram recentemente expostas no salão comunitário de Pucallpillo.

Durante sua estadia aqui, Inauen pôde conversar com todo mundo, pessoas que ele conhece pelo nome e por quem ele parece nutrir genuína consideração. Aqui está um homem em seu elemento.

Numa degustação de chocolate onde os produtores experimentavam chocolates feitos do seu cacau, Inauen pulava de banco em banco para conferir opiniões, assentindo e sorrindo aos comentários de jovens e idosos.

Trabalhar com os produtores como parceiros igualitários no negócio, e com total transparência, é essencial para manter a confiança deles, explica ele.

Com os produtores de Choba Choba designados para se tornarem os acionistas majoritários na empresa, passar a mensagem era muito importante. Inauen deixou bem claro que eles teriam de ser seus próprios embaixadores.

“Essa é a primeira vez que os produtores de cacau do Peru são donos de uma marca internacional de chocolate. É a primeira vez que os produtores vendem chocolate diretamente aos consumidores”, disse Inauen às famílias, depois de apresentar um slide show embalado por música peruana.

Energético

Assim como todos os outros aspectos do negócio de Choba Choba, a mensagem de Inauen vai sendo definida com o apoio e conselho dos líderes da comunidade. Eles trabalharam até tarde da noite antes da assembleia geral, e até bem depois de toda a vila ter ido dormir.

E parte do esforço também envolve juntar-se aos outros para uma partida de futebol na sufocante umidade e calor da selva.

Certa noite, Inauen reapareceu rapidamente no jantar comunal com seu sorriso de sempre e de banho tomado após o jogo. “Eu preciso estar ativo, isso me dá energia”, diz ele sobre sua abordagem para realizar sua missão.

Enquanto se lançava à refeição de frango (criado ao ar livre) e banana frita, Inauen descreveu sua revolução do chocolate como um processo passo-a-passo. “Precisaria de mais duas ou três vidas para desenvolver a fundo o que temos aqui”. Mas primeiro ele quer se certificar de que Choba Choba está tendo um impacto positivo nessas duas comunidades. 


Adaptação: Eduardo Simantob, swissinfo.ch

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